Geração Distribuída no Brasil ultrapassa 40 GW e projeta R$ 33 bilhões em investimentos em 2025

Com mais de 5 milhões de brasileiros beneficiados, setor prevê 730 mil novas conexões, crescimento de 25% em potência instalada e geração de 242 mil empregos neste ano

A geração distribuída (GD) no Brasil alcançou um marco histórico ao ultrapassar 40,6 gigawatts (GW) de potência instalada em 2025, consolidando-se como um dos principais vetores de transformação do setor elétrico nacional. Os dados, divulgados pela Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) com base em informações da ANEEL de 18 de junho de 2025, indicam um cenário de forte expansão, com projeções otimistas para os próximos meses.

Segundo a ABGD, a expectativa é que o país registre 730.525 novas conexões de geração distribuída em 2025, o que representa um crescimento de 25% na capacidade instalada. A expansão deve atrair investimentos estimados em R$ 33 bilhões e gerar cerca de 242 mil novos empregos diretos e indiretos, impulsionando a economia e promovendo desenvolvimento regional sustentável.

A GD já beneficia diretamente mais de 5 milhões de brasileiros, com destaque para a geração solar fotovoltaica, principal fonte da modalidade. Desde a regulamentação da geração distribuída no país, em 2012, o crescimento do setor foi exponencial, impulsionado por avanços tecnológicos, incentivos regulatórios e maior conscientização sobre sustentabilidade energética.

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Evolução histórica da geração distribuída no Brasil

De acordo com os dados da ANEEL, o número de conexões anuais apresentou crescimento significativo ao longo da última década. Em 2016, o país registrava apenas 6.462 conexões. Esse número saltou para 13.466 em 2017, 36.081 em 2018 e 122.965 em 2019. A partir de 2020, a expansão foi ainda mais expressiva: 226.004 conexões em 2020, 455.569 em 2021, 802.140 em 2022, 689.695 em 2023, e o recorde histórico de 874.790 novas conexões em 2024.

Embora o primeiro semestre de 2025 tenha registrado um número mais moderado, com 369.968 conexões, a projeção da ABGD indica uma retomada robusta no segundo semestre, apoiada pelo aumento na demanda por sistemas próprios de energia, principalmente em áreas residenciais, comerciais e rurais.

Fatores que impulsionam o crescimento

O crescimento da GD é impulsionado por uma série de fatores:

  • Economia na conta de luz: consumidores que geram sua própria energia reduzem significativamente os custos com eletricidade.
  • Segurança energética: a geração descentralizada reduz a sobrecarga nas redes e melhora a confiabilidade do sistema elétrico.
  • Sustentabilidade ambiental: fontes renováveis, como a solar, contribuem para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
  • Inovação tecnológica: avanços em equipamentos, eficiência dos painéis solares e armazenamento de energia ampliam a viabilidade técnica e econômica dos projetos.
  • Financiamento facilitado: linhas de crédito específicas para energia renovável, inclusive via bancos públicos e fintechs, favorecem o acesso de pequenos consumidores.

Perspectivas e desafios regulatórios

Com a promulgação do Marco Legal da Geração Distribuída (Lei nº 14.300/2022), o setor passou a contar com maior segurança jurídica, o que incentivou novos investimentos. O crescimento acelerado da GD também representa um desafio regulatório, principalmente no que diz respeito ao equilíbrio entre os custos da rede elétrica e os benefícios individuais dos geradores distribuídos.

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Nesse contexto, a ANEEL e o Ministério de Minas e Energia (MME) têm atuado para ajustar as regras de compensação de energia, garantir a estabilidade do setor elétrico e incentivar o uso racional e justo da infraestrutura de distribuição.

Para a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD), o avanço da geração distribuída está diretamente relacionado à democratização do acesso à energia renovável. Trata-se de um movimento que une sustentabilidade, eficiência energética e inclusão. A entidade destaca que é fundamental garantir que esse modelo continue crescendo com planejamento e responsabilidade, de modo a ampliar seus benefícios para toda a sociedade brasileira.

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