Setor de energia avança para a “era inteligente” com inteligência artificial integrando dados e impulsionando a transição energética

Podcast da Capco reúniu representantes da Vibra Energia, Foresea e PUC-Rio para debater como a IA já transforma manutenção, supply chain e redução de emissões, abrindo caminho para um setor mais eficiente, competitivo e sustentável

A inteligência artificial (IA) deixou de ser apenas uma promessa de inovação para se tornar um pilar estratégico no setor de energia e óleo e gás. De manutenção preditiva a gêmeos digitais, passando por modelagem preditiva e redução de emissões, a tecnologia vem revolucionando a forma como empresas operam, aumentando a eficiência e reduzindo custos.

O tema foi debatido na mais recente edição do Capco Talks, podcast da consultoria global Capco disponível em seu canal no YouTube. O episódio reuniu Matteo Cervelli, head de Open Innovation da Vibra Energia; Isaac Florencio, gerente de Engenharia de Suporte da Foresea; Evelyn Batista, pesquisadora da PUC-Rio; e teve mediação de Diogo Santos, head de Inovação da Capco Brasil.

IA como integradora da transformação energética

Abrindo a conversa, Matteo Cervelli destacou que a IA é peça-chave para acelerar a mudança de paradigma no setor.

- Advertisement -

“A transformação energética pode ser resumida nos quatro Ds: descarbonização, descentralização, digitalização e democratização. Nesse contexto, a IA atua como o grande integrador, conectando dados de múltiplas fontes e auxiliando a sociedade a tomar decisões mais rápidas e assertivas. Estamos entrando na era da energia inteligente”, afirmou o executivo da Vibra Energia.

O uso de IA permite cruzar informações em tempo real e oferecer insights estratégicos para operadores e gestores, aumentando a capacidade de resposta a eventos críticos e a eficiência das operações.

Gêmeos digitais e drones tornam operações mais seguras

Entre as aplicações práticas, universidades e centros de pesquisa desempenham papel central no desenvolvimento de soluções que saem do ambiente acadêmico e chegam ao mercado. A pesquisadora Evelyn Batista, da PUC-Rio, explicou como essas tecnologias já estão sendo aplicadas:

“Projetos de gêmeos digitais, drones para inspeção de linhas de transmissão e modelos preditivos baseados em dados satelitais já estão em uso. Essas tecnologias permitem simulações complexas e antecipação de falhas, reduzindo custos e riscos”, destacou.

- Advertisement -

Os gêmeos digitais, por exemplo, possibilitam a criação de réplicas virtuais de ativos e processos, permitindo testes e análises sem interferir em operações reais, enquanto drones ampliam a segurança em inspeções em locais de difícil acesso.

Potencial econômico bilionário

Além dos ganhos em eficiência e segurança, a IA também representa um enorme potencial econômico. Segundo dados da PwC, a tecnologia pode adicionar até US$ 15,7 trilhões à economia global até 2030, valor superior ao PIB combinado da China e da Índia. Desse total, US$ 6,6 trilhões devem vir do aumento de produtividade, resultado da automação, análise de dados em larga escala e novas formas de colaboração entre humanos e máquinas.

No setor de óleo e gás, caracterizado por operações complexas e de alto risco, a IA já mostra resultados concretos. Isaac Florencio, da Foresea, relatou a importância do uso de dados para otimizar processos críticos.

“Coletamos milhões de dados por ano em operações de perfuração. A IA é essencial para cruzar essas informações com procedimentos operacionais e transformar dados em valor real”, afirmou.

Ao permitir análises rápidas e precisas, a tecnologia contribui para reduzir custos, prevenir falhas e aumentar a segurança operacional, fatores essenciais em um mercado cada vez mais competitivo.

Inovação aberta impulsiona a transição energética

Para Diogo Santos, da Capco Brasil, a IA também cria oportunidades para novos modelos de colaboração entre empresas, universidadese startups.

“Projetos de inovação aberta, que unem empresas, universidades e startups, já mostram como ciência e tecnologia podem caminhar juntas para transformar o setor. Esse modelo favorece a competitividade, a inclusão e a formação de novos talentos”, destacou.

Essa aproximação entre setor privado, academia e startups é vista como essencial para acelerar a transição energética e estimular o desenvolvimento de soluções sustentáveis em larga escala.

Futuro inteligente e sustentável

Encerrando o debate, Matteo Cervelli reforçou que a convergência entre IA e energia representa um movimento estratégico de longo prazo, alinhado aos compromissos globais de descarbonização e eficiência.

“Estamos diante de um novo paradigma, no qual dados, tecnologia e pessoas se conectam para acelerar a transformação do setor energético. O futuro da energia será cada vez mais inteligente, eficiente e sustentável”, concluiu.

Destaques da Semana

CCEE enquadra Tradener em operação balanceada e reforça monitoramento no mercado de energia

Decisão amplia controle sobre contratos e exposição financeira do...

São Paulo mira economia de R$ 830 milhões com migração em massa para o Mercado Livre

Plano prevê levar 1,2 mil prédios públicos ao ACL...

Bancada do PT quer nova estatal para atuar no mercado de GLP e logística

Projeto liderado por Pedro Uczai autoriza criação de novas...

Enel SP: Indenização por caducidade pode chegar a R$ 15 bilhões e ANEEL estuda licitação

Agência Nacional de Energia Elétrica projeta impacto bilionário com...

Artigos

Últimas Notícias