Alupar avança em projeto de US$ 64 milhões no Chile e reforça presença na transição energética latino-americana

Companhia brasileira submeteu para revisão ambiental o projeto Puerto Flamenco, que prevê a instalação de condensador síncrono no Atacama a partir de 2026.

A Alupar, uma das principais companhias privadas de transmissão de energia na América Latina, anunciou mais um passo estratégico em sua expansão internacional. A empresa submeteu para revisão ambiental o projeto Puerto Flamenco, avaliado em US$ 64 milhões, que prevê a instalação de um condensador síncrono na subestação de Illapa, localizada no distrito de Diego de Almagro, região do Atacama, no Chile.

Com início das obras previsto para abril de 2026, o projeto tem como principal objetivo reforçar a confiabilidade e a segurança do Sistema Elétrico Nacional (SEN) chileno, em uma área crítica para a integração de energias renováveis.

Condensadores síncronos e o papel na transição energética

Os condensadores síncronos são equipamentos essenciais para dar suporte à estabilidade de redes elétricas cada vez mais abastecidas por fontes renováveis variáveis, como solar e eólica.

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Na região do Norte Grande do Chile, onde se concentram vastos parques solares e eólicos, a redução dos níveis de potência de curto-circuito tem se tornado um desafio para o operador de rede. Nesse contexto, o projeto Puerto Flamenco surge como um reforço estratégico.

A Alupar, em seu documento de licenciamento, enfatizou que o projeto visa fortalecer o Sistema Elétrico Nacional (SEN). O objetivo é garantir a operação contínua e segura, fornecendo os níveis de potência de curto-circuito necessários, especialmente na região Norte Grande, que tem sido uma das mais afetadas pela redução desses níveis. A iniciativa, portanto, contribui para a transição energética do país ao mesmo tempo em que assegura a confiabilidade do fornecimento de energia para todos os consumidores.

A empresa ressaltou que a tecnologia utilizada é consolidada no setor. Por ser uma solução madura e comprovada, ela permite maximizar o uso de fontes de energia limpa, mantendo a robustez operacional do sistema atual.

Histórico de licitações e competitividade

O projeto faz parte de uma série de licitações promovidas pelo Coordinador Eléctrico Nacional (CEN), que busca soluções de controle de tensão e suporte de rede para garantir estabilidade diante do rápido crescimento das renováveis.

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No primeiro processo, realizado no ano passado, foram selecionadas empresas para instalar e operar condensadores síncronos em pontos estratégicos do sistema chileno. Os vencedores foram Engie Energía Chile, Transelec Holdings Rentas e o Consórcio Alupar.

Segundo relatório do CEN, a Alupar se destacou ao vencer dois dos cinco projetos licitados: um na barra de conexão Ana María, com capacidade de 1.850 MVA, e outro na barra de conexão Illapa, com 1.493 MVA.

O projeto Puerto Flamenco, agora em análise ambiental, integra esse escopo e reforça a posição da companhia como uma das protagonistas na modernização do setor elétrico chileno.

Expansão internacional e diversificação de negócios

A Alupar já atua em projetos de transmissão e geração no Brasil e em outros países da América Latina, como Colômbia e Peru. A entrada no Chile amplia sua atuação em um mercado que se tornou referência em políticas de transição energética e integração de renováveis.

Com o crescimento acelerado da geração solar e eólica no Atacama, a necessidade de infraestrutura de suporte tem atraído grandes grupos internacionais. Ao conquistar espaço nesse cenário, a Alupar fortalece seu posicionamento como fornecedora de soluções para a nova matriz elétrica da região.

Desafios e próximos passos

Além do projeto Puerto Flamenco, o CEN já estuda abrir novas licitações auxiliares para serviços de controle de tensão, que poderão incluir diferentes tecnologias, ampliando a competitividade do setor.

A expectativa é que o processo de licenciamento ambiental seja concluído ao longo de 2025, permitindo o início das obras em abril de 2026. A entrada em operação deve ocorrer nos anos seguintes, em linha com as metas chilenas de aumentar a participação de renováveis sem comprometer a segurança do sistema.

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