Boletim do PMO indica ENA de 244% da MLT na região Sul e 128% no Sudeste/Centro-Oeste, impulsionadas pelo setembro mais chuvoso dos últimos 17 anos no SIN.
As projeções operacionais consolidadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana de 3 a 9 de outubro de 2026 apontam um cenário hidrológico favorável para os principais subsistemas do país ao término do mês. O balanço técnico reflete o impacto direto de um mês de setembro marcado pelo maior volume de precipitações dos últimos 17 anos, alterando positivamente o regime de vazões nas principais bacias hidrográficas nacionais.
De acordo com as projeções divulgadas pelo operador, a Energia Natural Afluente (ENA) ao final de outubro deverá encerrar expressivamente acima da Média de Longo Termo (MLT) na Região Sul, alcançando 244% da MLT. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste também apresenta perspectiva robusta, com afluência estimada em 128% da MLT. Em contrapartida, os indicadores permanecem em patamares reduzidos nas regiões Nordeste e Norte, projetados em 66% e 48% da MLT, respectivamente.
Níveis de armazenamento dos reservatórios
O comportamento hidrológico das últimas semanas repercute diretamente sobre os patamares de Energia Armazenada (EAR) nos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN). O subsistema Sul destaca-se com o melhor índice de acumulação, com perspectiva de atingir 86,9% de EAR.
Nas demais regiões, o quadro de armazenamento demonstra estabilidade para o período: o Nordeste aponta 63,6% de EAR, seguido de perto pelo Norte, com 62,5%. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste, principal caixa d’água do sistema elétrico brasileiro, projeta o encerramento do mês com 56,3% da capacidade de armazenamento preenchida.
Perspectivas hidrológicas e diretrizes operativas
A continuidade das chuvas nas regiões meridionais do país e a gestão integrada dos reservatórios foram avaliadas pelo diretor-geral do ONS, Marcio Rea, durante o monitoramento semanal do planejamento operativo: “Como temos apresentado nas reuniões semanais do PMO, até o final do ano, o cenário mais provável é de precipitação acima da média nas bacias da Região Sul, o que traz percentuais favoráveis de ENA e reflexos no armazenamento dos reservatórios. Seguimos acompanhando estas previsões locais e em todo o país, para adotar as decisões operativas necessárias para garantir o pleno fornecimento de energia para a sociedade.”
Projeção de demanda e Custo Marginal de Operação (CMO)
Em paralelo ao cenário hidrológico favorável, os cenários prospectivos elaborados pelo operador indicam expansão na demanda de carga para o mês de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O crescimento esperado para o Sistema Interligado Nacional (SIN) é de 4,7%, o que representa uma carga média de 86.189 MWmed.
O avanço do consumo é puxado principalmente pelas regiões Nordeste e Norte, que projetam altas expressivas de 9,9% (15.233 MWmed) e 9,3% (9.757 MWmed), respectivamente. O subsistema Sudeste/Centro-Oeste estima um incremento de 3,6% (47.409 MWmed), enquanto o Sul aponta alta mais modesta, de 0,4% (13.789 MWmed).
No que tange aos custos econômicos da operação, o Custo Marginal de Operação (CMO) apresenta patamares equivalentes entre os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste, fixados em R$ 24,92. O subsistema Sul registra o menor valor indicativo, na ordem de R$ 5,02, enquanto o subsistema Norte aponta o maior valor de referência, alcançando R$ 289,25, reflexo das condições hidrológicas desfavoráveis locais.


