EPE propõe reforços de transmissão em Alagoas para garantir segurança elétrica até 2039

Estudo coordenado pela estatal identifica obras estruturantes em Arapiraca, Penedo e Maceió, com investimentos previstos de R$ 191 milhões para solucionar problemas de tensão e ampliar a confiabilidade da rede no Agreste e no Leste Alagoano

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou, nesta quarta-feira (11/12), o relatório “Solução para problema de tensão na região de Arapiraca e Penedo”, documento que detalha um conjunto de obras de transmissão consideradas essenciais para mitigar riscos operativos e garantir o atendimento elétrico em regiões estratégicas de Alagoas. O estudo reúne análises técnicas desenvolvidas pela Axia Energia (antiga Eletrobras) e pela Bambu Engenharia, sob coordenação da EPE e com a participação da Equatorial Alagoas, distribuidora responsável pelo fornecimento no estado.

Segundo o relatório, as regiões do Agreste e do Leste Alagoano, incluindo Maceió, Arapiraca e Penedo, apresentam desafios estruturais de tensão que tendem a se intensificar nos próximos anos, em função do crescimento da demanda e das limitações atuais da rede de transmissão. A partir dessa avaliação, a EPE recomenda um pacote de obras que envolve linhas, transformadores e reforços de distribuição, com impacto direto na confiabilidade do sistema.

Pacote de obras prioritárias para estabilidade elétrica

O conjunto de reforços proposto no estudo inclui quatro intervenções principais. A primeira delas é a implantação da linha de transmissão (LT) 230 kV Messias–Arapiraca III C1, com 119 km de extensão, considerada a espinha dorsal da solução para atender o Agreste. Em paralelo, o relatório propõe a instalação do terceiro transformador 230/69 kV de 200 MVA na subestação Maceió II, ampliando a capacidade de suprimento à capital. Outra obra recomendada é a inclusão do 4º transformador 230/69 kV de 100 MVA na subestação Rio Largo II, fundamental para aliviar carregamentos e assegurar margens de operação na região metropolitana. Por fim, o documento sugere a implantação da linha de distribuição 69 kV Maceió II – Cidade Universitária, reforçando o atendimento local e reduzindo vulnerabilidades.

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No total, os investimentos previstos alcançam aproximadamente R$ 191 milhões, cifra considerada necessária para garantir o atendimento às cargas da Equatorial Alagoas até 2039. O horizonte temporal reflete o compromisso do planejamento de transmissão em antecipar necessidades e orientar decisões do Poder Concedente.

Planejamento de transmissão: o papel dos Relatórios R

O estudo publicado integra o portfólio dos chamados Relatórios R, instrumentos centrais no processo de planejamento da transmissão conduzido pela EPE. Esses documentos são responsáveis por identificar, analisar e recomendar reforços estruturais em redes regionais e no Sistema Interligado Nacional (SIN), oferecendo base técnica para decisões de investimento, licitação e reforços compulsórios.

Os Relatórios R são, hoje, uma das principais ferramentas para garantir a confiabilidade e a economicidade do suprimento no país. Eles avaliam alternativas técnicas, simulam cenários operativos e consideram custos e benefícios para o conjunto de consumidores. Embora nem sempre resultem diretamente na recomendação de novas expansões, desempenham papel decisivo ao subsidiar decisões do Ministério de Minas e Energia (MME) e demais órgãos do setor elétrico.

Além dos estudos de reforço específicos, a EPE também desenvolve análises complementares no âmbito do planejamento setorial, respondendo a demandas estratégicas do governo federal. Essas avaliações podem envolver diagnósticos regionais, estudos de impacto, recomendações para leilões futuros ou análises sistêmicas associadas à transição energética e à integração de novas fontes renováveis ao SIN.

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Alagoas em um momento de transição elétrica

As recomendações divulgadas chegam em um momento crítico para Alagoas, que passa por forte expansão de carga urbana e industrial e está em um dos corredores energéticos mais relevantes do Nordeste. A região já lida com desafios de tensão e carregamento em períodos específicos, especialmente em condições hidrometeorológicas desfavoráveis.

A nova linha Messias–Arapiraca III C1 deverá aliviar significativamente o sistema da região central do estado, ao passo que os reforços em Maceió e Rio Largo aumentam a robustez da rede de abastecimento da capital. Já o reforço de 69 kV para a Cidade Universitária atende a uma área de rápida expansão urbana e institucional, reduzindo riscos de contingência e melhorando a qualidade do fornecimento.

Com o estudo concluído, caberá agora ao MME e à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) avaliar o enquadramento das obras e, eventualmente, encaminhá-las a futuros leilões de transmissão, onde deverão ser contratadas via concessão. Esse é o processo típico para viabilizar investimentos desse porte, que envolvem prazos longos de implantação e elevada complexidade técnica.

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