Cemig e Radix avançam com IA para recomposição da transmissão em tempo real

Projeto de P&D da ANEEL utiliza modelos de linguagem para reduzir carga cognitiva de operadores e elevar a resiliência do sistema elétrico

A digitalização da operação elétrica brasileira ganha um novo capítulo com o desenvolvimento de uma plataforma baseada em Inteligência Artificial voltada à recomposição da rede de transmissão em tempo real. A iniciativa, conduzida pela Cemig em parceria com a Radix, integra o Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da ANEEL e mira um dos pontos mais sensíveis da operação: a tomada de decisão sob pressão nos Centros de Operação do Sistema (COS).

Diferentemente de soluções voltadas a grandes blecautes, eventos raros, porém críticos, o projeto concentra esforços nas ocorrências rotineiras da operação, que exigem resposta rápida e alto rigor técnico, mesmo quando não há interrupção de carga.

A proposta técnica da solução foi detalhada por Fábio Antunes, gerente de tecnologia para operação da Cemig, ao explicar o recorte operacional do projeto: “Diferentemente de iniciativas voltadas à recomposição sistêmica (evento raro associado a grandes blecautes), o foco serão desligamentos típicos da operação, como atuações de proteção, desligamentos de equipamentos e outras contingências previstas nos procedimentos do setor. Em sistemas de transmissão malhados e redundantes, essas ocorrências nem sempre resultam em interrupção de carga, mas exigem atuação rápida, criteriosa e tecnicamente rigorosa das equipes de operação.”

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O direcionamento evidencia uma mudança de paradigma: sair de uma lógica reativa a eventos extremos para uma atuação contínua na eficiência operacional do dia a dia do sistema elétrico.

Sobrecarga cognitiva desafia operadores

Na prática, o restabelecimento da rede exige que operadores analisem simultaneamente um volume elevado de dados críticos, como estados de equipamentos, alarmes de proteção, registros sequenciais de eventos (SOE) e procedimentos operativos extensos.

Em cenários com múltiplas ocorrências, essa complexidade eleva o risco de sobrecarga cognitiva e, consequentemente, a probabilidade de falhas humanas, um dos principais pontos de atenção em sistemas altamente interconectados como o ONS.

IA como assistente técnico na tomada de decisão

A plataforma desenvolvida pela Radix combina modelos de linguagem de grande escala (LLMs) com dados operacionais em tempo real, permitindo a correlação entre topologia da rede, alarmes e restrições operativas.

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Fernando Malaquias Costa, gerente de negócios da Radix, detalhou o papel da tecnologia dentro do fluxo operacional: “A plataforma combinará modelos de linguagem de grande escala (LLMs) com dados operacionais online, permitindo correlacionar informações de proteções, alarmes, topologia da rede e restrições operativas. O sistema não substitui o operador: ele estrutura informações, sugere caminhos e organiza o raciocínio técnico necessário à tomada de decisão, cabendo sempre ao profissional validar e autorizar as ações, em conformidade com as diretrizes do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da ANEEL.”

A abordagem reforça o conceito de “IA assistiva”, em que a tecnologia amplia a capacidade humana sem substituir o papel crítico do operador.

Padronização, redução de risco e ganho de escala

Além de acelerar diagnósticos, a solução traz ganhos relevantes em padronização de processos. Ao sugerir ações baseadas em dados históricos e normas operativas, o sistema reduz a variabilidade entre decisões e mitiga erros em tarefas repetitivas executadas sob চাপ (pressão).

Outro vetor estratégico é a escalabilidade operacional. Com o crescimento da rede e a incorporação de novas fontes de geração, especialmente renováveis, a complexidade do sistema aumenta, exigindo ferramentas que permitam ampliar a capacidade analítica sem crescimento proporcional das equipes.

Cibersegurança e potencial de replicação no SIN

Desenvolvido sob diretrizes rigorosas de cibersegurança e conformidade regulatória, o projeto nasce com potencial de replicação para outras transmissoras do SIN.

A expectativa é que, após validação nos ativos da Cemig, o modelo possa ser escalado para diferentes agentes do setor, contribuindo para a modernização da operação e gestão de ativos no sistema elétrico brasileiro.

O avanço reforça a tendência de digitalização da transmissão, consolidando a Inteligência Artificial como um dos pilares da resiliência e da eficiência operacional em sistemas elétricos complexos.

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