Setor cresce 55% em 12 meses e consolida sua força entre empresas de todos os portes, com destaque para indústria e comércio, segundo dados da Abraceel
O mercado livre de energia elétrica alcançou um marco histórico em julho de 2025. De acordo com o Boletim da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), o consumo no segmento ultrapassou 31 mil megawatts médios (MWm), o equivalente a 46% de toda a eletricidade consumida no Brasil.
O resultado confirma a rápida expansão de um modelo que se consolida como protagonista na modernização do setor elétrico e na promoção da competitividade empresarial.
Expansão acelerada e diversificação de consumidores
O levantamento da Abraceel mostra que o mercado livre reúne atualmente 79.572 unidades consumidoras, um crescimento de 55% em apenas 12 meses. Foram 28.183 novos consumidores que optaram por deixar o mercado regulado, no qual a energia é fornecida exclusivamente pelas distribuidoras, para contratar diretamente seus fornecedores.
A migração é liderada pelo setor industrial, que já responde por 94% do consumo total no mercado livre. O comércio também apresenta adesão expressiva, representando 45% do consumo, enquanto o saneamento básico cresceu 24% e o setor de serviços teve alta de 21% no mesmo período.
Entre os estados que mais consomem energia no ambiente livre, destacam-se Minas Gerais (58%), Pará (57%) e Paraná (53%), demonstrando que a abertura do mercado avança tanto em regiões industriais quanto em polos emergentes de novos negócios.
Democratização e maturidade do setor elétrico
Para especialistas, o avanço expressivo do mercado livre não se deve apenas à busca por economia, mas também à democratização do acesso à energia e à possibilidade de planejamento estratégico de consumo.
“Os dados do boletim reforçam como o mercado livre democratiza o acesso à energia. Pequenas e médias empresas, que antes não tinham alternativas além das distribuidoras, hoje podem contratar energia de forma estratégica, previsível e alinhada às suas metas de sustentabilidade e redução de custos. Estamos diante de um novo patamar de maturidade no setor”, destaca Alan Henn, CEO da Voltera.
O movimento reflete uma mudança estrutural no modo como o consumidor corporativo lida com energia, deixando de ser um agente passivo para se tornar protagonista na gestão de seus custos e impactos ambientais. Essa tendência deve se intensificar com a ampliação do acesso para consumidores residenciais e pequenos negócios, prevista para os próximos anos com a plena abertura do mercado.
Liquidez e eficiência econômica impulsionam o mercado
Além do aumento de consumidores, o mercado livre também apresenta maior liquidez nas negociações. Em julho, cada megawatt médio (MWmed) foi comercializado 5,68 vezes antes da entrega ao consumidor final, totalizando 178.777 MWm transacionados no mês. Isso corresponde a 79% de toda a energia negociada no país, um avanço de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse dinamismo reforça a confiança dos agentes e a capacidade do modelo em promover eficiência e transparência nas transações de energia, elementos fundamentais para sustentar o crescimento sustentável do setor.
Economia de até 48% atrai empresas para o mercado livre
O fator econômico continua sendo um dos principais atrativos. Enquanto a tarifa média do mercado regulado atingiu R$ 390/MWh, o preço médio de longo prazo no mercado livre foi de R$ 203/MWh em julho, uma economia média de 48% para quem optou por negociar sua energia.
Essa diferença expressiva reforça o papel do mercado livre como ferramenta de competitividade empresarial. Empresas com gestão ativa de energia conseguem não apenas reduzir custos operacionais, mas também alavancar investimentos em eficiência energética, geração distribuída e sustentabilidade corporativa.
Um novo patamar de competitividade energética
Para Alan Henn, o desempenho recente confirma que o mercado livre de energia deixou de ser uma promessa e se tornou realidade consolidada no setor elétrico brasileiro.
“O mercado livre deixou de ser uma tendência futura para se consolidar como o presente do setor elétrico brasileiro. A velocidade do crescimento mostra que empresas de todos os portes perceberam que a gestão ativa da energia não é apenas uma forma de economizar, mas também um diferencial competitivo”, conclui Henn.
A expansão do mercado livre reforça a transição do Brasil para um ambiente energético mais aberto, competitivo e sustentável, no qual consumidores e fornecedores compartilham responsabilidades e oportunidades em torno de um objetivo comum: a eficiência e a modernização do sistema elétrico nacional.



