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Raízen amplia apoio de credores para 80% em plano de reestruturação de R$ 64,7 bi

Raízen amplia apoio de credores para 80% em plano de reestruturação de R$ 64,7 bi

Companhia supera quórum exigido por lei para homologação obrigatória da proposta que envolve créditos financeiros e quirografários.

A Raízen (B3: RAIZ4) deu mais um passo importante no processo de reestruturação de seu passivo financeiro. Em atualização ao mercado divulgada nesta semana, a gigante do setor de açúcar, etanol e distribuição de combustíveis informou o recebimento e o protocolo de novas adesões ao seu Plano de Recuperação Extrajudicial. Com o movimento de novos credores, o percentual de apoio formal à proposta saltou de 75,45% para 80,15% dos créditos sujeitos ao processo.

O plano abrange uma dívida total consolidada de R$ 64,7 bilhões em créditos financeiros e quirografários, valor do qual estão formalmente substituídos e excluídos os chamados créditos intercompany (transações financeiras realizadas entre empresas controladas do próprio grupo).

Esse incremento nas assinaturas solidifica o processo de blindagem jurídica da companhia, superando os quóruns mínimos exigidos pela legislação brasileira de falências e recuperação de empresas (Lei nº 11.101/2005) para a homologação impositiva do plano a todos os credores das classes afetadas, o que mitiga os riscos de litígios isolados no ambiente judicial.

Equacionamento de liquidez e estrutura de capital

A aceleração do apoio institucional de bancos e detentores de títulos de dívida reflete o entendimento do mercado financeiro de que o remédio jurídico adotado protege as operações de refino, logística e comercialização de biocombustíveis. A administração da companhia reforçou a relevância desse avanço para o reequilíbrio de suas contas corporativas: As solicitações e o apoio adicional ratificam a ampla adesão ao Plano como solução abrangente para a reestruturação do endividamento financeiro do Grupo Raízen, com o objetivo de equacionar suas necessidades de liquidez de curto e médio prazo e estabelecer uma estrutura de capital sustentável no longo prazo.

A estratégia de recuperação extrajudicial foi desenhada para alongar o perfil de vencimentos da dívida bruta, reduzindo substancialmente a pressão sobre o caixa de curto prazo em um cenário de compressão de margens globais no mercado de commodities e investimentos intensivos na expansão de plantas de Etanol de Segunda Geração (E2G).

Próximos passos no mercado e governança

A forte aceitação do plano junto aos grandes consórcios de credores reduz as incertezas operacionais sobre as cadeias de suprimento e a originação de biomassa. Sob a ótica de governança corporativa e relacionamento com investidores, o avanço na captação de assinaturas permite que a empresa retome o foco em metas de eficiência técnica de refino e distribuição de combustíveis pela bandeira Shell, minimizando volatilidades adicionais nas ações RAIZ4 na bolsa de valores paulista.

A diretoria executiva da holding declarou que manterá o acompanhamento sistemático das aprovações legais e informará acionistas e o mercado de energia e biocombustíveis sobre quaisquer novos desdobramentos formais que afetem o trâmite do plano de recuperação extrajudicial nos tribunais de justiça.