ONS cria área para desenvolver modelos computacionais próprios e reforçar autonomia tecnológica do setor elétrico

Projeto Maestro marca nova etapa da estratégia do Operador para modernizar ferramentas de planejamento e operação do SIN com participação dos agentes e desenvolvimento em código aberto

O Operador Nacional do Sistema Elétrico deu mais um passo em sua estratégia de modernização ao criar uma área dedicada ao desenvolvimento de modelos computacionais voltados ao planejamento e à operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). A iniciativa integra o projeto Maestro, programa estruturante que busca ampliar a capacidade técnica do Operador diante das transformações em curso na matriz elétrica brasileira.

A nova estrutura organizacional deverá estar plenamente consolidada até outubro de 2026. Até lá, o ONS conduzirá um processo gradual de implantação que inclui a formação das equipes responsáveis e o desenvolvimento das primeiras soluções-piloto.

Mais do que uma reorganização interna, a medida reflete uma mudança de posicionamento do Operador em relação às tecnologias que sustentam as decisões operacionais do setor elétrico. A proposta é ampliar o domínio sobre os modelos utilizados em estudos e análises do sistema, permitindo maior agilidade na incorporação de melhorias metodológicas e novas funcionalidades.

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Complexidade crescente exige ferramentas mais flexíveis

A decisão ocorre em um momento de profundas mudanças na operação do sistema elétrico brasileiro. A expansão acelerada das fontes eólica e solar, o crescimento da geração distribuída, a eletrificação de novos segmentos da economia e a abertura gradual do mercado de energia vêm aumentando a complexidade das análises realizadas pelo setor. Nesse cenário, ferramentas computacionais capazes de processar grandes volumes de dados e simular múltiplos cenários operacionais tornam-se cada vez mais estratégicas para garantir segurança, eficiência e previsibilidade na tomada de decisão.

A avaliação de condições hidrológicas, o despacho de usinas, a integração das fontes renováveis e os estudos de expansão da rede dependem de modelos matemáticos cada vez mais sofisticados. Por isso, a evolução dessas soluções passou a ocupar posição central na agenda dos operadores de sistemas elétricos em diversos países.

O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, afirma que a iniciativa busca aproximar o desenvolvimento tecnológico das necessidades práticas da operação do sistema: “O Operador segue em sua trilha de inovação contínua. Ao propor ao mercado uma nova configuração de atuação, com ferramentas com códigos abertos, vamos conseguir aproximar o desenvolvimento de soluções à realidade da operação. Com ganhos de qualidade, consistência e aderência da metodologia ao funcionamento do SIN.”

Transparência e participação dos agentes ganham espaço

Um dos pilares do projeto é a adoção de desenvolvimento em código aberto. A proposta permitirá que agentes do setor, instituições de pesquisa e especialistas acompanhem a evolução das metodologias utilizadas pelo Operador e contribuam para seu aprimoramento. Na prática, o modelo tende a ampliar a transparência dos processos de cálculo e análise, facilitando validações técnicas independentes e fortalecendo a governança dos estudos que subsidiam decisões operacionais e de planejamento.

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A expectativa é que o ambiente colaborativo acelere a incorporação de inovações e reduza o tempo necessário para a implementação de melhorias, sem comprometer os procedimentos de validação e aprovação previstos na governança setorial. Além disso, o desenvolvimento interno das soluções poderá fortalecer a capacidade do setor elétrico brasileiro de responder a mudanças regulatórias, tecnológicas e operacionais com maior rapidez.

Implantação será gradual ao longo de 2026

Neste momento, o ONS concentra esforços na estruturação da nova área e na definição das equipes que irão conduzir os projetos. A partir de julho, terá início a fase de operação assistida, período em que a nova configuração passará a funcionar gradualmente sob acompanhamento das diretorias de Planejamento, Operação e de Tecnologia da Informação, Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios.

Segundo o Operador, os sistemas desenvolvidos no âmbito do projeto terão propriedade intelectual do ONS desde sua concepção, serão disponibilizados gratuitamente ao setor e passarão a substituir progressivamente as soluções atualmente utilizadas, sempre respeitando os ritos formais de governança.

Preparação para um sistema elétrico mais dinâmico

Para o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato, a iniciativa responde diretamente às mudanças observadas no perfil da matriz elétrica nacional e ao aumento da variabilidade da geração.

Ao comentar os objetivos do projeto, o executivo destacou a importância de ampliar a capacidade analítica do Operador e fortalecer a participação dos agentes no desenvolvimento das futuras soluções: “Esse movimento reforça a capacidade técnica do ONS, avaliando a operação em cenários diversificados ao longo do tempo e uma geração de perfil cada vez mais variável. A proposta é ampliar a transparência de decisões para todos os envolvidos, que também entendem da realidade da operação, trabalhem com a garantia das melhores práticas de uma ferramenta open source em um ambiente colaborativo.”

A expectativa é que a iniciativa contribua para criar um ecossistema mais integrado entre o ONS, empresas do setor, universidades e centros de pesquisa, fortalecendo a capacidade de inovação em áreas críticas para a operação do SIN.

Em um contexto de transição energética, expansão das fontes renováveis e crescente digitalização do setor elétrico, a aposta em modelos computacionais próprios reforça a busca por maior flexibilidade e capacidade de adaptação. Para o ONS, trata-se de uma preparação necessária para um sistema que exigirá análises cada vez mais complexas e decisões cada vez mais rápidas nos próximos anos.

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