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Gargalos de infraestrutura em Mato Grosso impõem modelo híbrido para a transição energética

Gargalos de infraestrutura em Mato Grosso impõem modelo híbrido para a transição energética

Presidente do Sindenergia-MT alerta que eletrificação total é inviável no curto prazo devido ao custo de expansão; debate sobre soluções regionais será o foco do Encontro da Indústria 2026.

A eletrificação integral da economia mato-grossense enfrenta barreiras estruturais que tornam o processo distante da realidade atual. As limitações da rede de distribuição e transmissão, somadas ao elevado custo de expansão dos ativos, impedem que o estado dependa exclusivamente da eletricidade para mover seus setores produtivos. Diante desse cenário, a tese de uma matriz energética diversificada e regionalizada ganha força entre os especialistas do setor.

O tema centralizará as discussões do Encontro da Indústria do Setor Elétrico 2026, que será realizado nos dias 12 e 13 de maio, em Cuiabá. O evento, promovido pelo Sindenergia-MT, busca traçar caminhos práticos para a transição energética estadual sem comprometer a modicidade tarifária.

O desafio da infraestrutura e o impacto na tarifa

A expansão da malha elétrica em um estado de dimensões continentais como Mato Grosso exige investimentos bilionários que, no modelo regulatório vigente, são repassados aos consumidores. Para as lideranças industriais, acelerar esse processo sem um planejamento criterioso resultaria em um peso insustentável na conta de luz da população.

Ao analisar a inviabilidade de um avanço unilateral da rede, o presidente do Sindenergia-MT, Carlos Garcia, destaca os impedimentos econômicos: “Eu não consigo eletrificar o estado de uma vez só, porque não tem infraestrutura elétrica para isso. Precisaria de muito investimento e isso iria para a tarifa e a população pagaria ainda mais caro. Então não conseguimos fazer.”

Regionalização e o papel dos biocombustíveis

A alternativa defendida pelo setor elétrico mato-grossense é a adoção de um modelo híbrido. A estratégia consiste em integrar a energia elétrica a outras fontes abundantes no estado, como o biometano e a biomassa, aproveitando os resíduos da forte atividade agroindustrial local.

A proposta sugere que o avanço tecnológico deve respeitar as vocações regionais: áreas com rede robusta seguem com a eletrificação, enquanto regiões isoladas ou com infraestrutura precária utilizam soluções de geração local.

Em sua visão sobre a complementaridade das fontes, Garcia reforça a necessidade de pragmatismo técnico: “Todas as fontes são importantes e complementares. Nenhuma delas é capaz de atender toda a demanda sozinha.”

Ele ainda detalha como essa diversificação deve ocorrer na prática: “Em locais onde não tem infraestrutura elétrica suficiente, a gente precisa trabalhar com o que tem ali. Se há potencial para biometano ou biomassa, é isso que deve ser explorado.”

Encontro da Indústria 2026: Foco em soluções práticas

O debate técnico em Cuiabá deve reunir investidores e representantes do setor produtivo para discutir a aplicação prática de tecnologias que reduzam custos operacionais. O foco está em evitar que a transição energética se torne um entrave à competitividade da indústria mato-grossense.

Além da infraestrutura, o encontro abordará como a geração a partir de resíduos pode aliviar a pressão sobre o Sistema Interligado Nacional (SIN) em áreas críticas. A expectativa é que o evento gere novos negócios e apresente modelos de financiamento para projetos que integrem diferentes vetores energéticos no estado.