Por que a água da Represa do Guarapiranga está verde?

Por Liliane Frosini Armelin, professora da Escola de Engenharia (EE) na Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM)

No início do século passado, o reservatório Guarapiranga foi construído com o objetivo de gerar energia. Com o crescimento acelerado da capital paulista, passou também a ser utilizado para o abastecimento da cidade. Na época, para a formação da represa, ocorreu o alagamento de uma grande área de baixa declividade, englobando várzeas e trechos de Mata Atlântica, sendo a região, pouco povoada.

Segundo a Sabesp, cerca de 1 milhão de pessoas vivem na região, porém a infraestrutura local não acompanhou este crescimento populacional, apresentando deficiências significativas, especialmente no saneamento básico. A coleta de esgoto não atende a todas as economias resultantes de uma urbanização que ocorreu de forma desordenada, havendo então, pontos de extravasamento de esgoto in natura que acabam sendo despejados diretamente na represa.

O lançamento de esgoto na represa, introduz nutrientes como o nitrogênio e o fósforo, os quais, associados ao clima ameno, abundante luz solar e baixa movimentação das águas, favorecem uma grande proliferação de algas, o que confere uma tonalidade verde à água, além da ocorrência de odores desagradáveis. Esses organismos encontram condições muito favoráveis para estarem no local. O descarte irregular de lixo agrava ainda mais a situação, pois que também contribui com nutrientes.

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Represas tem características semelhantes a um lago, com pouca movimentação da água e limitada inserção de oxigênio, um elemento essencial para a rápida degradação biológica, contribuindo para a manutenção de níveis elevados de nutrientes, favorecendo ainda mais a proliferação de algas.

Para resolver esta questão é necessário reduzir a carga poluidora que chega no reservatório Guarapiranga, proveniente da drenagem da bacia, o que implica na realização de obras de redes coletoras e o seu encaminhamento para uma estação de tratamento. Ademais, a população deve estar consciente da necessidade de ligar as suas casas às redes públicas coletoras, o que nem sempre ocorre, ou porque optam por ter uma solução individualizada que nem sempre funciona adequadamente ou porque, erroneamente, utilizam a rede de drenagem para efetuar os seus despejos.

A Sabesp lançou em 2025, a última etapa do plano voltado a universalização da coleta de esgoto na região com um investimento próximo de 3 bilhões de reais, contendo como principal objetivo a conexão de 90.000 imóveis ao sistema de esgotamento sanitário. Nesse contexto, estabeleceu não apenas a construção de redes coletoras, mas também, estações elevatórias, além da ampliação da estação de tratamento de Barueri para o recebimento desta carga. A previsão de término das obras está em 2029.

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