CMSE atesta resiliência do SIN frente ao El Niño e avança em novas métricas de flexibilidade operacional

Colegiado registra nível dos reservatórios do país em 58% da capacidade máxima, 8 pontos percentuais acima do verificado no mesmo período de 2025, e aprova consulta pública para atualizar a metodologia de avaliação da carga líquida.

O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deliberou, em reunião ordinária realizada nesta quarta-feira (4/11), sobre a manutenção da segurança operativa e da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN). Em meio aos impactos prolongados do fenômeno meteorológico El Niño, que deve manter intensidade elevada nos próximos meses, o órgão técnico destacou a eficácia das medidas preventivas adotadas ao longo do ano para mitigar riscos de suprimento de energia e potência no país.

Além da avaliação da safra hídrica e do desempenho da malha de transmissão, o comitê deu um passo decisivo na adaptação da governança do SIN à crescente inserção de fontes renováveis variáveis (solar e eólica). O colegiado aprovou o encaminhamento para consulta pública de novos critérios de mensuração de flexibilidade operacional do sistema elétrico brasileiro.

Inserção de renováveis exige métricas inéditas de flexibilidade

O avanço da penetração de fontes intermitentes na matriz e a consequente alteração na curva da carga líquida motivaram a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a estruturar um estudo focado na capacidade de resposta rápida do SIN. A proposta apresentada ao CMSE visa aprofundar os diagnósticos tradicionais de garantia física e potência de pico, introduzindo indicadores direcionados a avaliar a velocidade e o volume com que os recursos do sistema atendem às variações rápidas de demanda ao longo do dia.

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As diretrizes metodológicas elaboradas pela EPE priorizam a mensuração da frequência e da severidade de eventuais insuficiências operacionais. Por determinação do comitê, o modelo conceitual será submetido a rodadas técnicas de discussão com as instituições setoriais e, em seguida, aberto às contribuições dos agentes de mercado por meio de consulta pública regulatória.

Desempenho hidroenergético e postergação em Belo Monte

No panorama climático, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) relatou que a passagem frequente de frentes frias pela região Sudeste, combinada ao estabelecimento da primeira Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) da estação, garantiu precipitações acima da média nas bacias dos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Sul. O cenário marca o início formal do período úmido nessas regiões.

Em contrapartida, a bacia do rio Xingu, na região Norte, continua a registrar totais pluviométricos abaixo da média histórica. Diante do atraso na caracterização do período chuvoso local, o ONS recomendou a prorrogação da operação excepcional do reservatório intermediário da Usina Hidrelétrica (UHE) Belo Monte sob vazão mínima reduzida de 100 m³/s, observados os condicionantes socioambientais e as licenças vigentes.

O fechamento do mês de outubro indicou uma Energia Armazenada (EAR) equivalente a 58% para o SIN como um todo. A discriminação por subsistema registrou armazenamentos de 55% no Sudeste/Centro-Oeste, 79% no Sul, 62% no Nordeste e 61% no Norte. Em termos de Energia Natural Afluente (ENA), o SIN registrou 168% da Média de Longo Termo (MLT) em outubro, impulsionado pelo desempenho dos subsistemas Sul (230% da MLT) e Sudeste/Centro-Oeste (156% da MLT), enquanto o Norte atingiu apenas 51% da MLT.

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SubsistemaENA (% MLT) Cenário SuperiorENA (% MLT) Cenário InferiorEARmáx (%) Cenário SuperiorEARmáx (%) Cenário Inferior
Sudeste/Centro-Oeste140%96%54,3%52,0%
Sul243%214%88,5%95,0%
Nordeste76%57%53,8%58,6%
Norte43%30%46,8%49,9%
SIN (total)145%110%56,2%56,1%

Expansão da malha, liquidação do MCP e Sistemas Isolados

A disponibilidade da Rede Básica encerrou o mês de outubro no patamar de 95,5%, evolução em relação aos 94,6% aferidos no mesmo mês de 2025. O índice ganha relevância diante da atuação do El Niño, que provocou avarias e avanço de quedas de torres de transmissão em pontos específicos do sistema interligado, além de severa estiagem nos rios nortistas.

Durante o mês de outubro, a expansão do parque gerador centralizado agregou 56 MW de capacidade instalada ao país, com destaque para a entrada em operação comercial de módulos da UFV Sol de Brotas 5 (32,5 MW), na Bahia. Na transmissão, foram energizados 97 km de linhas de alta tensão, destaque para os circuitos 1 e 2 da LT 345 kV Venda das Pedras – Sete Pontes (41 km cada), e agregados 1.391 MVA de capacidade de transformação, puxados pela entrada dos transformadores TR3 e TR4 (600 MVA cada) na SE Sete Pontes RJ.

No campo financeiro, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apresentou a apuração da liquidação financeira do Mercado de Curto Prazo (MCP) referente à contabilização de setembro de 2026. Do montante total de R$ 2,59 bilhões, efetivou-se a liquidação de R$ 2,11 bilhões, com o aporte de R$ 336,99 milhões na Conta de Energia de Reserva (CONER) e R$ 290 mil na Conta de Potência para Reserva de Capacidade (CONCAP). O volume inadimplido na contabilização fechou em R$ 486,77 milhões.

Por fim, o monitoramento preventivo da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) atestou a estabilidade nos Sistemas Isolados. A potência instalada respondeu integralmente à demanda sem o registro de interrupções no fornecimento por falha na logística de combustíveis fósseis. Em paralelo, o ONS confirmou o cumprimento das diretrizes de segurança operativa da Resolução CMSE nº 01/2005 durante a votação e a apuração do segundo turno das eleições.

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