Diretora da ANEEL, Agnes da Costa recebe prêmio internacional em Florença e defende espaço feminino na regulação

Laureada com o LUCE Awards 2026 na Itália, reguladora discute equidade de gênero na administração pública e apresenta avanços do setor elétrico brasileiro em fórum europeu

A representatividade técnica do Brasil nas principais esferas de debate sobre a transição energética global ganhou destaque no cenário internacional. A diretora da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), Agnes da Costa, foi laureada com o LUCE Awards 2026, na categoria Legacy Women. A cerimônia de entrega da honraria ocorreu em Florença, na Itália, consolidando o reconhecimento externo à condução de políticas públicas e marcos regulatórios voltados aos segmentos de energia, clima e sustentabilidade no mercado brasileiro.

A escolha da reguladora para o prêmio internacional deu-se por meio de um processo de votação pública global, que avaliou o conjunto e a solidez de sua trajetória profissional na administração pública. O escopo do Legacy Women concentra-se em homenagear lideranças que utilizaram suas posições e vozes de forma consistente para capitanear reformas estruturais e avanços institucionais ao longo de suas carreiras.

Ao receber a distinção em solo europeu, a diretora da agência reguladora enfatizou o peso institucional que o prêmio carrega para além do mérito estritamente individual: “O mais importante é colocar no centro do debate público a presença das mulheres no setor energético, mostrando que elas existem, são competentes e devem estar nos espaços de decisão.”

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Desafios de carreira na administração pública e equidade de gênero

O prêmio recebido pela diretora está inserido no ecossistema do projeto “Lights on Women”, uma plataforma global criada em 2017 pela renomada Florence School of Regulation (FSR). A iniciativa atua diretamente no fomento à equidade de gênero e na valorização do protagonismo feminino frente aos desafios da descarbonização e da governança climática mundial. Em sua quarta edição, a premiação busca dar visibilidade a arquitetas de soluções inovadoras no desenho de mercados de energia mais inclusivos.

O reconhecimento internacional contrasta com os obstáculos históricos enfrentados por lideranças femininas na escalada até o topo dos órgãos de formulação e controle. Ao traçar um paralelo sobre as barreiras invisíveis de ascensão que marcam o funcionalismo, Agnes da Costa compartilhou um panorama de sua trajetória nos bastidores do planejamento energético: “Ao longo da minha vida profissional, eu via meus colegas sendo convidados para novas posições, tornando-se reguladores, secretários, enquanto eu permanecia como assessora de ministros. Fiquei por 18 anos nessa função, trabalhando com diferentes ministros, e isso me fez refletir sobre como as carreiras evoluem de forma distinta, especialmente para as mulheres.”

Inovação regulatória e compartilhamento de experiências em Florença

A agenda institucional da diretora na Itália estende-se para a seara da cooperação técnica internacional. Agnes da Costa integra a mesa de debates do Regulatory Policy Workshop, também sediado em Florença. O fórum internacional congrega reguladores de alta performance, formuladores de políticas governamentais e especialistas de múltiplos países para debater a modernização de mercados de eletricidade.

A participação da comitiva nacional foca no compartilhamento de soluções aplicadas ao desenho de mercado brasileiro, caracterizado por uma matriz majoritariamente renovável e complexidades geográficas de grande escala. Na oportunidade, a diretora expõe o portfólio de ações de vanguarda da ANEEL, abordando tópicos sensíveis como a inserção de novas tecnologias de armazenamento, a digitalização das redes de distribuição e as reformas estruturais para o empoderamento do consumidor.

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Esse intercâmbio de governança corrobora o papel de relevância técnica desempenhado pelo regulador brasileiro nos colegiados globais. O alinhamento com centros de excelência acadêmica e regulatória, como a Florence School of Regulation, projeta a capacidade do Brasil de exportar modelos de resiliência tarifária e de segurança de suprimento em meio ao avanço da transição energética.

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