Copa do Mundo ativa operação especial do ONS para conter rampas de carga no SIN

Operador cria boletins em tempo real para monitorar oscilações de consumo e congela intervenções programadas na rede durante jogos do Brasil

A paralisação do país para acompanhar a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 impõe um desafio de engenharia de operação e gestão de risco direto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Para mitigar os impactos das drásticas variações de consumo de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN), a autarquia estruturou uma operação especial de monitoramento, que impõe restrições severas a manutenções na rede e aumenta o rigor sobre as diretrizes de despacho.

O acompanhamento ostensivo abrangerá, inicialmente, os compromissos da fase de grupos, agendados para os dias 13, 19 e 24 de junho, estendendo-se para as semifinais, em 14 e 15 de julho, e para a decisão do torneio, no dia 19. Para garantir a transparência da operação, o órgão centralizará os dados de comportamento da demanda em um painel interativo exclusivo, voltado a agentes de mercado e especialistas.

A física do consumo: o desafio das ‘rampas de carga’

O comportamento síncrono de milhões de brasileiros altera substancialmente a curva de carga da matriz elétrica. Horas antes do apito inicial, a desaceleração de plantas industriais e do setor de comércio provoca uma queda acentuada na demanda global. O estresse operacional, no entanto, concentra-se no curto prazo: nos intervalos e logo após o encerramento das partidas.

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A retomada simultânea do uso de equipamentos residenciais, como geladeiras, iluminação, micro-ondas e chuveiros, gera as chamadas “rampas de carga”. Essas elevações representam uma tomada de milhares de megawatts em questão de minutos, exigindo flexibilidade instantânea do parque gerador e sintonia fina da rede de transmissão para manter a estabilidade da frequência no sistema.

Bloqueio de manutenções e blindagem da rede

Para proteger o SIN contra falhas de suprimento nessas janelas de estresse, o plano operativo determina um cinturão de segurança de quatro horas: as medidas de controle passam a valer duas horas antes e se encerram duas horas após cada jogo monitorado.

Neste intervalo crítico, geradoras, transmissoras e distribuidoras ficam proibidas de realizar intervenções programadas que possam induzir cortes de carga ou fragilizar a confiabilidade das linhas. As exceções são restritas a manobras inadiáveis, focadas exclusivamente na proteção de equipamentos e na segurança humana.

O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, detalha a premissa de atuação preventiva e coordenada da autarquia diante da volatilidade projetada para o período: “Durante esses jogos, é comum que o país pare, o que tem um impacto direto na operação do SIN. Mas estamos preparados para garantir uma resposta segura e confiável durante a competição, assegurando que o sistema responda adequadamente às variações de demanda da sociedade. Este trabalho reforça nossas ações de planejamento, monitoramento e atuação preventiva.”

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Protocolo do CMSE e a variável meteorológica

As diretrizes adotadas pelo ONS encontram respaldo técnico na Resolução nº 1/2005 do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), que estabelece a elevação dos níveis de segurança operacional em eventos de repercussão nacional.

Além do estresse imposto pelo comportamento dos consumidores, o Operador agregou à sala de controle uma camada adicional de monitoramento climático. O cruzamento contínuo das previsões de tempestades severas e descargas atmosféricas com o mapa físico do SIN visa antecipar contingências, elevando a resiliência da malha elétrica em um cenário climático global marcado pela imprevisibilidade.

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