ANEEL autoriza sandbox tarifário da Equatorial Alagoas para integrar geração distribuída, armazenamento e mobilidade elétrica

Projeto pioneiro testará, por 22 meses, estruturas tarifárias inteligentes com uso de V2G em 400 unidades consumidoras de Maceió e Marechal Deodoro

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou a criação de um ambiente regulatório experimental, conhecido como sandbox regulatório, para a implementação do projeto “Integração Eficiente de Recursos Energéticos Distribuídos”, proposto pela Equatorial Alagoas. A decisão foi tomada durante o primeiro Circuito Deliberativo Público Ordinário da Diretoria da Agência em 2026 e marca um novo capítulo na agenda regulatória voltada à modernização da distribuição de energia no país.

A iniciativa tem como foco o desenvolvimento e a validação, em condições reais de operação, de estruturas tarifárias inteligentes capazes de coordenar de forma mensurável e eficiente o uso simultâneo de geração distribuída fotovoltaica, sistemas de armazenamento e veículos elétricos, no ambiente de baixa tensão.

Sandbox regulatório como laboratório para o futuro da tarifa

O projeto da Equatorial Alagoas se insere na estratégia da ANEEL de utilizar sandboxes regulatórios como instrumentos de inovação, permitindo a experimentação de modelos tarifários e tecnológicos ainda não plenamente contemplados na regulação vigente.

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Ao autorizar o sandbox, a Agência busca avaliar, na prática, como diferentes sinais econômicos podem induzir comportamentos mais eficientes por parte dos consumidores, especialmente em um cenário de crescente penetração de recursos energéticos distribuídos (REDs) e eletrificação da frota.

A proposta pretende responder a um dos principais desafios atuais da regulação: como alinhar tarifas, uso da rede e novos ativos energéticos, como baterias e veículos elétricos, sem comprometer a sustentabilidade econômico-financeira das distribuidoras e a equidade entre consumidores.

Projeto será aplicado em 400 unidades consumidoras

O experimento será implementado nos municípios de Maceió e Marechal Deodoro, abrangendo 400 unidades consumidoras, divididas igualmente entre grupo de aplicação e grupo de controle, selecionadas por sorteio aleatório.

A amostra inclui consumidores residenciais, comerciais e de serviços públicos, com e sem participação no Sistema de Compensação de Energia Elétrica (SCEE), além de diferentes perfis de consumo e padrões de recarga de veículos elétricos. O objetivo é garantir diversidade estatística e permitir comparações robustas entre os grupos.

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O prazo total de execução do projeto é de 22 meses, sendo 14 meses dedicados à fase de campo, com início previsto para fevereiro de 2026 e conclusão em novembro de 2027.

Orçamento e aderência a projetos similares

No aspecto econômico, o orçamento total do sandbox é de R$ 4,29 milhões, distribuídos entre recursos humanos, serviços de terceiros, materiais permanentes, mobilização, administração e outras despesas operacionais.

Segundo avaliação da área técnica da ANEEL, os custos apresentados estão em linha com os valores praticados em outros projetos de sandbox já autorizados, o que reforça a viabilidade econômico-regulatória da iniciativa dentro do escopo dos programas de P&D e inovação regulatória da Agência.

V2G e papel do operador de distribuição

Um dos principais diferenciais do projeto é a incorporação da tecnologia V2G (vehicle-to-grid), que permite que veículos elétricos não apenas consumam energia da rede, mas também devolvam eletricidade ao sistema em momentos estratégicos.

A ANEEL destacou que o sandbox da Equatorial Alagoas representa o primeiro experimento regulatório envolvendo V2G no Brasil, com potencial de abrir caminho para novos modelos de operação e remuneração da flexibilidade distribuída.

A avaliação da Agência enfatiza a relevância sistêmica da proposta. “A ANEEL considera que a proposta prioriza o princípio da causalidade de custos, endereça os desafios crescentes da mobilidade elétrica, constitui o primeiro experimento regulatório envolvendo tecnologia V2G no país e contribui diretamente para o aprimoramento do papel do Operador do Sistema de Distribuição.”

Na prática, o projeto também busca testar como o Operador do Sistema de Distribuição (DSO) pode evoluir de um agente predominantemente passivo para um ente capaz de coordenar fluxos bidirecionais de energia, sinais tarifários dinâmicos e ativos flexíveis conectados à rede.

Implicações para o setor elétrico

Para o setor elétrico, o sandbox da Equatorial Alagoas funciona como um laboratório regulatório estratégico em um momento de transição estrutural. A combinação entre geração distribuída, armazenamento e mobilidade elétrica impõe novos desafios à regulação tarifária, ao planejamento da rede e ao desenho dos encargos.

Os resultados do projeto poderão subsidiar futuras revisões normativas da ANEEL, especialmente em temas como tarifas locacionais, sinalização horária, remuneração da flexibilidade e integração de recursos distribuídos ao planejamento da distribuição.

Mais do que um experimento isolado, a iniciativa sinaliza uma mudança de abordagem regulatória: da lógica tradicional baseada em consumo passivo para um modelo em que o consumidor passa a ser agente ativo do sistema elétrico, com capacidade de produzir, armazenar, consumir e injetar energia de forma inteligente.

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