ONS Aponta Cenários de Reservatórios para o Período Úmido: Previsões Variam entre 62% e 96% da Média de Longo Termo

Com a chegada do período de chuvas, o Operador Nacional do Sistema Elétrico apresenta projeções que indicam recuperação gradual dos níveis dos reservatórios e possibilidades de estabilidade para o sistema energético brasileiro

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou, na última quarta-feira, 6 de novembro, as projeções para o período chuvoso de novembro de 2024 a abril de 2025 durante a reunião ordinária do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). Segundo o ONS, as estimativas indicam o início do período tipicamente úmido, com chuvas constantes desde o final de outubro nas bacias dos rios Grande, Paranaíba, São Francisco e Madeira.

A chegada das chuvas tem trazido alívio aos reservatórios, que sofreram quedas em seus níveis de armazenamento nos últimos meses. De acordo com o ONS, o aumento da precipitação nas últimas semanas de outubro superou a média histórica, reforçando as expectativas de recuperação para o sistema de abastecimento elétrico nacional.

As projeções do ONS para a Energia Natural Afluente (ENA) — quantidade de água que chega aos reservatórios — mostram uma variação entre 62% e 96% da Média de Longo Termo (MLT) para o período de novembro de 2024 a abril de 2025. Estes cenários refletem a incerteza do regime de chuvas para os próximos meses, e cada um deles traz uma perspectiva diferente para o sistema elétrico.

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Cenários de Projeção

Cenário Inferior: 62% da Média de Longo Termo (MLT)

No cenário menos otimista, a ENA seria de apenas 62% da MLT. Caso essa projeção se confirme, seria o menor nível já registrado em 94 anos, evidenciando uma situação crítica para o sistema de reservatórios. Com essa baixa entrada de água, o nível de armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) poderia alcançar 35% até o final de dezembro de 2024 e apenas 39,9% até o final de abril de 2025. Já a média de armazenamento de todo o Sistema Interligado Nacional (SIN) poderia ficar em 46,6% até abril de 2025.

Esse cenário indica um possível déficit hídrico para abastecimento das hidrelétricas, o que levaria o CMSE a considerar medidas preventivas para garantir a segurança do sistema elétrico brasileiro. Medidas como a ativação de usinas termelétricas poderiam ser acionadas para complementar a geração de energia, uma vez que níveis tão baixos dos reservatórios reduzem a capacidade de geração hidrelétrica, essencial para o país.

Cenário Superior: 96% da Média de Longo Termo (MLT)

O cenário mais otimista indica uma ENA de 96% da MLT, o que seria o 42º menor índice no histórico de 94 anos, segundo o ONS. Essa condição, embora não seja ideal, é menos severa e sugere uma recuperação gradual dos níveis de água nos reservatórios. Nessa projeção, o nível de armazenamento para o SE/CO seria de 40,4% até o final de dezembro e 81,9% até o final de abril de 2025, com o SIN chegando a 81,4% até o final do período.

Esse cenário proporciona maior segurança para o abastecimento, permitindo que o sistema opere com menor necessidade de acionamento das usinas termelétricas, que têm um custo de operação mais elevado e maior impacto ambiental. A expectativa é que a recuperação dos reservatórios seja visível já a partir de janeiro de 2025, quando o volume de chuvas normalmente atinge seu pico.

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Impacto no Sistema e Tomada de Decisão

As projeções são de extrema relevância para a gestão do sistema elétrico, pois orientam as decisões do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O ONS monitora continuamente o cenário hídrico e energético para antecipar ações que garantam o atendimento à demanda, evitando potenciais problemas de abastecimento ou interrupções de energia.

Com base nos estudos apresentados, o CMSE pode optar por medidas operacionais preventivas, como o aumento da geração de energia por fontes alternativas (termoelétricas, solares e eólicas) e o controle do consumo em horários de pico. A estratégia visa mitigar possíveis impactos no fornecimento de energia, assegurando que a população e os setores produtivos do país continuem a ter acesso a uma energia segura e ininterrupta.

Previsões para o Período Chuvoso

As chuvas são um fator essencial para a recuperação dos níveis dos reservatórios e, consequentemente, para a estabilidade do sistema elétrico. O ONS destaca que o início do período chuvoso, que começou no final de outubro e prossegue ao longo de novembro, já está contribuindo para reduzir o ritmo de redução dos níveis de água das hidrelétricas.

A expectativa é que o volume de chuvas se intensifique nos próximos meses, possibilitando uma recuperação significativa dos reservatórios. Caso o cenário mais otimista se confirme, o Brasil estará em uma posição mais segura para enfrentar o próximo período seco, em 2025, com níveis de reservatórios mais adequados para sustentar a geração hidrelétrica.

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