Novo boletim do PMO indica recuperação da ENA na região Norte para 86% da MLT; subsistema Nordeste mantém custo marginal zerado e armazenamento superior a 93%.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atualizou as projeções para o Sistema Interligado Nacional (SIN) no encerramento da primeira semana operativa de maio. De acordo com os dados do Programa Mensal de Operação (PMO), o destaque fica para a revisão altista na Energia Natural Afluente (ENA) da região Norte, que saltou de 79% para 86% da Média de Longo Termo (MLT) nas estimativas para o fechamento do mês.
Nas demais regiões, o cenário hidrológico apresenta uma configuração de estabilidade cautelosa. O subsistema Sul registra a segunda melhor estimativa, com 79% da MLT, seguido pelo Sudeste/Centro-Oeste com 76%. O Nordeste, por sua vez, enfrenta o cenário mais desafiador em termos de produtividade hidrológica, com previsão de afluências em 56% da média histórica.
Armazenamento e segurança do sistema
Apesar da disparidade nas afluências, os níveis de Energia Armazenada (EAR) seguem em patamares confortáveis em grande parte do país. O subsistema Norte lidera com 97,7% de sua capacidade, seguido de perto pelo Nordeste, com 93,4%. No Sudeste/Centro-Oeste, considerado a “caixa d’água” do país por abrigar 70% da capacidade de estocagem, a previsão é de que os reservatórios encerrem maio com 66,4%. No Sul, o índice projetado é de 42,6%.
Ao analisar a gestão do parque gerador e a confiabilidade do suprimento, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, enfatizou a continuidade da estratégia operacional: “Os indicadores para o final de maio estão estáveis em relação às primeiras projeções do mês. O Operador permanece otimizando a utilização dos recursos disponíveis, com o objetivo de garantir a manutenção da segurança e estabilidade do SIN.”
Expansão da carga e pressão na demanda
A demanda por energia no SIN mantém uma trajetória de crescimento robusta. As projeções para maio indicam um avanço de 4,4% na carga, alcançando 82.095 MWmed em comparação ao mesmo período de 2025. O crescimento é generalizado em todos os submercados, com o Nordeste liderando a expansão (5,8%), impulsionado pelo consumo regional e comportamento das temperaturas.
O subsistema Norte apresenta alta prevista de 4,8%, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste e o Sul devem registrar incrementos de 4,2% e 3,2%, respectivamente. Este aumento na carga coloca o ONS em uma posição de vigilância constante para equilibrar a oferta, especialmente nos horários de ponta.
Custo Marginal de Operação (CMO) e Preços
No que tange aos indicadores de custo, o mercado observa uma convergência de valores entre as principais regiões consumidoras. O CMO para o Sul e Sudeste/Centro-Oeste foi equalizado em R$ 312,74/MWh. No Norte, a maior disponibilidade hídrica resultou em um custo marginal ligeiramente inferior, fixado em R$ 289,25/MWh.
A situação mais singular permanece no Nordeste, onde a forte presença de fontes intermitentes e o nível elevado dos reservatórios permitem a manutenção do CMO em zero. Essa discrepância de preços entre os submercados reforça a importância das restrições de transmissão e da gestão dos fluxos de energia entre as regiões.



