Certames do LRCAP estão previstos para 2 e 4 de dezembro, com contratos de 15 anos e exigência de descarga por quatro horas; Engemon Energy informa carteira de 149,48 MWh em projetos de armazenamento.
A proximidade dos primeiros Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) voltados a sistemas de armazenamento em baterias começa a movimentar desenvolvedores, integradores e fornecedores de tecnologia no Brasil. Com certames previstos para 2 e 4 de dezembro de 2026, o mercado se organiza para atender aos requisitos dos contratos, que preveem disponibilidade de potência, autonomia mínima de quatro horas e início de suprimento em agosto de 2028.
Os projetos deverão ter potência mínima de 30 MW e contratos com duração de 15 anos. A contratação busca ampliar a flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN), em um cenário de maior participação das fontes eólica e solar e de necessidade crescente de recursos capazes de responder às variações de oferta e demanda.
Integradores estruturam projetos para os leilões
A preparação para os certames envolve estudos de viabilidade, engenharia de detalhamento, soluções de conexão e definição de fornecedores de tecnologia. A Engemon Energy, unidade de negócios do Grupo Engemon, afirma direcionar sua atuação para investidores interessados em participar das disputas.
A empresa informa ter 149,48 MWh em projetos de armazenamento no país, dos quais 82,28 MWh estão em operação e 67,20 MWh em fase de implantação. A carteira reúne aplicações conectadas à rede e sistemas instalados junto às unidades consumidoras, conhecidos como behind-the-meter (BTM).
O diretor comercial da companhia, Ciro Fusaro, afirma que a preparação envolve parcerias com fornecedores e desenvolvimento de soluções para os participantes dos leilões: “Estamos direcionando esforços para o mercado dos leilões de reserva de capacidade com baterias. Em parceria com os principais fornecedores de tecnologia, desenvolvemos estudos e soluções técnicas para apoiar investidores interessados em participar desses certames.”
Projetos industriais e conexão à distribuição
Além da contratação centralizada, o armazenamento tem aplicações no segmento industrial, especialmente para gerenciamento de demanda, redução de custos em horários de ponta e suporte à continuidade operacional.
Entre os projetos citados pela Engemon está um sistema BTM de 16 MWh instalado em uma unidade industrial no interior de São Paulo. A empresa também informa estar finalizando a implantação de um sistema de aproximadamente 60 MWh, conectado em 34,5 kV a uma subestação de distribuição. Nesse caso, a aplicação é voltada ao suporte de tensão e ao alívio de restrições na transformação local.
Para Fusaro, a viabilidade dos sistemas depende das características de cada instalação e das necessidades de operação dos consumidores: “O armazenamento assume um papel cada vez mais estratégico no planejamento energético. Não se trata apenas de armazenar energia, mas de desenvolver soluções que proporcionem flexibilidade, confiabilidade e eficiência, considerando as necessidades específicas de cada operação.”
Sistemas híbridos avançam no agronegócio e na mineração
A combinação de geração solar fotovoltaica e baterias também aparece como alternativa para operações em localidades isoladas ou com limitações de atendimento pela rede elétrica. O modelo pode ampliar a disponibilidade de energia e reduzir a exposição dos consumidores a falhas no suprimento.
Agronegócio e mineração estão entre os segmentos com potencial de aplicação, devido à presença de operações intensivas em energia e, em alguns casos, distantes de infraestruturas robustas de distribuição.
Fusaro aponta a procura por esse tipo de solução em regiões onde a rede das concessionárias não atende integralmente às necessidades das atividades econômicas: “Temos observado uma demanda crescente por soluções híbridas, especialmente nos setores de agronegócio e mineração, em localidades onde a infraestrutura das concessionárias pode não ser suficiente para atender integralmente às necessidades das operações. A combinação entre geração solar e armazenamento pode contribuir para aumentar a disponibilidade de energia e dar mais flexibilidade ao atendimento dessas demandas.”
A expansão dessas aplicações dependerá, entre outros fatores, da estrutura de custos dos equipamentos, das condições de conexão e da viabilidade econômica de cada projeto. No segmento conectado diretamente ao sistema elétrico, os leilões de capacidade representam uma nova frente de contratação para os sistemas de baterias.
Ao avaliar a contribuição da tecnologia para o setor, o executivo destaca a integração do armazenamento à operação do sistema e às necessidades dos consumidores: “O armazenamento terá um papel cada vez mais importante no equilíbrio entre oferta e demanda, na integração das fontes renováveis e no atendimento às necessidades de segurança e flexibilidade do sistema elétrico. A Engemon Energy está preparada para contribuir com esse movimento por meio de soluções de engenharia que atendam tanto às demandas da indústria quanto aos projetos de grande porte do setor elétrico.”


