Copel vê cenário político instável como risco à tramitação das MPs do setor elétrico e alerta para possível ampliação de subsídios

Executivo da companhia defende aprovação mínima dos textos que tratam da tarifa social, critica impacto de vetos à eólica offshore e projeta leilão de potência com demanda superior a 12 GW em 2026

A Copel acredita na aprovação parcial das Medidas Provisórias (MPs) 1.300 e 1.304, que tratam de mudanças estruturais no setor elétrico. No entanto, a companhia paranaense alerta para o risco de que o ambiente político instável leve à inclusão de novos subsídios nas propostas — o que poderia elevar os custos setoriais, desorganizar o planejamento energético e comprometer a previsibilidade regulatória.

“Sabemos como os textos entram no Congresso, mas não temos como prever como sairão. Nossa principal preocupação é que saiam de lá com mais subsídios embutidos, o que tende a deteriorar o ambiente tarifário e gerar insegurança no planejamento técnico”, afirmou Daniel Slaviero, presidente da Copel, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre de 2025, realizada nesta quinta-feira (7).

Segundo Slaviero, os vetos derrubados no Congresso à proposta de regulamentação da eólica offshore são um exemplo recente dos efeitos colaterais de decisões políticas. “Aquele processo resultou em um ambiente pior para as tarifas, para a segurança do suprimento e para o planejamento técnico”, criticou o executivo.

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Aprovação mínima das MPs é considerada necessária por mudança na tarifa social

Embora veja entraves à tramitação completa das MPs, Slaviero destacou que ao menos parte dos dispositivos deve ser aprovada. “A mudança na tarifa social já foi implementada. É algo que precisa ser respaldado por lei. Ainda que seja um escopo mínimo, alguma forma de aprovação será inevitável”, explicou.

O executivo também não descarta a fusão dos textos das MPs em um único projeto durante a tramitação. No entanto, destacou que o cenário político institucional segue “altamente contaminado, controverso e polarizado”, o que afeta diretamente a governança regulatória do setor.

“Esse ambiente tem impactos diretos, desde a nomeação de dirigentes para agências reguladoras até a tramitação de projetos estruturantes para o setor elétrico. Isso compromete a previsibilidade, que é essencial para a atração de investimentos”, avaliou.

Copel se prepara para leilão de potência e aposta em hidrelétricas como diferencial competitivo

A companhia também reiterou seu interesse em participar do próximo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), com a inclusão das usinas hidrelétricas Segredo e Foz do Areia no processo. Segundo Slaviero, trata-se de ativos “robustos e com elevado grau de competitividade” para a oferta de potência firme ao sistema.

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“Estamos diante de uma perspectiva de leilão expressivo, com uma necessidade de potência superior a 12 GW para os próximos anos. Acreditamos que o edital será publicado nas próximas semanas, o que permitirá a realização do certame ainda no primeiro trimestre de 2026”, projetou o presidente da Copel, com base em declarações públicas do Ministério de Minas e Energia (MME).

Volatilidade de preços e MMGD influenciam desempenho da geração e comercialização

O balanço trimestral da Copel evidenciou os impactos da micro e minigeração distribuída (MMGD) sobre os custos da operação. A divisão de Geração e Transmissão registrou aumento de 33% no custo de energia comprada, totalizando um acréscimo de R$ 126,3 milhões, reflexo das compensações da MMGD.

Por outro lado, a área de Comercialização conseguiu aproveitar a volatilidade dos preços no mercado livre. “A partir de setembro de 2024, com o aumento do despacho térmico na ponta da carga, o mercado passou a operar com novos patamares de preço. Isso nos permitiu vender energia para os anos de 2027, 2028 e 2029 com um ágio de cerca de R$ 40 por MWh”, explicou Rodolfo Lima, diretor de Comercialização.

Mesmo assim, Slaviero ressaltou que os volumes já comercializados ainda representam uma parcela pequena do portfólio da companhia. “Temos adotado uma estratégia prudente de comercialização, diluindo os volumes ao longo do tempo. A demanda por potência tende a valorizar ainda mais os preços no médio prazo”, analisou.

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