Debêntures complementam investimento na maior termelétrica a gás da América Latina, instalada no Porto do Açu, com 1.672,6 MW de potência
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a gestora Kinea anunciaram um novo aporte de peso no setor elétrico brasileiro ao adquirirem, em partes iguais, R$ 750 milhões em debêntures emitidas pela GNA II Geração de Energia S.A. A operação, que destina R$ 375 milhões para cada investidor, complementa a estrutura de financiamento da Usina Termelétrica (UTE) GNA II, localizada no Porto do Açu, no norte fluminense, e consolida o empreendimento como peça-chave para a segurança do suprimento energético nacional.
Os recursos serão utilizados para finalizar o investimento total do projeto, que já havia contado com financiamento direto do BNDES no valor de R$ 3,93 bilhões, aprovado em novembro de 2020. Com entrada em operação comercial em maio de 2025, a usina integra, junto com a GNA I, o Complexo Termelétrico do Porto do Açu, hoje o maior parque termelétrico a gás natural da América Latina.
Termelétrica estratégica para o sistema elétrico
A UTE GNA II opera em ciclo combinado e possui capacidade instalada de 1.672,6 MW, volume suficiente para atender uma parcela relevante da carga do Sistema Interligado Nacional (SIN), especialmente em momentos de escassez hídrica ou de menor geração das fontes renováveis variáveis, como eólica e solar.
Além de seu papel sistêmico, o empreendimento teve forte impacto econômico regional durante sua fase de implantação, com a geração de aproximadamente 22 mil empregos diretos e indiretos, consolidando o Porto do Açu como um dos principais hubs energéticos do país.
Gás natural, hidrogênio e transição energética
Ao detalhar o racional do investimento, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, ressaltou que o projeto está alinhado à estratégia de política energética do governo federal e incorpora elementos de transição tecnológica.
“O projeto aprovado pelo BNDES integra a estratégia do governo do presidente Lula de desenvolver e garantir a segurança de abastecimento do sistema elétrico nacional. Além disso, essa usina foi projetada para operar com até 50% de hidrogênio em substituição ao gás natural e para utilizar água do mar, por meio de dessalinização, preservando os recursos hídricos”, explica.
O desenho tecnológico da planta permite, no futuro, a redução progressiva da intensidade de carbono da geração térmica, ao incorporar misturas de hidrogênio verde ao combustível, além de mitigar impactos ambientais ao não utilizar água doce no processo industrial.
Aposta da Kinea em infraestrutura energética
Do lado privado, a Kinea realizou o aporte por meio de sua vertical de crédito de infraestrutura, mirando a previsibilidade de receitas e a maturidade operacional do ativo. O sócio e gestor de infraestrutura da Kinea, Aymar Almeida, destacou os fundamentos financeiros do projeto.
“É um investimento em um projeto operacional, com garantias reais, fluxo de caixa previsível e sócios robustos. A operação possui impacto direto na economia real e está alinhada com a nossa estratégia de investimentos”, afirmou.
A participação da gestora reforça o crescente apetite do mercado de capitais por ativos de energia, especialmente aqueles associados à segurança do sistema elétrico e à expansão da infraestrutura de gás natural no país.
Complexo do Açu e o papel do gás no SIN
Com a consolidação da GNA II, o Complexo Termelétrico do Porto do Açu se firma como um dos principais polos de geração térmica do Brasil, exercendo função complementar às fontes renováveis e hidrelétricas. Em um contexto de transição energética, o gás natural vem sendo tratado como combustível de transição, capaz de garantir flexibilidade operativa ao sistema enquanto novas soluções de armazenamento e hidrogênio avançam.
O novo aporte do BNDES e da Kinea evidencia que, apesar do crescimento acelerado das renováveis, grandes projetos térmicos continuam ocupando posição estratégica no planejamento energético brasileiro, sobretudo para assegurar confiabilidade, estabilidade e modicidade tarifária no longo prazo.



