Câmara vota ampliação da Tarifa Social de Energia Elétrica com foco em famílias de baixa renda

Medida Provisória garante gratuidade de até 80 kWh por mês para consumidores vulneráveis, mas debate sobre abertura do mercado de energia e impactos tarifários fica para outro projeto

A Câmara dos Deputados vota nesta quarta-feira (10), em Brasília, a Medida Provisória (MP) 1.300/2025, que amplia a Tarifa Social de Energia Elétrica (TSEE) e estabelece a isenção no consumo de até 80 kWh mensais para famílias de baixa renda. A medida, considerada essencial para aliviar os custos de milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade, precisa ser aprovada até o dia 17 de setembro pelo Congresso Nacional para não perder validade.

O texto original, encaminhado pelo governo federal, continha dispositivos mais amplos, envolvendo a abertura do mercado de energia, cortes de produção e medidas estruturais para o setor elétrico. No entanto, o relator da proposta na comissão mista, deputado Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), optou por retirar esses trechos, concentrando o parecer exclusivamente no tema da tarifa social.

“Os demais pontos serão analisados no âmbito da MP 1.304/2025, que trata da redução dos impactos tarifários”, afirmou o parlamentar ao defender seu relatório, aprovado em 3 de setembro.

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Tarifa Social: ferramenta essencial de inclusão energética

Criada em 2002, a Tarifa Social de Energia Elétrica concede descontos escalonados na conta de luz de famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). A MP em votação amplia o alcance desse benefício ao garantir gratuidade no consumo de até 80 kWh por mês – volume que cobre o consumo médio de residências de pequeno porte.

De acordo com estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME), a mudança pode beneficiar diretamente milhões de famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O objetivo é assegurar o acesso contínuo à energia elétrica, considerado essencial para dignidade e qualidade de vida.

O que ficou de fora: abertura do mercado e impactos tarifários

Apesar da relevância social da medida, setores do mercado de energia destacaram que a proposta original do governo incluía temas mais estruturantes, que foram postergados. Entre eles, a abertura do mercado livre de energia para pequenos consumidores, medidas para lidar com sobras de energia contratada e mecanismos para reduzir os impactos tarifários da expansão do setor.

Esses pontos devem ser retomados no debate da MP 1.304/2025, que já está em tramitação e pode redefinir o equilíbrio econômico-financeiro das distribuidoras, além de abrir espaço para maior concorrência no setor.

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Trâmite e prazo decisivo no Congresso

O texto aprovado na comissão mista agora será analisado pelo plenário da Câmara e, em seguida, pelo Senado Federal. O prazo limite para conclusão da votação é 17 de setembro, quando a medida provisória perde validade caso não seja convertida em lei.

A aprovação é considerada provável, já que a ampliação da tarifa social é vista como um instrumento direto de proteção à população mais vulnerável. No entanto, parlamentares da oposição e representantes do setor elétrico alertam para a necessidade de um debate mais amplo sobre a sustentabilidade financeira do modelo.

Impactos sociais e políticos

A ampliação da TSEE ocorre em um momento de crescente pressão inflacionária sobre itens básicos, como energia elétrica e alimentos. Para o governo federal, a medida fortalece sua agenda social e atende uma demanda histórica por maior proteção às famílias de baixa renda.

No campo político, a votação também é estratégica. Deputados e senadores buscam se posicionar diante de um tema que mobiliza a opinião pública, especialmente em estados com maior número de famílias cadastradas no CadÚnico.

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