Estudo coordenado pela estatal identifica obras estruturantes em Arapiraca, Penedo e Maceió, com investimentos previstos de R$ 191 milhões para solucionar problemas de tensão e ampliar a confiabilidade da rede no Agreste e no Leste Alagoano
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou, nesta quarta-feira (11/12), o relatório “Solução para problema de tensão na região de Arapiraca e Penedo”, documento que detalha um conjunto de obras de transmissão consideradas essenciais para mitigar riscos operativos e garantir o atendimento elétrico em regiões estratégicas de Alagoas. O estudo reúne análises técnicas desenvolvidas pela Axia Energia (antiga Eletrobras) e pela Bambu Engenharia, sob coordenação da EPE e com a participação da Equatorial Alagoas, distribuidora responsável pelo fornecimento no estado.
Segundo o relatório, as regiões do Agreste e do Leste Alagoano, incluindo Maceió, Arapiraca e Penedo, apresentam desafios estruturais de tensão que tendem a se intensificar nos próximos anos, em função do crescimento da demanda e das limitações atuais da rede de transmissão. A partir dessa avaliação, a EPE recomenda um pacote de obras que envolve linhas, transformadores e reforços de distribuição, com impacto direto na confiabilidade do sistema.
Pacote de obras prioritárias para estabilidade elétrica
O conjunto de reforços proposto no estudo inclui quatro intervenções principais. A primeira delas é a implantação da linha de transmissão (LT) 230 kV Messias–Arapiraca III C1, com 119 km de extensão, considerada a espinha dorsal da solução para atender o Agreste. Em paralelo, o relatório propõe a instalação do terceiro transformador 230/69 kV de 200 MVA na subestação Maceió II, ampliando a capacidade de suprimento à capital. Outra obra recomendada é a inclusão do 4º transformador 230/69 kV de 100 MVA na subestação Rio Largo II, fundamental para aliviar carregamentos e assegurar margens de operação na região metropolitana. Por fim, o documento sugere a implantação da linha de distribuição 69 kV Maceió II – Cidade Universitária, reforçando o atendimento local e reduzindo vulnerabilidades.
No total, os investimentos previstos alcançam aproximadamente R$ 191 milhões, cifra considerada necessária para garantir o atendimento às cargas da Equatorial Alagoas até 2039. O horizonte temporal reflete o compromisso do planejamento de transmissão em antecipar necessidades e orientar decisões do Poder Concedente.
Planejamento de transmissão: o papel dos Relatórios R
O estudo publicado integra o portfólio dos chamados Relatórios R, instrumentos centrais no processo de planejamento da transmissão conduzido pela EPE. Esses documentos são responsáveis por identificar, analisar e recomendar reforços estruturais em redes regionais e no Sistema Interligado Nacional (SIN), oferecendo base técnica para decisões de investimento, licitação e reforços compulsórios.
Os Relatórios R são, hoje, uma das principais ferramentas para garantir a confiabilidade e a economicidade do suprimento no país. Eles avaliam alternativas técnicas, simulam cenários operativos e consideram custos e benefícios para o conjunto de consumidores. Embora nem sempre resultem diretamente na recomendação de novas expansões, desempenham papel decisivo ao subsidiar decisões do Ministério de Minas e Energia (MME) e demais órgãos do setor elétrico.
Além dos estudos de reforço específicos, a EPE também desenvolve análises complementares no âmbito do planejamento setorial, respondendo a demandas estratégicas do governo federal. Essas avaliações podem envolver diagnósticos regionais, estudos de impacto, recomendações para leilões futuros ou análises sistêmicas associadas à transição energética e à integração de novas fontes renováveis ao SIN.
Alagoas em um momento de transição elétrica
As recomendações divulgadas chegam em um momento crítico para Alagoas, que passa por forte expansão de carga urbana e industrial e está em um dos corredores energéticos mais relevantes do Nordeste. A região já lida com desafios de tensão e carregamento em períodos específicos, especialmente em condições hidrometeorológicas desfavoráveis.
A nova linha Messias–Arapiraca III C1 deverá aliviar significativamente o sistema da região central do estado, ao passo que os reforços em Maceió e Rio Largo aumentam a robustez da rede de abastecimento da capital. Já o reforço de 69 kV para a Cidade Universitária atende a uma área de rápida expansão urbana e institucional, reduzindo riscos de contingência e melhorando a qualidade do fornecimento.
Com o estudo concluído, caberá agora ao MME e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avaliar o enquadramento das obras e, eventualmente, encaminhá-las a futuros leilões de transmissão, onde deverão ser contratadas via concessão. Esse é o processo típico para viabilizar investimentos desse porte, que envolvem prazos longos de implantação e elevada complexidade técnica.



