Inteligência artificial e cibersegurança são apontadas como chaves para modernização do setor elétrico brasileiro

Especialistas e executivas do setor destacam papel da IA para eficiência, sustentabilidade e gestão de riscos, mas alertam para desigualdade tecnológica e necessidade de qualificação profissional

Faltando poucos meses para a COP30, que será realizada em novembro de 2025, em Belém (PA), o setor elétrico brasileiro se mobiliza para discutir soluções que garantam segurança energética, eficiência e justiça climática. A inteligência artificial (IA) e a cibersegurança surgem como dois dos pilares estratégicos para essa transformação, e estarão no centro dos debates do 4º Congresso Brasileiro das Mulheres da Energia, marcado para 25 de agosto, em São Paulo.

O evento, considerado o maior fórum de energia da América Latina com protagonismo feminino, reunirá especialistas, executivas e autoridades do setor para tratar de temas como mobilidade elétrica, armazenamento por baterias e aplicação da IA em operações críticas de geração, transmissão e distribuição.

Segundo a Vice-Presidente de Cibersegurança da Microsoft América Latina, Tania Cosentino, que será uma das palestrantes do evento, o uso da inteligência artificial pode alavancar significativamente o crescimento do país. “Eu vejo a IA como uma grande alavancadora de negócios, uma aceleradora do crescimento econômico nacional e da geração de PIB”, afirma. No entanto, Cosentino também alerta que o avanço tecnológico exige atenção redobrada à segurança digital: “Se eu vou usar mais Inteligência Artificial, com certeza eu vou precisar de mais segurança”.

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Potencial transformador da IA no sistema elétrico

Embora o Brasil possua uma matriz elétrica majoritariamente renovável — responsável por 88% da geração, segundo o Balanço Energético Nacional 2025 —, ainda há desafios estruturais e regulatórios a superar. Nesse contexto, soluções baseadas em IA vêm ganhando espaço, com sensores inteligentes, algoritmos preditivos e sistemas de monitoramento em tempo real sendo implementados para prevenir falhas, detectar perdas, otimizar ativos e melhorar a gestão da rede.

Para Paula Misan Klanberg, C-CEO e cofundadora da Outly e da Electy, a inteligência artificial pode mudar profundamente a experiência do consumidor no setor elétrico. “A inteligência artificial ainda tem muito a evoluir no mercado de energia; seu maior potencial está em melhorar a experiência do consumidor, um diferencial competitivo em um setor onde essa abordagem ainda é pouco explorada”, afirma. Klanberg participará do painel “IA para um Setor Elétrico mais Limpo e Eficiente” no congresso.

Além da eficiência operacional, a IA também tem se destacado na gestão de riscos, tanto operacionais quanto financeiros. “A integração de dados, automação de processos e previsão de cenários abre espaço para uma nova era na geração e distribuição de energia, uma era onde o risco pode ser previsto e controlado com mais precisão”, pontua Gisele Queiroz, Diretora de Riscos Corporativos da Interrisk, outra especialista confirmada para o evento.

Desigualdades regionais limitam avanço da digitalização

Apesar do potencial transformador, a adoção da IA e de tecnologias associadas não ocorre de forma homogênea em todo o território nacional. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023 apenas 0,2% dos domicílios brasileiros estavam sem acesso à energia elétrica — índice que se mantém estável desde 2016. No entanto, na região Norte, especialmente nas áreas rurais, essa taxa ainda é de 4,4%, evidenciando os desafios para a inclusão energética e tecnológica.

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Nesse sentido, a CEO da P15 Educação, Eliza Tannus, defende que a transformação digital deve vir acompanhada de inclusão social e formação humana. “A tecnologia deve ser aliada. Mas o que realmente move o futuro são pessoas engajadas, diversas, colaborativas, e dispostas a aprender sempre”, afirma.

O impacto da digitalização sobre as competências exigidas no setor também é uma pauta relevante. A automação impõe a necessidade de requalificação de profissionais, com foco em habilidades digitais, analíticas e comportamentais. “Na era da IA, o profissional do futuro não é quem sabe tudo, mas quem sabe se reinventar, aprender, desaprender e reaprender será essencial”, ressalta Karina Ribeiro, Head da Universidade Corporativa do Instituto Eldorado, que também participará do congresso.

IA como vetor de uma transição energética justa

Com os olhos do mundo voltados para a COP30, o Brasil tem a oportunidade de posicionar-se como referência na adoção de tecnologias que impulsionem uma transição energética justa e sustentável. O 4º Congresso Brasileiro das Mulheres da Energia propõe justamente essa reflexão, integrando inovação, diversidade e estratégia.

A inteligência artificial, aliada à cibersegurança, aparece não apenas como solução técnica, mas como símbolo de um novo momento para o setor: mais eficiente, resiliente e humano.

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