Plano do MME e da EPE aponta expansão robusta do setor energético, protagonismo de petróleo e gás e desafios para uma transição energética justa e competitiva
O Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) avançaram na consolidação do planejamento energético nacional com a divulgação dos cadernos técnicos do Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035). Os documentos “Meio Ambiente e Energia” e “Consolidação de Resultados” estabelecem as diretrizes para a expansão da infraestrutura energética brasileira na próxima década, com foco em crescimento econômico aliado à sustentabilidade.
O PDE 2035 se posiciona como peça-chave na estruturação do Plano Nacional de Transição Energética, orientando decisões de investimento e políticas públicas em um cenário de transformação da matriz energética global.
Matriz elétrica deve atingir 86% de fontes renováveis
As projeções do plano reafirmam a posição do Brasil entre os países com maior participação de fontes limpas no mundo. A expectativa é que as energias renováveis representem cerca de metade da oferta interna de energia até 2035.
No segmento elétrico, o cenário é ainda mais expressivo: a participação de fontes renováveis deve alcançar aproximadamente 86%, impulsionada pela expansão de fontes como hidrelétrica, eólica, solar e biomassa.
Os dados apresentados no caderno de “Consolidação de Resultados” detalham a evolução da matriz elétrica, o crescimento da oferta interna de energia e indicadores como geração per capita, elementos fundamentais para o planejamento de longo prazo do setor.
Investimentos bilionários e protagonismo de petróleo e gás
O PDE 2035 estima um volume total de investimentos da ordem de R$ 3,5 trilhões entre 2026 e 2035, refletindo a magnitude da transformação energética em curso no país.
A maior parcela desses recursos, cerca de R$ 2,8 trilhões, será destinada ao segmento de petróleo e gás, especialmente em atividades de exploração e produção (E&P). O dado evidencia que, mesmo em um cenário de transição energética, os combustíveis fósseis ainda desempenham papel relevante na segurança energética e na geração de receitas.
No setor elétrico, os aportes previstos somam aproximadamente R$ 600 bilhões, com foco na expansão da geração e da transmissão. Já o segmento de biocombustíveis deve atrair cerca de R$ 115 bilhões, com destaque para o etanol como vetor de descarbonização no setor de transportes.
Expansão energética pressiona agenda climática
O avanço projetado pelo PDE 2035 traz consigo desafios relevantes no campo ambiental. De acordo com o caderno “Meio Ambiente e Energia”, o setor energético foi responsável por 21% das emissões líquidas de gases de efeito estufa no Brasil em 2022.
A expansão da atividade econômica tende a elevar o volume absoluto de emissões nos próximos anos. Ainda assim, o plano destaca que as emissões per capita devem permanecer relativamente baixas em comparação internacional, sustentadas pela elevada participação de fontes renováveis na matriz.
Esse equilíbrio entre crescimento e sustentabilidade é um dos principais eixos do planejamento energético brasileiro, exigindo políticas públicas integradas e soluções tecnológicas inovadoras.
Transição energética justa entra no centro do debate
O PDE 2035 também incorpora o conceito de transição energética justa, reconhecendo a necessidade de conciliar desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação ambiental.
Entre as prioridades destacadas estão a adaptação às mudanças climáticas, a preservação da biodiversidade e a gestão eficiente dos recursos hídricos. O plano também aponta oportunidades relevantes, como o aproveitamento de resíduos para geração de energia, tanto em projetos de geração distribuída quanto centralizada.
Outro ponto estratégico é a otimização de infraestruturas já existentes, reduzindo custos e acelerando a implementação de soluções de baixo carbono no sistema energético nacional.
Participação social e construção de consenso
O governo federal mantém abertas as consultas públicas do PDE 2035 e do Plano Nacional de Energia 2055 até o dia 29 de março, permitindo a contribuição de agentes do setor e da sociedade civil.
As contribuições podem ser realizadas por meio dos canais oficiais do MME e da plataforma Participa + Brasil, reforçando o caráter participativo do planejamento energético.
O processo é considerado fundamental para o alinhamento com a Política Nacional de Transição Energética (PNTE) e para a construção de um modelo energético resiliente, competitivo e sustentável.
Brasil busca equilíbrio entre segurança energética e descarbonização
O PDE 2035 evidencia que o Brasil seguirá adotando uma estratégia híbrida, combinando a expansão de fontes renováveis com a manutenção de ativos fósseis estratégicos. Essa abordagem reflete a necessidade de garantir segurança energética, previsibilidade de oferta e competitividade econômica.
Ao mesmo tempo, o avanço das renováveis e dos biocombustíveis reforça o compromisso com a descarbonização e posiciona o país como um dos protagonistas globais na transição energética.
O desafio, a partir de agora, será transformar as projeções do plano em execução efetiva, garantindo que os investimentos previstos se traduzam em infraestrutura, inovação e crescimento sustentável.



