Chamada pública do programa Nova Indústria Brasil visa projetos estratégicos em inovação, sustentabilidade e setores energéticos no Nordeste
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou, nesta quinta-feira, em Recife (PE), a maior chamada de projetos da história da indústria do Nordeste, disponibilizando R$ 10 bilhões em crédito para iniciativas voltadas à inovação, reindustrialização e desenvolvimento sustentável.
A chamada integra o programa Nova Indústria Brasil (NIB) e busca fomentar setores estratégicos como armazenamento de energia, hidrogênio verde, bioeconomia com ênfase em fármacos, data centers verdes, indústria automotiva e tecnologias para a agricultura familiar.
O evento marcou a convergência de múltiplas instituições de fomento federal, incluindo BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Finep, com suporte técnico da Sudene e do Consórcio Nordeste, reforçando o compromisso de apoiar projetos estruturantes e de alta relevância regional.
Investimentos estratégicos e apoio a MPMEs
Para a diretora de Crédito Digital para MPMEs e Gestão do Fundo Rio Doce do BNDES, Maria Fernanda Coelho, a iniciativa representa uma oportunidade concreta para ampliar a competitividade da indústria nordestina:
“Nosso grande desafio é comunicar aos empresários da região que temos um potencial enorme de investimentos e os instrumentos financeiros adequados. Desde 2023, o Banco já aprovou, na Nova Indústria Brasil (NIB), cerca de R$ 223 bilhões em projetos para o setor produtivo. Deste total, 61% foram para micro, pequenas e médias empresas. Este ano, ampliamos a meta para R$ 300 bi. Ou seja, é um recurso que está disponível para todos.”
O presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Bruno Veloso, destacou a importância da chamada para gerar emprego e renda. “Essa iniciativa chega em uma hora muito importante, onde o otimismo vem caindo. Então, essa chamada, com os bancos trazendo uma nova linha de crédito com juros menores, traz um novo ambiente e condição para gerar emprego e renda para toda população.”
Setores prioritários e potencial de inovação energética
A chamada permite que empresas e cooperativas apresentem projetos que envolvam infraestrutura física, aquisição de equipamentos, plantas-piloto, contratação de pessoal qualificado e desenvolvimento tecnológico em parceria com universidades e centros de pesquisa, além de recursos para capital de giro e engenharia.
Carlos Eduardo Gabas, secretário-executivo do Consórcio Nordeste, ressaltou o caráter estratégico da iniciativa. “O Conselho Nordeste está trabalhando ativamente para identificar os setores que têm maior potencial para disputar esses recursos. Temos certeza que os R$ 10 bilhões desta chamada são apenas o primeiro passo. Queremos que todas as áreas sejam alcançadas por esses recursos aqui no Nordeste.”
Para Márcio Stefani, diretor Financeiro, de Crédito e Captação da Finep, a ação reforça a disponibilidade de recursos públicos para inovação. “Essa chamada é uma política pública inédita e queremos dizer ‘Nordeste, temos R$ 10 bi para financiar suas iniciativas’. Desde que assumimos, em 2023, os recursos liberados pela Finep para Pernambuco somam mais de R$ 400 milhões. E nós queremos aumentar isso.”
Pernambuco como hub de desenvolvimento sustentável e energia limpa
O secretário executivo de Energia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco, Guilherme Sá, destacou o potencial do estado como polo de atração de investimentos e inovação:
“Todas as verticais da chamada Nordeste encontram, no nosso estado, um celeiro fértil. Trazer o ecossistema empresarial e as ICTs (instituições científicas, tecnológicas e de inovação) é uma oportunidade de aproximar esses elos, fazer com que conversem e apresentem bons projetos. Acreditamos muito no potencial de Pernambuco para a chamada, e estamos dispostos a apoiar esses projetos na interlocução com os bancos federais e a Finep.”
As instituições parceiras disponibilizarão diferentes modalidades de apoio, como crédito, subvenção econômica não reembolsável e participação societária, garantindo a viabilidade financeira de projetos de diferentes portes, inclusive no setor energético.
Prazos e execução da chamada
As propostas devem ser submetidas até 15 de setembro de 2025, com avaliação até 28 de novembro. O Plano de Suporte Conjunto será formalizado até 15 de janeiro de 2026, e a partir de 16 de janeiro de 2026, os projetos selecionados entrarão na fase de contratação e execução, iniciando a implementação de iniciativas estratégicas e de inovação em toda a região.



