Plano decenal do MME prioriza minerais críticos, amplia previsibilidade para investidores e consolida o país na rota global da mineração sustentável
O Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou, em 2025, o Plano Decenal de Recursos Minerais (PlanGEO 2026–2035), documento que estabelece diretrizes estratégicas para ampliar o conhecimento mineral do Brasil e orientar a exploração de recursos essenciais à transição energética e ao desenvolvimento sustentável da mineração. Produzido em parceria com o Serviço Geológico do Brasil (SGB), o relatório consolida uma visão de longo prazo para o setor e responde à crescente demanda global por minerais críticos, insumos indispensáveis para baterias, eletromobilidade, geração renovável, tecnologias digitais e cadeias industriais intensivas em materiais estratégicos.
O plano surge em um momento em que países desenvolvidos buscam diversificar suas fontes de minerais e reduzir vulnerabilidades geopolíticas associadas à concentração de produção. Nesse cenário, o Brasil se posiciona como um dos maiores potenciais geológicos do mundo, mas historicamente com lacunas de conhecimento que limitam a velocidade do investimento. O PlanGEO atua justamente nesse gargalo, oferecendo previsibilidade e base técnica sólida para orientar decisões públicas e privadas nos próximos dez anos.
Mapeamento ampliado e foco em minerais críticos para a transição energética
O relatório final do PlanGEO define os principais projetos de mapeamento e avaliação de áreas com potencial mineral que serão conduzidos pelo SGB até 2035. O foco é direcionado a minerais críticos considerados essenciais para o avanço tecnológico global e para os compromissos climáticos assumidos pelo país e por seus parceiros comerciais.
Entre esses materiais estão terras raras, lítio, cobre, níquel, manganês, grafita, estanho e ouro, todos largamente utilizados em baterias de íons de lítio, ímãs permanentes de turbinas eólicas, cabos elétricos, circuitos eletrônicos, armazenamento de energia, veículos elétricos e equipamentos industriais de alta performance. Também integram a lista fosfato e potássio, fundamentais para a segurança alimentar e para a sustentabilidade do agronegócio, que depende de fertilizantes importados.
O plano delimita 145 áreas prioritárias que serão objeto de estudos detalhados ao longo da década. Essas áreas foram definidas a partir de uma consulta pública que envolveu academia, empresas, governos locais, entidades setoriais e especialistas, resultando em um zoneamento geológico mais participativo e aderente às demandas nacionais.
Previsibilidade para investidores e fortalecimento das políticas públicas
Ao apresentar uma agenda estruturada de projetos, o PlanGEO consolida uma política de Estado contínua, e não de governo, voltada ao desenvolvimento mineral sustentável. Ele estabelece bases técnicas para ampliar a competitividade do país em um mercado global que busca fornecedores confiáveis e estáveis de minerais estratégicos.
O documento também reforça a importância da sinergia entre mapeamento geológico, licenciamento ambiental, infraestrutura de transporte e políticas de financiamento. Quanto mais claras as informações sobre o potencial mineral de cada região, maior a capacidade de atrair investimentos privados e reduzir riscos em todas as etapas da cadeia, desde a prospecção até a produção.
Além disso, os dados produzidos pelo SGB a partir do PlanGEO servirão de insumo para revisões regulatórias, definição de prioridades de pesquisa, programas de incentivo à mineração em regiões específicas e estratégias nacionais de inserção internacional do setor.
Minerais estratégicos e posicionamento global do Brasil
À medida que economias avançadas disputam acesso a minerais críticos, o Brasil reforça sua presença no debate internacional e amplia suas vantagens competitivas. O país já é reconhecido pela diversidade de recursos, estabilidade institucional no setor mineral e pela crescente preocupação com práticas de sustentabilidade e rastreabilidade.
O PlanGEO 2026–2035 conecta o país à nova geopolítica global de minerais, ao fortalecer sua capacidade de mapear, avaliar e comunicar ao mercado a real dimensão de suas reservas e potencialidades. Em um ambiente internacional no qual informação geológica se tornou ativo estratégico, o relatório cumpre papel essencial para consolidar o Brasil entre os principais players do setor, não apenas pela abundância de recursos, mas pela capacidade técnica de planejar seu uso de forma sustentável.
Desenvolvimento sustentável como eixo transversal
A execução do PlanGEO não se limita ao aumento de conhecimento geológico. O MME e o SGB reforçam que o objetivo também é assegurar desenvolvimento econômico e social nas regiões mineradas, criando bases para atividades industriais e cadeias de valor que usem os recursos de forma responsável.
A definição das 145 áreas priorizadas levou em conta fatores ambientais, socioeconômicos e logísticos, o que permitirá que a nova fronteira de exploração se desenvolva alinhada à agenda de sustentabilidade e às metas de redução de emissões.
Ao aprofundar o conhecimento sobre os recursos minerais do país, o governo afirma ter condições mais adequadas para fortalecer políticas públicas, ampliar sinergias com o setor privado e garantir que a mineração brasileira esteja integrada às melhores práticas internacionais.



