Grupo investiu R$ 160,9 milhões em tecnologias de blindagem e recuperou 17,5 mil MWh; ações de combate a fraudes visam reduzir impacto nas revisões tarifárias da Aneel.
O Grupo CPFL Energia revelou um balanço expressivo de suas ações de combate às perdas não técnicas durante o ano de 2025. A partir de um volume superior a 58 mil denúncias realizadas por clientes, as quatro distribuidoras da holding (CPFL Paulista, Piratininga, Santa Cruz e RGE) conseguiram regularizar 16.146 instalações que apresentavam fraudes ou furtos de energia. O esforço operacional resultou na recuperação de 17,5 mil MWh, volume suficiente para abastecer uma cidade de pequeno porte por um ano.
As operações, muitas vezes realizadas em conjunto com autoridades policiais em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná, focaram na identificação de manipulações de medidores e ligações clandestinas. A CPFL Paulista liderou o ranking de regularizações com 6.379 casos, seguida de perto pela gaúcha CPFL RGE, com 6.294 ocorrências solucionadas.
Risco sistêmico e segurança da população
Para além do prejuízo financeiro, o setor elétrico alerta para o risco técnico que as ligações clandestinas impõem à rede de distribuição. Por serem executadas sem qualquer padrão de engenharia ou proteção, essas conexões podem causar sobrecargas nos transformadores locais, resultando em oscilações de tensão e interrupções no fornecimento para clientes regulares.
Ao analisar o impacto dessas práticas na integridade da rede e na segurança das comunidades atendidas, o gerente de Gestão de Energia e Receita do Grupo CPFL, Daniel Carvalho, destaca o papel cívico do denunciante: “Ao fazer uma denúncia, o cliente está ajudando não somente a tornar o fornecimento de energia melhor e mais justo, mas protegendo vidas. É uma ação individual que contribui com a coletividade.”
O impacto no bolso: Revisão Tarifária e Perdas Não Técnicas
Um dos pontos mais sensíveis no combate ao furto de energia é o seu reflexo direto nas tarifas. A regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) prevê que parte das perdas não técnicas seja repassada aos consumidores durante os processos de revisão tarifária, o que significa que o “gato” de um imóvel acaba sendo pago pelos demais usuários da área de concessão.
O executivo da CPFL reforça que a regularização é uma ferramenta fundamental para evitar o encarecimento artificial da conta de luz: “Parte das perdas não técnicas, classificação dos furtos e das fraudes, é considerada nos processos de revisão tarifária da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o que pode encarecer a conta para todos.”
Vale lembrar que o furto de energia é tipificado como crime no Código Penal Brasileiro, com penas que podem chegar a quatro anos de reclusão, além da cobrança retroativa de todo o consumo não registrado e aplicação de multas administrativas.
Investimento em blindagem e monitoramento remoto
Para enfrentar a sofisticação das fraudes, especialmente no segmento industrial e comercial, o grupo destinou R$ 160,9 milhões em 2025 para soluções de blindagem da medição. O aporte foi direcionado à instalação de caixas invioláveis em pontos de reincidência e sistemas de medição coletiva no topo dos postes, dificultando o acesso físico de terceiros aos equipamentos.
No segmento de alta tensão e grandes consumidores, a estratégia foca em conjuntos blindados com tecnologia de monitoramento em tempo real. Sobre a eficiência dessas barreiras físicas e digitais na proteção da receita, Daniel Carvalho conclui: “Essas soluções contribuem para ampliar a segurança das instalações e a confiabilidade dos dados de medição.”
Com esse balanço, a CPFL Energia reafirma que o combate à irregularidade é uma via de mão dupla: depende do investimento contínuo em tecnologia por parte da distribuidora e do engajamento da sociedade na denúncia de práticas que comprometem a qualidade do serviço elétrico nacional.



