Com investimento de R$ 100 milhões, Id.Lab integra rede global da companhia e mira soluções para o pré-sal, combustíveis sustentáveis e redução de emissões
A Galp deu, nesta semana, um dos passos mais significativos de sua trajetória no Brasil. A companhia, hoje a quinta maior produtora de petróleo e gás do país, inaugurou no Rio de Janeiro, em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Id.Lab, um novo centro de pesquisa, tecnologia e inovação voltado à descarbonização e ao desenvolvimento de soluções aplicadas aos seus ativos globais. Com investimento de R$ 100 milhões, o laboratório consolida a presença brasileira da empresa como eixo prioritário de sua estratégia tecnológica.
Localizado no Parque Tecnológico da UFRJ, o Id.Lab surge com a missão de transformar conhecimento científico em aplicações industriais escaláveis, cobrindo toda a cadeia de valor, do upstream ao refino, incluindo captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS), desenvolvimento de combustíveis sintéticos e rotas para combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). É a primeira vez que a Galp instala no Brasil uma infraestrutura de P&D dessa escala, com laboratórios dedicados, equipamentos próprios e uma equipe multidisciplinar formada por cerca de 70 especialistas.
A aposta reflete a confiança da empresa no potencial científico brasileiro e reforça o país como um dos centros estratégicos de inovação da companhia. Ao longo dos últimos 15 anos, o Brasil tem sido campo fértil para avanços tecnológicos ligados ao pré-sal, região onde desafios de profundidade, pressão e composição dos fluidos exigiram soluções inéditas. O Id.Lab chega agora como plataforma para acelerar a próxima onda de inovação, alinhada à transição energética e às metas globais de redução de emissões.
Nova infraestrutura expande parceria com a UFRJ e integra rede global Id.Lab
O Id.Lab instalado no LIPCAT, laboratório de pesquisa da Escola de Química da UFRJ, amplia uma colaboração que já acumula resultados estratégicos. O espaço, agora totalmente remodelado e conectado à rede global de inovação da Galp, concentra projetos de pesquisa em andamento e inaugura uma governança integrada com o Id.Lab de Sines, em Portugal.
A nova fase do laboratório começa com seis projetos estruturantes, entre eles:
• coprocessamento em unidades de refino;
• captura direta de CO₂ para geração de combustíveis sintéticos;
• rotas tecnológicas para SAF;
• soluções de separação e gestão de CO₂ em ativos offshore, fundamentais para destravar reservas ainda não desenvolvidas.
A partir de 2026, o portfólio será ampliado com frentes de pré-tratamento e coprocessamento de matérias-primas biogênicas, expansão de rotas de biocombustíveis e programas integrados para liberar novos recursos do pré-sal, todos alinhados às necessidades operacionais da companhia e aos desafios da transição energética.
O centro ocupa 5 mil m² distribuídos entre laboratórios especializados, áreas de microscopia eletrônica, impressoras 3D industriais, reatores catalíticos para CO₂ e hidrogênio, espectrômetros, plantas-piloto de hidrotratamento e FCC. A escala permite testar soluções em condições próximas às operacionais, encurtando o caminho entre pesquisa e implementação industrial.
Colaboração histórica com a UFRJ gera resultados e projeta novas fronteiras tecnológicas
A parceria entre Galp e UFRJ já rendeu ferramentas aplicadas no pré-sal, como sistemas de inspeção e integridade e o RovScan, solução criada por uma spin-off da universidade e atualmente em fase de industrialização. No refino, outro marco foi a produção das primeiras gotas de combustíveis sintéticos em 2024, um passo importante para a validação de rotas que poderão compor o portfólio futuro da companhia.
Um dos projetos de destaque, o Projeto Fênix, utiliza oxigênio proveniente da eletrólise para otimizar a combustão em unidades FCC, reduzindo emissões e aumentando eficiência. A Galp pretende implementá-lo após a entrada em operação do eletrolisador de 100 MW em Sines, prevista para 2026.
Para o professor João Monnerat, responsável científico pelo Id.Lab, a maturidade da parceria permite acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras. Antes de sua declaração, o laboratório já era citado por especialistas como peça central para conectar academia e indústria de forma eficaz.
“Aqui desenvolvemos tecnologias que impulsionam diretamente os negócios atuais, do upstream ao refino, e abrimos caminhos para novos vetores energéticos, como hidrogênio verde e combustíveis sustentáveis de aviação. O laboratório nos permite ir da bancada ao piloto, sempre com foco em eficiência e redução de emissões”, reforça Monnerat.
Tecnologia como vetor estratégico: Galp mira ativos mais eficientes e com menor intensidade de carbono
Em um contexto de crescente pressão por eficiência e redução de emissões, o Id.Lab brasileiro se destaca como parte essencial da estratégia global da Galp. Antes de comentar essa visão, os executivos da empresa destacaram que muitos ativos hoje classificados como economicamente desafiadores podem se tornar viáveis quando respaldados por tecnologia validada em escala laboratorial e piloto.
O executivo Marco Ferraz, responsável pelo Id.Lab, reforça o potencial do centro de inovação ao afirmar que o desenvolvimento tecnológico brasileiro se tornou um fator estratégico para toda a indústria energética. Segundo o Head of Upstream and Industrial Innovation Center, o foco é na aplicação de soluções que transformam a viabilidade de ativos.
“O desenvolvimento tecnológico feito no Brasil é estratégico não só para o país, mas para toda a indústria energética. O Id.Lab nasce para acelerar essa entrega. Estamos focados em soluções que têm aplicação direta nos ativos onde a Galp atua, do desbloqueio de reservas à redução de custos e emissões. Muitos ativos considerados inviáveis tornam-se viáveis quando existe tecnologia validada e escalável. O laboratório brasileiro reforça exatamente essa capacidade. E, com Sines, criamos um fluxo de transferência tecnológica que permite que essas soluções sejam aplicadas e até licenciadas para outras empresas. É uma plataforma que amplia valor para a Galp, para os consórcios e para o setor como um todo”, ressaltou Ferraz
Já a diretora de inovação da Galp, Ana Casaca, enfatiza que o ritmo acelerado da transição energética exige velocidade na entrega de soluções, algo que, segundo ela, apenas centros integrados como o Id.Lab podem proporcionar. Sua análise reforça a importância da conexão entre a pesquisa científica e a aplicação industrial para a competitividade futura:
“A força do Id.Lab está na capacidade de transformar pesquisa em soluções aplicáveis, rápido o suficiente para acompanhar a velocidade com que o setor de energia está mudando. Ao aproximar a Galp da UFRJ e das equipas de Sines, criamos um ecossistema onde conhecimento acadêmico, exigência industrial e visão de futuro se encontram. Esse laboratório amplia nossa capacidade de testar rotas de baixo carbono, formar talentos e desenvolver tecnologias que vão sustentar a competitividade da empresa na próxima década”, destacou Ana.
Modelo de innovation hub e metas ambiciosas para os próximos anos
A nova estrutura consolida o Id.Lab como um hub de inovação conectado à academia, ao setor produtivo e à rede internacional da Galp. A companhia projeta metas ambiciosas: mais de 20 publicações científicas por ano, cinco novas patentes anuais, expansão das rotas tecnológicas para combustíveis sustentáveis e projetos de descarbonização alinhados aos objetivos globais da empresa.
No médio prazo, o laboratório deverá funcionar como plataforma de transferência de tecnologia e licenciamento, ampliando o impacto das pesquisas para além dos ativos da Galp e fortalecendo o ecossistema de inovação do setor energético.
O movimento consolida a presença científica da empresa na academia brasileira e reforça o compromisso de investir em P&D para construir soluções competitivas para a energia do futuro.



