Petrobras acelera investimentos no Amazonas com foco em gás natural de Urucu e expansão logística da Transpetro

Plano de R$ 2,8 bilhões até 2030 marca retomada das perfurações onshore na Bacia do Solimões e amplia estratégia de verticalização do transporte de combustíveis

A Petrobras anunciou um novo ciclo de investimentos estratégicos no Amazonas voltado à expansão da produção de gás natural em Urucu e ao fortalecimento da infraestrutura logística fluvial da Transpetro. O pacote prevê aportes superiores a R$ 2,8 bilhões nos próximos cinco anos e reposiciona a estatal em duas frentes consideradas prioritárias: segurança energética da Região Norte e redução da dependência de serviços logísticos terceirizados.

Os investimentos foram formalizados durante cerimônia realizada em Manaus, no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, com participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O plano se divide entre a retomada das perfurações no Polo Urucu, principal ativo terrestre de produção de gás natural do país, e a ampliação da frota logística destinada ao abastecimento de bunker em portos estratégicos brasileiros.

Petrobras retoma perfurações em Urucu após dez anos

A maior parcela dos recursos será destinada ao Polo Urucu, localizado em Coari. A Petrobras investirá R$ 2,5 bilhões na perfuração de novos poços e na implantação de aproximadamente 40 quilômetros de dutos e linhas de fluxo.

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A companhia estima que o projeto elevará em cerca de 4,4 mil barris de óleo equivalente por dia a produção atual do ativo, hoje próxima de 105 mil barris diários. Além do impacto operacional, Urucu mantém papel estratégico para o abastecimento energético da Região Norte, especialmente no suporte ao parque termelétrico amazônico e à distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP).

Ao detalhar a relevância do ativo para a infraestrutura energética regional, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou o peso do gás produzido no Amazonas para o sistema energético nacional: “Esse investimento evidencia o compromisso da Petrobras com o desenvolvimento econômico e social do país. O gás natural de Urucu viabiliza a geração de 65% da energia elétrica consumida em Manaus e em outros cinco municípios. O gás de cozinha (GLP) produzido, em média 80 mil botijões/dia, abastece todos os estados da Região Norte e parte do Nordeste do País. Ou seja, sem a Petrobras os brasileiros dessas duas regiões ficariam sem o suprimento básico de energia.”

Nos bastidores do setor, o movimento é interpretado como uma retomada mais agressiva da estatal no segmento de upstream terrestre, especialmente em ativos considerados estratégicos para garantir estabilidade energética em sistemas isolados e reduzir a dependência de combustíveis mais poluentes, como o diesel.

Expansão do gás mira segurança energética da Amazônia

O planejamento da companhia para a Bacia do Solimões inclui ainda novas soluções logísticas para ampliar a oferta regional de gás natural. A parceria firmada com a Amazônica Energy prevê a entrada em operação de novos projetos a partir de 2028, com potencial adicional de fornecimento superior a 100 mil metros cúbicos por dia.

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A estratégia busca criar novas rotas de liquefação e distribuição em áreas remotas da Amazônia, substituindo gradualmente o consumo de óleo diesel em localidades desconectadas da malha tradicional de infraestrutura energética.

Além do impacto energético, a cadeia de petróleo e gás segue como um dos principais vetores econômicos do Amazonas. Em 2025, a Petrobras respondeu por aproximadamente R$ 1,5 bilhão em tributos e participações governamentais no estado, além de sustentar cerca de 14 mil empregos diretos e indiretos.

Transpetro amplia frota e reduz dependência de afretamentos

O segundo eixo do pacote envolve a expansão da estrutura logística da Transpetro por meio do Programa Mar Aberto. A subsidiária contratou a construção de 18 barcaças no Estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia em um contrato de R$ 303,5 milhões. As embarcações serão utilizadas no transporte e transbordo de bunker em portos estratégicos.

Atualmente, o Sistema Petrobras desembolsa cerca de R$ 300 milhões por ano em contratos de terceiros para operações logísticas desse segmento. O objetivo da companhia é verticalizar parte da cadeia operacional, reduzir exposição à volatilidade dos fretes internacionais e ampliar o controle sobre a distribuição de combustíveis marítimos.

Ao comentar os critérios adotados pela estatal nos novos investimentos, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, reforçou a busca por ganhos sistêmicos: “Quando fazemos esse tipo de investimento, sempre priorizamos os ganhos para o Sistema Petrobras e o impacto positivo no desenvolvimento econômico e social do Brasil”

O pacote inclui ainda a construção de 18 empurradores navais em estaleiros de Santa Catarina, somando investimentos adicionais de R$ 325,3 milhões. As embarcações atuarão em operações de abastecimento em portos como Rio de Janeiro, Santos, Belém, Paranaguá e Rio Grande.

Programa Mar Aberto projeta R$ 34,8 bilhões até o fim da década

A expansão da frota integra uma estratégia mais ampla de renovação logística da Transpetro. O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, afirmou que os novos contratos ampliam a presença da companhia em operações de navegação interior e fortalecem a indústria naval brasileira: “Esses investimentos são essenciais para missão da Transpetro de oferecer cada dia melhores serviços logísticos para os brasileiros. Além disso, abrem novas possibilidades de negócios na navegação de águas interiores para a companhia. E ainda impulsionam a retomada da indústria naval em todo país. A Transpetro já encomendou 52 embarcações, dentro do Programa Mar Aberto, desde o início da nossa gestão. São investimentos de aproximadamente R$ 11,6 bilhões até 2030”

O Programa Mar Aberto prevê, ao todo, a entrega de 96 embarcações até o final da década, totalizando investimentos estimados em R$ 34,8 bilhões em âmbito nacional.

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