Projeto no Agreste de Pernambuco combina proteção perimetral, videomonitoramento, sensores e inteligência operacional para reduzir riscos de ocorrências e indisponibilidade
A proteção de grandes usinas fotovoltaicas passou a exigir soluções que combinem detecção, monitoramento e resposta a ocorrências. No Complexo Fotovoltaico Sol do Agreste, em Pernambuco, a estratégia adotada considera uma área de 4,4 milhões de m², com ativos distribuídos e baixa presença humana em parte do empreendimento.
O sistema de segurança eletrônica foi desenvolvido pela Avantia para a Atiaia Renováveis, com implantação iniciada em março de 2025 e concluída no início de 2026. O projeto tem como foco a detecção de intrusões e a integração de diferentes tecnologias de proteção.
Extensão da planta condiciona estratégia
Em usinas solares, a distância entre equipamentos, as características do terreno e a extensão do perímetro dificultam a adoção de uma única tecnologia de monitoramento. No caso do Sol do Agreste, a área equivale a aproximadamente 616 campos de futebol.
O diretor comercial para Área Privada da Avantia, Mário Tranche, destaca que o dimensionamento precisa considerar as características físicas e operacionais de cada empreendimento: “Em parques solares, fatores como extensão territorial, localização, topografia, distância entre equipamentos e áreas de aproximação devem ser considerados no dimensionamento da proteção. Por isso, a estratégia não deve se limitar à instalação de equipamentos, mas contemplar uma arquitetura capaz de apoiar a detecção e a resposta a eventos.”
A abordagem adotada no empreendimento combina diferentes níveis de proteção. O primeiro é formado pela segurança perimetral, responsável por identificar tentativas de violação e gerar os sinais iniciais de alerta.
Câmeras e sensores ampliam cobertura
A segunda camada utiliza videomonitoramento com câmeras fixas e PTZ e, conforme a avaliação de risco, equipamentos térmicos. A combinação amplia a capacidade de identificação de ocorrências em áreas extensas e durante períodos de baixa luminosidade.
Sensores complementares, como radares, podem ser empregados em pontos nos quais a distância entre o perímetro e os equipamentos ou as características topográficas dificultam a cobertura exclusivamente por câmeras.
A arquitetura também incorpora controle de acesso, identificação de veículos, iluminação, comunicação, alarmes e infraestrutura de rede. A integração desses elementos é utilizada para transformar a detecção de um evento em uma ação operacional.
Tranche aponta essa integração como um dos elementos centrais do sistema: “O ponto central, portanto, é que todas essas tecnologias precisam estar conectadas a uma camada de inteligência e operação. Uma câmera isolada apenas registra um evento. Já uma arquitetura integrada é capaz de detectar uma ocorrência, classificá-la, gerar um alerta e, a partir dessas informações, iniciar um protocolo de resposta.”
Furto de cabos pode afetar geração
Além do impacto patrimonial, ocorrências em parques fotovoltaicos podem provocar efeitos sobre a disponibilidade dos ativos. O furto de cabos, por exemplo, pode exigir recomposição da infraestrutura, mobilização de equipes e intervenções elétricas antes da retomada da operação.
A depender do local atingido, o incidente também pode comprometer outros equipamentos e prolongar o período de indisponibilidade da planta. Para empreendimentos de geração, esse intervalo representa potencial perda de receita associada à energia que deixa de ser produzida.
O impacto operacional é apontado por Tranche como uma das razões para ampliar a abordagem de segurança para além da proteção física: “Há ainda efeitos indiretos, como o aumento dos custos de manutenção, possíveis impactos sobre seguros, mobilização adicional das equipes de segurança e de operação e manutenção (O&M), além dos riscos secundários de falhas elétricas e danos a outros componentes da planta. O principal impacto, porém, está na perda de receita durante o período em que os equipamentos permanecem indisponíveis.”
Segurança entra no planejamento do empreendimento
Para a Atiaia Renováveis, a experiência do Sol do Agreste reforça a incorporação da segurança à concepção dos projetos fotovoltaicos, em vez de tratá-la apenas como uma etapa posterior à implantação dos ativos.
O coordenador de Projetos Fotovoltaicos, Engenharia e Construção da companhia, Thiago Breno Silva, relaciona a medida à expansão da geração solar no país: “A experiência na Usina Sol do Agreste reforça uma tendência que ganha importância à medida que o setor solar cresce no país: incorporar a segurança à própria engenharia dos empreendimentos.”
A adoção de sistemas integrados coloca a segurança eletrônica em conexão direta com a continuidade operacional das usinas, especialmente em empreendimentos de grande extensão territorial e com elevada concentração de equipamentos distribuídos pelo terreno.



