Engie obtém licença do Ibama e inicia obra de R$ 2,67 bilhões em transmissão

Novo trecho de 666 quilômetros do Sistema Asa Branca reforçará o SIN e cruzará 37 municípios entre a Bahia e o Espírito Santo

A expansão da infraestrutura de transmissão segue no centro das atenções do setor elétrico brasileiro diante do avanço acelerado das fontes limpas e da necessidade de ampliar a capacidade de interconexão entre as regiões. Nesse cenário, a ENGIE Brasil Energia dá mais um passo na implantação do Sistema de Transmissão Asa Branca ao iniciar formalmente as obras do trecho entre Poções III, Medeiros Neto II, João Neiva II e Viana 2, empreendimento considerado estratégico para o escoamento de carga e o fortalecimento do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A autorização para o início das atividades de engenharia em campo ocorreu após a emissão da Licença de Instalação (LI) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O novo segmento terá aproximadamente 666 quilômetros de extensão e incluirá ampliações substanciais em subestações associadas, conectando os estados da Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.

Integração interestadual e divisão de frentes de trabalho

O empreendimento foi estruturado para mitigar os gargalos provocados pela saturação gradual da infraestrutura de transmissão existente na interface Nordeste-Sudeste. Para otimizar o cronograma de construção, as obras serão executadas simultaneamente em três frentes de trabalho:

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  • Frente 1: Trecho entre Poções III e Medeiros Neto II, com 316 quilômetros;
  • Frente 2: Segmento de Medeiros Neto II até João Neiva II, com 274 quilômetros;
  • Frente 3: Trecho final de João Neiva II até Viana 2, com 76 quilômetros.

Ao todo, o traçado da linha atravessará 37 municípios distribuídos pelos três estados. Na Bahia, o circuito contempla cidades como Poções, Planalto, Itapetinga e Medeiros Neto. Em solo mineiro, o sistema passará por Jacinto e Jordânia. Já no Espírito Santo, a infraestrutura alcançará polos como Nova Venécia, São Mateus, Linhares, João Neiva, Serra e Viana. A expectativa do operador é que a nova estrutura eleve a confiabilidade sistêmica e amplie a flexibilidade operativa do SIN.

Histórico do ativo e impacto socioeconômico

O direito de exploração do Sistema de Transmissão Asa Branca foi arrematado pela ENGIE durante o Leilão de Transmissão nº 1/2023, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em junho daquele ano. Para viabilizar o plano de implantação do projeto, a companhia estima o aporte de R$ 2,67 bilhões em despesas de capital (Capex) e a geração de aproximadamente 4 mil empregos diretos ao longo das obras.

Paralelamente às atividades de montagem eletromecânica e lançamento de cabos, a ENGIE informou que executará os programas mitigatórios vinculados ao licenciamento ambiental conduzido pelo Ibama. O empreendimento já conta com a Declaração de Utilidade Pública (DUP) emitida pelo regulador, o que assegura a celeridade na liberação das faixas de servidão.

Ao detalhar as diretrizes de execução do projeto, o diretor de Implantação da ENGIE Brasil Energia, Paulo Henrique Muller, destacou o cumprimento dos critérios ESG na condução do ativo: “Os projetos da ENGIE são conduzidos com elevados padrões de qualidade, saúde, segurança e responsabilidade socioambiental. Além de fortalecer a infraestrutura energética nacional, buscamos atuar de forma próxima às comunidades, promovendo diálogo, geração de emprego, desenvolvimento regional e respeito ambiental.”

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Consolidação do portfólio de transmissão no país

O avanço das frentes de trabalho do Sistema Asa Branca consolida a estratégia de diversificação de receita da geradora no segmento de fios. A ENGIE opera atualmente mais de 3,2 mil quilômetros de linhas de transmissão no país, controlando os sistemas Gralha Azul (PR), Novo Estado (TO/PA), Gavião Real (PA), o trecho de Graúna (MG/ES), além do primeiro circuito do próprio complexo Asa Branca na Bahia, que soma 334 quilômetros.

Considerando os projetos em fase de desenvolvimento e construção, a empresa contabiliza cerca de 1.400 quilômetros de linhas em andamento regulatório, divididos entre o projeto Graúna (732 km) e esta nova etapa do Asa Branca (666 km), consolidando o grupo entre os principais operadores privados de infraestrutura energética do país.

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