Plano prevê nova subestação de 500/138 kV em Serra, com capacidade inicial de 1.200 MVA, para reduzir riscos de sobrecarga e ampliar o atendimento à demanda na região metropolitana.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recomenda investimentos de R$ 689 milhões em reforços na transmissão de energia elétrica para a Região Metropolitana de Vitória, no Espírito Santo. A principal intervenção é a implantação da subestação Serra 500/138 kV, com previsão inicial de operação em 2028, além de linhas de conexão e adequações na rede de distribuição.
Do total estimado, R$ 584,94 milhões correspondem a instalações da Rede Básica e da Rede Básica de Fronteira, enquanto R$ 104,06 milhões são destinados ao sistema de distribuição da EDP Espírito Santo. A recomendação consta do estudo de atendimento à região elaborado pela EPE em agosto de 2026.
Fluxo de energia e restrições da rede
O estudo aponta riscos de sobrecarga em linhas de 345 kV, transformadores e instalações de 138 kV na Grande Vitória, inclusive em situações de contingência. Um dos fatores é o elevado fluxo de energia do Nordeste para o Sudeste, especialmente em cenários de alta geração eólica e solar na região Nordeste durante o dia.
Nesse contexto, a interligação entre as regiões pode operar próxima ao limite de transmissão. A nova subestação permitirá redistribuir os fluxos de potência, reduzir a dependência da rede de 345 kV e aliviar o carregamento dos transformadores de 500/345 kV da subestação Viana 2.
Alternativa escolhida prevê 1.200 MVA de capacidade inicial
Entre as configurações avaliadas, a EPE selecionou a Alternativa 4, que apresentou o menor custo global. A opção ficou cerca de 4% abaixo da Alternativa 6, segunda colocada na comparação técnico-econômica.
O projeto prevê o seccionamento da linha de transmissão de 500 kV João Neiva 2–Viana 2, circuito 1, na subestação Serra, com aproximadamente 28 quilômetros de trechos de linha. A instalação deverá entrar em operação com dois bancos de autotransformadores, totalizando 1.200 MVA.
O planejamento também considera a possibilidade de instalar um terceiro banco, de 600 MVA, em 2030, caso se confirme a expansão projetada da carga e seja retirado o terceiro banco da subestação Vitória. Se essas condições não se concretizarem, a necessidade poderá ser postergada para 2038.
As intervenções complementares na distribuição incluem a linha de 138 kV Serra–Pitanga, com os circuitos C1 a C4, e o reancoramento dos circuitos da linha Pitanga–Civit.
Projeção de carga sustenta expansão
As projeções encaminhadas pela EDP Espírito Santo consideram novos pedidos de conexão de grandes consumidores que acrescentariam 93,2 MW à carga até 2028, 183,2 MW até 2033 e 249 MW até 2037.
Esse crescimento, combinado às limitações identificadas na rede existente, fundamenta a recomendação de expansão. O estudo também considera restrições de equipamentos da subestação Vitória, incluindo ativos próximos do fim de sua vida útil regulatória.
A EPE recomenda o início do processo de outorga das obras indicadas. A publicação do estudo representa uma etapa do planejamento da expansão da transmissão, não a confirmação de contratação ou de realização de leilão para os empreendimentos.



