ONS revisa para baixo projeção de chuvas e sinaliza pressão sobre o SIN com alta na carga em janeiro

Afluências no Sul devem ficar significativamente abaixo da média histórica, frustrando expectativas anteriores; cenário de demanda aquecida exige gestão rigorosa dos reservatórios no Sudeste

O cenário hidroenergético para o início de 2026 sofreu uma deterioração importante. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou suas estimativas para o regime de chuvas em janeiro, apontando que o subsistema Sul, o único que ainda mantinha projeções de afluências acima da média histórica, deve registrar volumes consideravelmente menores. O quadro é agravado por uma revisão para cima na projeção da carga de energia, pressionando o equilíbrio entre oferta e demanda no Sistema Interligado Nacional (SIN).

De acordo com o boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) divulgado nesta sexta-feira, a Energia Natural Afluente (ENA) no Sul deve atingir apenas 79% da Média Longa Termo (MLT). A revisão é brusca: na semana anterior, o órgão projetava 102% da média. Essa mudança remove o último baluarte de hidrologia favorável do país neste início de ano, forçando o sistema a uma gestão mais cautelosa dos ativos térmicos e das interconexões entre subsistemas.

Estresse hídrico e a resiliência dos subsistemas

Enquanto o Sul apresenta frustração nas expectativas, os demais subsistemas permanecem em patamares de atenção, operando abaixo da média histórica para o período, que é tipicamente marcado pelo auge da estação chuvosa. O Sudeste/Centro-Oeste, considerado o principal reservatório de energia do país, deve registrar 67% da MLT. Embora o número represente uma leve melhora frente aos 65% previstos na semana passada, ele ainda se mantém em um nível insuficiente para garantir uma recomposição robusta para o período seco.

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No Nordeste, a situação é mais severa, com previsão de apenas 43% da média histórica de chuvas, enquanto o Norte deve atingir 74%. Mesmo com afluências abaixo do esperado, o nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste deve encerrar o mês em 46,9% da capacidade, um ligeiro incremento em relação aos 46,7% projetados na semana passada, refletindo a estratégia operativa de preservação de energia estocada.

Carga em ascensão e o desafio do consumo

O fator de maior atenção para o ONS neste relatório é o comportamento da demanda. O Operador elevou a projeção de crescimento da carga para 2,3% na comparação com janeiro de 2025, o que representa uma necessidade de 85,2 gigawatts (GW) médios. Na estimativa anterior, o crescimento esperado era de 1,6%.

Este avanço na carga, impulsionado pelas temperaturas elevadas e pela dinâmica econômica de janeiro, ocorre justamente quando a oferta hidráulica se mostra mais restrita. Para os agentes do mercado, o dado é um gatilho de monitoramento para a formação de preços no curto prazo (PLD) e para a necessidade de acionamento de recursos termelétricos para garantir a estabilidade da ponta de carga.

Ações preventivas e Bacia do Paraná

Diante do cenário de chuvas aquém do necessário em um período crucial, o Ministério de Minas e Energia (MME) já havia sinalizado na véspera a avaliação de um plano de ação focado na recuperação dos reservatórios da bacia do Paraná. O objetivo é permitir que o sistema acumule recursos hídricos antes do término do período úmido.

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Entre as medidas em discussão, está a possibilidade de autorização para reduções de vazão mínima nas hidrelétricas da bacia do Paraná a partir de março. Essa ação ocorreria após o período da piracema, visando equilibrar a preservação da fauna com a segurança energética nacional.

Perspectivas para o encerramento do período úmido

A deterioração das ENAs em janeiro liga o sinal amarelo para o restante da estação chuvosa, que se estende até abril. Se a recuperação dos reservatórios não se intensificar nos próximos dois meses, o país poderá enfrentar um segundo semestre com maior dependência de fontes térmicas e, consequentemente, custos de energia mais elevados.

A governança do setor elétrico agora monitora com lupa o comportamento das frentes frias, enquanto o mercado aguarda os desdobramentos sobre o custo marginal de operação e os impactos na tarifa.

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