ONS reduz projeção de armazenamento no SE/CO e acende alerta para ritmo das afluências em fevereiro

Reservatórios devem encerrar o mês com 57,3% da capacidade, enquanto ONS revisa para baixo as previsões de chuvas no Sudeste, Sul e Norte

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou levemente para baixo as projeções de armazenamento dos reservatórios das usinas hidrelétricas do subsistema Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO), principal polo de estocagem de energia do país. Segundo boletim divulgado nesta sexta-feira, o nível esperado ao fim de fevereiro passou a ser de 57,3% da capacidade, queda de 1,1 ponto percentual em relação à estimativa da semana anterior.

A revisão ocorre em um contexto de ajuste nas projeções de afluências para praticamente todos os subsistemas, com exceção do Nordeste. A leitura do ONS reforça a necessidade de atenção ao comportamento hidrológico nas próximas semanas, especialmente em um período crítico para a recomposição dos reservatórios antes do início do período seco.

Menor volume de chuvas no Sudeste, Sul e Norte

No mesmo boletim, o ONS reduziu as previsões de chuvas que devem chegar aos principais reservatórios do país em fevereiro. Para o subsistema Sudeste/Centro-Oeste, a expectativa passou de 91% para 85% da média histórica. No Sul, a revisão foi de 46% para 42%, enquanto no Norte o indicador recuou de 71% para 67% da média.

- Advertisement -

Os dados indicam um cenário de afluências abaixo da normalidade climatológica em três dos quatro subsistemas, o que tende a limitar a recuperação dos níveis de armazenamento, especialmente no SE/CO, que concentra cerca de 70% da capacidade de regularização do Sistema Interligado Nacional (SIN).

A redução nas previsões de chuvas reflete, segundo agentes do setor, a persistência de padrões atmosféricos menos favoráveis à formação de volumes expressivos de precipitação, em um contexto de elevada variabilidade climática e maior frequência de eventos extremos.

Nordeste segue como exceção positiva

A única região com perspectiva de desempenho hidrológico acima da média é o Nordeste, que deve registrar 103% da média histórica de afluências em fevereiro, ligeiramente acima dos 102% estimados na semana anterior.

Embora o subsistema nordestino tenha menor capacidade de armazenamento em comparação ao SE/CO, o resultado positivo contribui para reduzir a pressão sobre o despacho térmico e reforça a segurança energética regional, especialmente em um período de elevada participação de fontes intermitentes como eólica e solar.

- Advertisement -

O comportamento das afluências no Nordeste também tem sido favorecido por padrões meteorológicos mais consistentes, com volumes de chuva mais regulares em bacias estratégicas para a geração hidrelétrica.

Carga de energia também é revisada para baixo

Além das projeções hidrológicas, o ONS também revisou levemente a expectativa para a carga de energia elétrica no país em fevereiro. A previsão atual indica um consumo médio de 87.482 megawatts (MW médios), o que representa uma queda de 1,8% em relação a fevereiro de 2025. Na semana anterior, a retração estimada era de 1,7%.

A revisão reflete uma combinação de fatores, incluindo temperaturas menos extremas do que o inicialmente previsto em algumas regiões, ajustes na atividade industrial e comportamento mais moderado do consumo residencial.

Apesar da retração pontual, especialistas avaliam que o patamar de carga segue estruturalmente elevado, sustentado pelo crescimento de segmentos como data centers, serviços digitais e eletrificação de processos produtivos.

Implicações para a operação do sistema

A combinação de menores afluências e níveis de armazenamento mais contidos exige atenção redobrada do ONS na gestão da operação do SIN, especialmente no que diz respeito à definição da estratégia de despacho das usinas térmicas e ao uso dos intercâmbios entre subsistemas.

Com os reservatórios do SE/CO em torno de 57%, o sistema ainda opera dentro de uma zona considerada confortável, mas distante dos níveis ideais para enfrentar com tranquilidade um período seco mais prolongado. Em cenários de continuidade de chuvas abaixo da média, a tendência é de maior acionamento térmico e, potencialmente, aumento dos custos operacionais e do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD).

O quadro reforça, mais uma vez, a centralidade da agenda de segurança energética, diversificação da matriz e expansão de fontes complementares, como armazenamento, geração distribuída e reforços em transmissão, para mitigar a crescente exposição do sistema aos riscos climáticos.

Destaques da Semana

São Paulo mira economia de R$ 830 milhões com migração em massa para o Mercado Livre

Plano prevê levar 1,2 mil prédios públicos ao ACL...

Bancada do PT quer nova estatal para atuar no mercado de GLP e logística

Projeto liderado por Pedro Uczai autoriza criação de novas...

CCEE enquadra Tradener em operação balanceada e reforça monitoramento no mercado de energia

Decisão amplia controle sobre contratos e exposição financeira do...

ANEEL propõe endurecer regras da geração distribuída e abrir caminho para corte remoto de MMGD

Consulta pública amplia poder das distribuidoras, prevê auditorias obrigatórias...

Artigos

Últimas Notícias