Com crescimento de 36% na receita e expansão da capacidade produtiva, companhia reforça liderança no setor de biocombustíveis e avança em projetos de etanol, hidrogênio verde e captura de CO₂
A Be8 encerrou 2025 com um salto relevante em desempenho operacional e financeiro, consolidando sua posição entre os principais players do mercado de biodiesel no Brasil. Impulsionada por uma estratégia agressiva de expansão geográfica e ganho de escala, a companhia atingiu receita líquida de R$ 10 bilhões, crescimento de 36% em relação ao ano anterior.
O avanço também se refletiu nos indicadores de rentabilidade, com EBITDA de R$ 809 milhões, alta de 21,8%, e lucro líquido de R$ 488 milhões. Os resultados constam no Relato Integrado 2025, divulgado pela empresa em sua sede em Passo Fundo, documento que reúne desempenho financeiro, operacional e avanços em práticas ESG.
O movimento ocorre em um contexto de fortalecimento dos biocombustíveis como vetor estratégico da transição energética, especialmente no Brasil, onde políticas públicas e vantagens competitivas agrícolas favorecem a expansão do setor.
Aquisições ampliam capacidade e presença nacional
O crescimento da Be8 foi sustentado por uma série de aquisições estratégicas ao longo de 2025 e início de 2026. A incorporação de plantas em Nova Marilândia, Floriano e Santo Antônio do Tauá, seguida pela aquisição de uma unidade em Alto Araguaia, elevou em 17% a capacidade produtiva da companhia.
Além da expansão física, a empresa reporta ganhos operacionais expressivos. A modernização de processos, aliada à adoção de tecnologias e boas práticas industriais, resultou em aumento médio de 41,22% na produtividade das unidades adquiridas.
O presidente da companhia, Erasmo Carlos Battistella, enfatizou que a capilaridade territorial tem sido o motor para consolidar a hegemonia da marca. “Em 2025, evoluímos de modo significativo em uma das principais diretrizes do nosso plano estratégico, que aponta para uma expansão geográfica da Be8, com o objetivo de consolidar nossa liderança no setor de biodiesel e gerar benefícios por meio de ganhos de escala”, pontuou, referindo-se à incorporação de ativos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
O executivo ainda complementou que o avanço na infraestrutura produtiva projeta a Be8 para um novo patamar de market share e competitividade logística. “Com seis unidades em funcionamento, conquistamos, pela primeira vez, a liderança do setor também em capacidade instalada, que atingirá 1,71 bilhão de litros de biodiesel por ano, e teremos potencial para elevar nossa participação em vendas no mercado nacional para mais de 15%”, detalhou.
Diversificação avança com etanol, alimentos e captura de carbono
Em paralelo à expansão no biodiesel, a Be8 acelera sua estratégia de diversificação de portfólio, com foco em soluções integradas de energia e bioeconomia.
Em Passo Fundo, a companhia avança na construção de uma planta pioneira para produção de etanol, DDGs e glúten vital a partir de cereais como trigo e triticale. A proposta integra a produção de biocombustíveis com a geração de insumos para a indústria alimentícia, ampliando o valor agregado da operação.
O projeto também contempla a captura e comercialização de CO₂ biogênico, em parceria com a Air Liquide Brasil, reforçando o alinhamento com práticas de descarbonização industrial. A visão estratégica por trás da iniciativa foi detalhada pela companhia.
“Essa operação, que será iniciada no final de 2026, pode efetivamente servir como modelo para o Brasil, que ainda explora menos da metade do imenso potencial do seu agronegócio. O país tem a oportunidade de vender produtos com alto valor agregado, indo além do tradicional comércio de commodities, estimulando e dando suporte aos produtores rurais, fomentando uma produção verdadeiramente sustentável, com responsabilidade social e ambiental que gera também ganhos econômicos para todos os elos da cadeia”, destacou Battistella.
Inovação em combustíveis e avanço do hidrogênio verde
Outro eixo relevante da estratégia da Be8 é a inovação tecnológica aplicada à mobilidade e à descarbonização.
O Be8 BeVant®, biocombustível proprietário da companhia, ganhou escala comercial em 2025, com aplicação em diferentes setores industriais e logísticos. Testes realizados indicaram redução de até 99% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao biodiesel B15, no modelo de análise “do tanque à roda”.
A solução foi apresentada globalmente durante o Fórum Econômico Mundial, reforçando o posicionamento internacional da empresa. Além disso, a companhia iniciou um projeto piloto para produção de hidrogênio verde (H2V) voltado ao abastecimento de caminhões extrapesados, com investimento de R$ 29,7 milhões e apoio do governo do Rio Grande do Sul.
A iniciativa inclui a construção de um posto dedicado e integra o programa estadual de desenvolvimento da cadeia de hidrogênio.
Ambiente regulatório e desafios do setor
Apesar do desempenho robusto, o cenário de 2025 também trouxe desafios relevantes. Entre eles, o aumento do custo financeiro e o atraso na implementação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel fóssil.
A entrada em vigor do B15, inicialmente prevista para março, foi postergada para agosto, impactando o planejamento do setor. A leitura da liderança da empresa reforça a importância de previsibilidade regulatória para sustentar investimentos de longo prazo:
“É importante mencionar que todas essas conquistas foram alcançadas em um período que apresentou alterações no cenário comercial. Enquanto o mundo testemunhou mudanças geopolíticas que impactaram o comportamento dos mercados, no Brasil enfrentamos aumento de custos financeiros e atraso no cronograma de aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao óleo diesel. O percentual de 15% (B15), que era previsto para março, entrou em vigor somente a partir de agosto. Diante do ocorrido, ressaltamos a importância de todo o setor empregar esforços para garantir a correta implementação da Lei do Combustível do Futuro, respeitando os prazos pactuados em seu cronograma”, completou Battistella.
ESG, financiamento e posicionamento estratégico
O Relato Integrado 2025 também evidencia avanços relevantes em sustentabilidade e governança. A Be8 elevou para 92% o uso de energia elétrica proveniente de fontes renováveis, reduziu indicadores ambientais em diferentes unidades e conquistou certificações internacionais, como a CARB.
No campo financeiro, a companhia estruturou captações relevantes, incluindo emissões de debêntures que somaram R$ 610 milhões e financiamentos via BNDES, além de operações vinculadas a Créditos de Descarbonização (CBIOs).
Biocombustíveis ganham protagonismo na transição energética
A trajetória recente da Be8 ilustra o papel crescente dos biocombustíveis na matriz energética brasileira, especialmente em segmentos de difícil eletrificação, como transporte pesado e indústria.
Ao combinar escala produtiva, diversificação e inovação tecnológica, a companhia se posiciona para capturar oportunidades em um mercado cada vez mais orientado por metas de descarbonização, segurança energética e eficiência econômica.



