GoodWe mira o agronegócio brasileiro e avalia instalar fábrica na América do Sul até 2030

Com soluções inovadoras como painéis BIPV e inversores híbridos, gigante chinesa amplia presença no Centro-Oeste e planeja transformar silos e armazéns em usinas solares

A expansão da energia solar no agronegócio brasileiro ganhou um novo capítulo com a intensificação da atuação da GoodWe, uma das maiores fabricantes globais de soluções fotovoltaicas. Com crescimento acelerado nas regiões agrícolas e um portfólio cada vez mais adaptado às necessidades do campo, a companhia avalia instalar sua segunda fábrica fora da China na América do Sul até 2030, com grande probabilidade de escolha pelo Brasil.

O movimento acompanha o avanço da energia solar distribuída em propriedades rurais e a crescente demanda por tecnologias capazes de reduzir perdas causadas pela instabilidade elétrica, um problema crônico em diversas regiões agrícolas do País. Com soluções como inversores híbridos, sistemas de dupla conversão e módulos fotovoltaicos ultraleves aplicáveis em silos e telhados, a GoodWe quer ocupar um espaço estratégico no setor que mais cresce dentro da companhia no Brasil.

Expansão estratégica e possível fábrica no Brasil

A entrada da GoodWe no mercado brasileiro ocorreu em 2018, impulsionada pela percepção de que o país apresenta forte demanda reprimida por infraestrutura elétrica confiável. Hoje, segundo a empresa, o agronegócio representa entre 20% e 25% das vendas, com expectativa de atingir 35% a 40% já em 2026.

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Durante entrevista, Fábio Mendes, vice-presidente da GoodWe na América Latina, revelou que a companhia considera instalar uma fábrica na região para atender o mercado latino-americano. Ele explica que o plano vem sendo estudado com profundidade e envolve investimentos significativos. “É um projeto para dezenas e dezenas de milhões.”

O executivo afirma que a decisão ainda não está tomada, mas antecipa o cronograma. “Em primeira mão posso dizer que até 2030 nós devemos ter uma fábrica aqui na América do Sul, grande chance de ser aqui no Brasil.”

A instalação seria estratégica para reduzir custos logísticos, acelerar entregas, fortalecer o atendimento técnico local e consolidar a marca no setor agropecuário, território onde a empresa cresceu mais rapidamente na última safra.

Infraestrutura frágil e demanda por confiabilidade no agro

Ao comentar a aposta estratégica no agronegócio, Mendes destacou que a deficiência histórica no fornecimento de energia no campo cria uma forte demanda por soluções de autonomia. Ele citou que a questão da qualidade da energia e a frequência dos blecautes no Brasil são os principais fatores impulsionadores do mercado. “A grande demanda hoje no mercado diz respeito à qualidade da energia, com a frequência com que ocorrem os blecautes no Brasil.”

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São cerca de 860 quedas anuais, número drasticamente superior a países como Alemanha, que registra pouco mais de dez por ano. O impacto no agronegócio é direto e potencialmente grave: sistemas de irrigação, climatização de silos e automação industrial exigem suprimento contínuo de energia para garantir produtividade e evitar perdas.

Nesse contexto de alta demanda por autonomia no agronegócio, as soluções oferecidas pela GoodWe, em especial inversores híbridos, baterias e sistemas de estabilização, ganham centralidade. Mendes destacou o principal valor que a empresa aporta ao mercado. “O grande valor que nós aportamos aí no mercado solar, olhando o agronegócio, são justamente as soluções para interrupção de energia.”

Centro-Oeste lidera demanda por usinas solares e tecnologias de backup

A empresa identifica no Centro-Oeste o maior potencial de crescimento. Estados como Mato Grosso e Goiás concentram grandes propriedades, alto consumo energético e infraestrutura insuficiente. Segundo Mendes, “O Centro-Oeste, sem dúvida nenhuma, é o grande celeiro para essas oportunidades.”

A GoodWe atua com equipes técnicas diretamente em campo para levantamento de dados, desenvolvimento de projetos e suporte aos integradores, responsáveis pela execução local. A estratégia combina proximidade com o cliente e rede descentralizada de instaladores, permitindo adequar cada solução à realidade elétrica de cada propriedade.

BIPV: silos, armazéns e telhados transformados em plantas solares

A inovação mais recente da empresa no Brasil é o BIPV (Building-Integrated Photovoltaics), tecnologia que substitui os painéis tradicionais por módulos ultraleves e flexíveis aplicados diretamente em superfícies como fachadas, telhados e até silos.

Rafael Carvalho, gerente de BIPV da GoodWe, explica que a tecnologia já está sendo utilizada no Mato Grosso e tem enorme potencial para o agro. “A ideia é a gente trabalhar com fachadas fotovoltaicas, as coberturas fotovoltaicas, as telhas fotovoltaicas, em vez de trabalhar sempre com o mesmo painel quadradão.”

Ele detalha que o painel, revestido com camada de vidro resistente a granizo, oferece durabilidade de 30 anos e peso até seis vezes menor que módulos convencionais. A leveza reduz custos de estrutura, elimina necessidade de furos e permite instalação em áreas onde estruturas tradicionais seriam inviáveis.

“Se você quer fazer uma cobertura em cima de silo, você não quer furar o seu silo e ter risco de infiltrar alguma coisa e comprometer todo o seu armazenamento.”

Carvalho destaca ainda que o BIPV reduz a mão de obra necessária em até 60% e permite instalações até 80% mais rápidas.

Retorno financeiro acelerado para o agronegócio

Os investimentos em energia fotovoltaica variam conforme irradiação solar, acesso à rede e custo da energia regional. Ainda assim, Mendes ressalta que produtores rurais tendem a obter retornos mais rápidos do que outros setores devido às altas perdas associadas à instabilidade da rede.

“Quando o cliente põe na ponta do lápis, na planilha, todas as despesas, todos os prejuízos que ele já vem tendo, ano a ano, com a instabilidade de energia ou a cada blecaute, pode ter um retorno até menor que quatro anos.”

A combinação de economia direta, redução de perdas, maior autonomia e valorização patrimonial tem impulsionado a adoção das tecnologias da GoodWe nas regiões agrícolas.

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