AIE articula liberação recorde de até 400 milhões de barris para conter crise do petróleo

Proposta em análise superaria o dobro da intervenção realizada na crise da Ucrânia em 2022; medida visa mitigar interrupção de fluxos no Estreito de Ormuz e arrefecer preços globais.

A Agência Internacional de Energia (AIE) deve formalizar, ainda nesta quarta-feira (11), uma proposta para a maior liberação de reservas emergenciais de petróleo de sua história. O plano, que está sendo discutido em caráter de urgência por membros da OCDE sob a coordenação da sede em Paris, prevê a colocação de 300 milhões a 400 milhões de barris no mercado global.

A medida surge como uma resposta direta à escalada das tensões no Oriente Médio, que levou o barril tipo Brent a tocar o patamar de US$ 120 na última segunda-feira (9). A interrupção quase total dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e o ataque recente à refinaria de Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos, criaram um vácuo de oferta que os estoques públicos agora tentam preencher.

Dimensão histórica e comparativo com crises anteriores

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O volume em análise pela agência é massivo. Para efeito de comparação, a intervenção superaria significativamente os 182 milhões de barris liberados em 2022, após a invasão da Rússia à Ucrânia. O suporte político para a ação já ecoa nas esferas das maiores economias do mundo.

Ao detalhar a agenda internacional de resposta à crise, o ministro das Finanças francês, Roland Lescure, confirmou que a pauta domina as atenções das potências globais. “Uma reunião dos líderes do G-7 na quarta-feira vai discutir a liberação dos estoques”, afirmou a autoridade francesa, indicando que o grupo apoia “medidas proativas” para estabilizar o mercado.

Desafios logísticos e o “gap” de oferta no Golfo Pérsico

Apesar do anúncio bilionário, analistas do setor elétrico e de óleo e gás questionam a velocidade com que esse óleo pode, de fato, chegar às refinarias. A reserva estratégica dos Estados Unidos (SPR), o maior componente do estoque da AIE, possui uma capacidade máxima de retirada de 4,4 milhões de barris por dia. Além disso, o rito burocrático e logístico exige um intervalo de 13 dias entre a decisão presidencial e a chegada do produto ao mercado aberto.

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O Citigroup estima que a perda diária de oferta vinda do Golfo Pérsico varie entre 11 milhões e 16 milhões de barris. Ou seja, mesmo uma liberação coordenada e em capacidade máxima cobriria apenas uma fração do déficit gerado pela paralisia no Estreito de Ormuz.

Impacto na Geração e Preços de Energia

Para o Brasil, o monitoramento desta decisão é vital. A volatilidade do petróleo impacta não apenas os preços de combustíveis, mas também a competitividade de térmicas a óleo e a paridade de preços de derivados de gás natural.

Atualmente, os 32 países membros da AIE detêm mais de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos de emergência, além de 600 milhões de barris mantidos pela indústria por obrigação governamental. Esta será a sexta vez na história que a agência implementa uma intervenção coordenada desde sua criação em 1974.

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