Paraná e Paraguai criam Hub Binacional de Inovação e colocam H2V no centro da estratégia energética da fronteira

Aliança entre governo paranaense e universidades transforma Foz do Iguaçu em laboratório vivo para projetos de H2V, inteligência artificial e segurança integrada

A fronteira entre Brasil e Paraguai passou a ocupar uma nova posição no mapa da inovação tecnológica da América Latina. Com a assinatura de um protocolo de intenções nesta quarta-feira (11), foi oficialmente lançada a iniciativa para criação do Hub Binacional de Inovação Paraná–Paraguai, um projeto que pretende transformar a região de Foz do Iguaçu em um território experimental para soluções avançadas em energia limpa, hidrogênio verde, inteligência artificial e segurança pública integrada.

A articulação é liderada pela Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná (SEIA), em parceria com a Universidad Nacional del Este (UNE), responsável pela gestão do Parque Tecnológico Itaipu Paraguai (PTI-PY). A proposta estabelece uma governança internacional inédita, voltada à conexão direta entre universidades, setor produtivo e administração pública.

Além das instituições paraguaias, a rede de cooperação envolve universidades brasileiras como a Unicentro e a Unioeste, além da Universidad Nacional de Concepción, criando um ecossistema transfronteiriço de pesquisa aplicada, inovação pública e desenvolvimento tecnológico.

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Energia limpa e hidrogênio verde como vetores estruturantes

A escolha da região de Foz do Iguaçu para sediar o hub não é casual. O projeto se ancora em um dos maiores ativos energéticos da América Latina: a geração renovável da Itaipu Binacional, responsável por volumes expressivos de eletricidade limpa e estável.

A partir desse excedente energético, a iniciativa pretende desenvolver tecnologias para a cadeia do hidrogênio verde (H2V), posicionando a fronteira como um polo estratégico de pesquisa, testes e implantação de soluções ligadas à nova economia do hidrogênio.

O objetivo é explorar desde aplicações industriais até modelos logísticos, sistemas de armazenamento e integração com a infraestrutura existente, conectando energia renovável abundante à demanda por descarbonização nos setores de transporte, siderurgia e indústria pesada.

“Estamos dando um passo concreto para transformar a nossa fronteira em um ambiente de desenvolvimento tecnológico e de soluções reais para a população. Essa união cria as condições para que o Paraná lidere a inovação pública na América Latina, gerando oportunidades, atraindo investimentos e preparando a região para o futuro.”, afirmou Alex Canziani, secretário estadual de Inovação e Inteligência Artificial.

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Fronteira como laboratório de políticas públicas

Diferentemente de parques tecnológicos tradicionais, o Hub Binacional nasce com uma proposta de laboratório vivo, onde as soluções serão testadas diretamente no território, envolvendo cidadãos, governos e empresas.

Além da energia e do hidrogênio verde, o projeto terá eixos estruturantes em inteligência artificial governamental, cidades inteligentes, logística integrada e segurança pública. A fronteira passa a ser vista como ambiente de prototipagem de políticas públicas, capaz de gerar modelos replicáveis para outras regiões da América Latina.

A integração entre bases de dados, sistemas de monitoramento e plataformas digitais é considerada essencial para aumentar a eficiência dos serviços públicos e melhorar a experiência de moradores e turistas em uma das áreas mais movimentadas do continente.

Segurança integrada e uso de inteligência artificial

Um dos pilares do hub será o desenvolvimento de soluções para segurança pública transfronteiriça, com foco em monitoramento de cargas, veículos e fluxos de pessoas. A coordenação desse eixo ficará sob responsabilidade da Polícia Militar do Paraná, com apoio de instituições paraguaias.

“Queremos criar um novo conceito de inovação colaborativa ligada à melhoria da qualidade de vida da região. Temos esse eixo de segurança pública que vai tornar o trabalho entre os dois países mais integrado, com sistemas capazes de gerar uma experiência diferenciada para os turistas que passam pela fronteira, além de uma gama de serviços inéditos que serão executados.”, afirmou Deoclecio Aires, coordenador técnica.

A expectativa é que o uso de inteligência artificial aplicada à gestão pública permita integrar bases de dados, antecipar riscos, melhorar a logística e reduzir gargalos operacionais típicos de regiões de fronteira.

Diplomacia científica e formação de talentos

Outro eixo central do projeto é o fortalecimento da chamada diplomacia científica, com foco na formação de capital humano especializado. Para isso, será criada uma Escola de Métodos, voltada à capacitação de servidores públicos, pesquisadores e estudantes em ciência de dados, inovação aberta e prototipagem de soluções.

A estrutura utilizará os escritórios regionais da secretaria paranaense e as instalações do Parque Tecnológico Itaipu Paraguai, consolidando um ambiente de intercâmbio técnico permanente entre Brasil e Paraguai.

“Para nós é uma grande satisfação firmar este convênio com o Governo do Paraná. A parceria nos dá acesso a tecnologias avançadas e fortalece o intercâmbio de pesquisas e projetos que vão gerar benefícios para o Alto Paraná. Agradecemos a confiança e reafirmamos nosso compromisso de trabalhar juntos pelo desenvolvimento do Paraguai e do Brasil.”, afirmou José Sanchez, reitor da Universidad Nacional del Este.

Hub como modelo de governança regional

Do ponto de vista estratégico, o Hub Binacional de Inovação surge como uma experiência inédita de governança tecnológica transfronteiriça, integrando energia, digitalização, segurança e políticas públicas em uma mesma arquitetura institucional.

A proposta é que o modelo possa ser replicado em outras regiões de fronteira, especialmente aquelas que concentram ativos energéticos relevantes, infraestrutura logística e desafios sociais complexos.

Ao unir hidrogênio verde, inteligência artificial, inovação pública e diplomacia científica, Paraná e Paraguai inauguram um novo tipo de cooperação regional, que posiciona a fronteira não mais como zona periférica, mas como centro estratégico da transição energética e digital na América Latina.

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