Parceria estratégica, com apoio da Rosatom, fortalece desenvolvimento científico, formação de especialistas e infraestrutura nuclear para fins pacíficos nos países árabes
A Agência Árabe de Energia Atômica (AAEA) e o Centro Internacional de Pesquisa do Reator MBIR formalizaram, em 18 de fevereiro de 2026, um acordo de cooperação estratégica voltado ao desenvolvimento da ciência e das tecnologias nucleares para fins pacíficos nos países árabes. A iniciativa conta com o apoio da Rosatom, por meio de sua subsidiária regional Rosatom Middle East and North Africa.
O entendimento amplia o acesso dos países árabes ao Reator MBIR, considerado o mais potente reator de pesquisa do mundo em sua categoria, e estabelece bases para cooperação científica, formação de especialistas, desenvolvimento regulatório e implementação de projetos nucleares com aplicações pacíficas.
O acordo foi firmado por Salem Hamdi, diretor-geral da AAEA, e Vasily Konstantinov, diretor-geral da IRC MBIR LLC, consolidando um diálogo institucional que já vinha sendo construído nos últimos anos. A AAEA integra o Conselho Consultivo do Centro Internacional de Pesquisa do MBIR, reforçando o caráter estruturante da parceria.
Estratégia árabe para uso pacífico da energia nuclear
Durante a cerimônia de assinatura, Salem Hamdi destacou o alinhamento da iniciativa com os objetivos regionais de expansão do uso pacífico da energia atômica.
Hamdi afirmou que o acordo representa um avanço concreto na execução da Estratégia Árabe para o Uso Pacífico da Energia Atômica. Segundo ele, a parceria cria instrumentos práticos para acelerar projetos prioritários da região e fortalecer competências essenciais de pesquisa e desenvolvimento.
Entre os eixos prioritários, o diretor-geral da AAEA mencionou a criação de um sistema regional de gestão de resíduos radioativos, considerado estratégico para garantir segurança ambiental e conformidade regulatória. O acesso ao MBIR também deverá ampliar pesquisas voltadas ao desenvolvimento e à produção de radiofármacos para diagnóstico e tratamento de doenças oncológicas.
A cooperação prevê ainda reforço na formação de especialistas para o futuro Centro Árabe Especializado de Treinamento e para países que iniciam programas de construção de usinas nucleares, além de contribuir para o aprimoramento do arcabouço regulatório nos Estados-membros.
Ampliação da participação internacional no Projeto MBIR
Konstantinov afirmou que o acordo amplia a participação estrangeira no Projeto MBIR. Segundo ele, trata-se do mais potente reator de pesquisa do mundo e também o mais potente em sua categoria, oferecendo capacidades únicas para projetos inovadores nas áreas de engenharia energética, medicina nuclear e tecnologias industriais. Ele acrescentou que a cooperação contribuirá para a formação de engenheiros e cientistas, para o avanço de projetos estratégicos nas áreas de energia, segurança alimentar e melhoria da qualidade de vida, e para o desenvolvimento sustentável dos países árabes.
O movimento reforça a estratégia da Rosatom de internacionalização de suas plataformas tecnológicas, não apenas na construção de usinas nucleares, mas também no fornecimento de infraestrutura de pesquisa e desenvolvimento de ponta.
O que é o reator MBIR e por que ele é estratégico
O MBIR é um reator de pesquisa multifuncional de nêutrons rápidos, refrigerado a sódio, com potência térmica de aproximadamente 150 MW. Está em construção em Dimitrovgrad, nas instalações do Instituto de Pesquisa de Reatores Atômicos, integrante da divisão de Pesquisa e Desenvolvimento da Rosatom.
O projeto integra o programa nacional russo de liderança tecnológica em novas tecnologias nucleares e energéticas, com foco em reatores avançados e sistemas de ciclo fechado do combustível nuclear.
Entre 2025 e 2026, foram concluídas etapas relevantes da instalação de equipamentos do circuito primário, incluindo filtros-armadilhas do sistema de remoção de calor de emergência, soldagem de adaptadores de tubulação ao vaso do reator, instalação de equipamentos no edifício de armazenamento de sódio e a colocação de dois permutadores de calor de emergência, cada um com 7,3 toneladas. Também foram entregues o mecanismo de manuseio de combustível e sistemas de lavagem a vapor-água para conjuntos combustíveis irradiados.
Quando entrar em operação, o MBIR será utilizado para testes em sistemas nucleares, produção de radioisótopos, desenvolvimento de materiais modificados e validação de novos equipamentos e tecnologias. As expectativas são de que suas capacidades acelerem o desenvolvimento de soluções para sistemas nucleares de dois componentes, ciclo fechado do combustível nuclear e projetos de reatores avançados de Geração IV.
Impactos para o cenário nuclear internacional
Para os países árabes, o acesso ao MBIR representa a possibilidade de encurtar curvas de aprendizado tecnológico, fortalecer infraestrutura de pesquisa nuclear e elevar padrões regulatórios, especialmente em um momento em que diversas nações da região estudam expandir ou iniciar programas nucleares civis.
Em um contexto global de transição energética, descarbonização e busca por segurança energética, a energia nuclear volta ao centro das estratégias de longo prazo. Parcerias como a firmada entre a AAEA e o consórcio do MBIR reforçam a importância de infraestrutura de pesquisa avançada para sustentar projetos de usinas nucleares, medicina nuclear e aplicações industriais de alta complexidade.
Ao combinar cooperação científica, formação de recursos humanos e desenvolvimento tecnológico, o acordo posiciona o MBIR como uma plataforma internacional para inovação nuclear, e amplia a presença da Rosatom no ecossistema global de energia atômica para fins pacíficos.



