Alta disponibilidade operacional, antecipação de contratos de capacidade e integração Gas-to-Power impulsionam geração de 6,2 TWh em cenário de hidrologia adversa
A Eneva encerrou o quarto trimestre de 2025 (4T25) com um desempenho operacional que consolida seu posicionamento como um dos principais agentes de sustentação da segurança energética do país. Em um contexto de hidrologia desfavorável e maior necessidade de despacho térmico no Sistema Interligado Nacional (SIN), a companhia registrou geração bruta recorde de 6.228 GWh, volume 48% superior ao observado no mesmo período de 2024.
O resultado reflete a combinação entre condições sistêmicas que exigiram maior acionamento de usinas térmicas e uma estratégia operacional focada em confiabilidade, flexibilidade e antecipação de receitas. A atuação integrada entre produção de gás natural e geração de energia, pilar do modelo Gas-to-Power da companhia, mostrou-se decisiva para atender à demanda por potência em um trimestre marcado por restrições hidrológicas e maior intermitência das fontes renováveis.
Disponibilidade elevada como diferencial competitivo
Um dos principais destaques técnicos do trimestre foi a elevada disponibilidade das plantas da Eneva, indicador-chave para a entrega de energia firme e para a maximização da receita fixa associada aos contratos de capacidade. No Complexo Parnaíba, localizado no Maranhão, as usinas térmicas operaram com disponibilidade média de 94%, patamar considerado elevado para ativos térmicos de grande porte.
Já a UTE Jaguatirica II, instalada em Roraima, apresentou desempenho ainda mais robusto, com disponibilidade de 99% no período. O ativo é hoje o principal pilar de estabilidade do sistema isolado do estado, substituindo gradualmente a geração a óleo diesel e reduzindo riscos operacionais e custos sistêmicos associados ao suprimento de energia na região Norte.
Esse desempenho reforça a relevância do parque térmico da Eneva não apenas sob a ótica econômica, mas também como instrumento de confiabilidade do sistema elétrico brasileiro em cenários de estresse hídrico e volatilidade climática.
HUB Sergipe ganha protagonismo na ponta de carga
Outro vetor relevante do resultado do 4T25 foi a forte expansão da geração da UTE Porto de Sergipe I. A usina registrou geração bruta de 1.756 GWh no trimestre, com despacho médio de 52%, um salto expressivo frente aos 155 GWh observados no quarto trimestre de 2024.
A performance evidencia a maturidade operacional do ativo e sua plena integração ao portfólio da Eneva. Localizada em um dos principais hubs energéticos do Nordeste, Porto de Sergipe I tem papel fundamental no atendimento à ponta de carga regional, especialmente em momentos de menor produção eólica e solar, contribuindo para a estabilidade do SIN.
A usina também reforça a lógica de complementaridade entre fontes renováveis e térmicas flexíveis, aspecto cada vez mais central na discussão sobre a transição energética no Brasil.
Gestão contratual e antecipação de receitas
No campo da estratégia comercial, a Eneva se beneficiou da antecipação de contratos de Reserva de Capacidade na forma de Potência (CRCAP), movimento que ajudou a otimizar o fluxo de caixa em um trimestre de elevada demanda por potência. As UTEs Parnaíba IV, Geramar I e II tiveram seus contratos antecipados para outubro, enquanto Viana entrou em agosto.
Essa gestão ativa dos contratos permitiu capturar valor em um momento em que o sistema exigia maior despacho térmico, ao mesmo tempo em que reforçou a previsibilidade de receitas em um ambiente de maior incerteza hidrológica.
Reservas de gás e segurança energética no Norte
No upstream, a Eneva encerrou 2025 com 44,0 bilhões de metros cúbicos (bcm) em reservas 2P de gás natural, base fundamental para sustentar a operação integrada de longo prazo. Um aspecto operacional relevante no 4T25 foi o direcionamento de parte da produção da Bacia do Amazonas para o reforço do estoque de gás da UTE Jaguatirica II.
Mesmo com uma leve redução na geração bruta da usina em relação ao trimestre anterior, a decisão estratégica de priorizar o armazenamento visa ampliar a margem de segurança do sistema para 2026, ano que já apresenta projeções de maior estresse hidrológico e necessidade de despacho térmico contínuo.
SSLNG e a expansão da comercialização off-grid
O segmento de Small Scale LNG (SSLNG) no Complexo Parnaíba consolidou sua trajetória de crescimento no trimestre. As vendas atingiram 37,8 milhões de metros cúbicos, volume quase sete vezes superior ao registrado no 4T24.
O avanço reflete tanto a eficiência operacional das plantas de liquefação quanto o aumento da demanda de consumidores industriais fora da malha de gasodutos. Esses clientes veem no gás natural uma alternativa para reduzir custos operacionais e emissões, em linha com estratégias de descarbonização e transição energética.
Perspectivas para 2026 e mercado de capacidade
Com o encerramento de contratos de usinas como LORM e Viana 1 na virada do ano, a Eneva entra em 2026 posicionada para capturar oportunidades no mercado merchant e no próximo Leilão de Reserva de Capacidade. A combinação entre parque térmico disponível, reservas próprias de gás e flexibilidade operacional coloca a companhia em posição privilegiada para responder rapidamente às oscilações do SIN.
Em um cenário de crescente complexidade operativa, a performance do 4T25 reforça o papel estrutural das térmicas flexíveis na sustentação da segurança energética brasileira.



