Estudo detalha integração de baterias de 100 MW para reforçar atendimento em Feijó e Cruzeiro do Sul; solução deve compor plano de outorgas ainda em 2026.
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apresentou, em workshop realizado no dia 27 de abril de 2026, uma solução inovadora para superar gargalos históricos no suprimento de energia do Acre. O planejamento foca na integração de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) para aumentar a robustez de Feijó e Cruzeiro do Sul, municípios recém-interligados ao Sistema Interligado Nacional (SIN), mas que ainda operam sob risco de interrupções em caso de contingências (critério N).
A estratégia, desenvolvida a pedido do Ministério de Minas e Energia (MME), busca equilibrar rapidez de implementação, viabilidade econômica e redução de impactos ambientais na região amazônica.
O papel do BESS: Flexibilidade e formação de rede
Para o horizonte de curto prazo, a EPE recomenda a instalação de um sistema BESS de 100 MW / 200 MWh, conectado ao barramento de 69 kV da Subestação Cruzeiro do Sul. A escolha técnica baseia-se na capacidade de resposta rápida dessas unidades e na funcionalidade grid-forming (formadora de rede), essencial para sistemas complexos que carecem de usinas despacháveis pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O Diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, Reinaldo Garcia, ressalta a importância da tecnologia para a modernização do setor: “A análise da EPE mostra que um sistema BESS com características grid-forming é uma solução viável, eficiente no curto prazo, complementando então a expansão estrutural da rede. O armazenamento vem ganhando espaço no mundo inteiro e exatamente por isso o armazenamento passa a ter um papel central na flexibilidade, na velocidade de resposta e na capacidade de apoiar sistemas cada vez mais complexos”.
Viabilidade econômica frente à geração térmica
Um dos pontos de maior destaque do estudo é a competitividade financeira. Segundo a análise técnica, o custo total da solução de armazenamento é de quatro a oito vezes menor se comparado ao despacho de uma Usina Termelétrica (UTE) na base para garantir o atendimento.
Além da economia direta, o sistema de baterias oferece serviços ancilares fundamentais, como controle de tensão e peak shaving. No longo prazo, após a entrada de novos circuitos de transmissão de 230 kV entre Tucumã, Feijó e Cruzeiro do Sul, o BESS continuará sendo estratégico para garantir a confiabilidade mesmo sob condições de contingência dupla (N-2).
Cronograma de outorgas e leilão
A solução técnica não ficará restrita ao papel. O Diretor do Departamento de Planejamento e Outorgas de Transmissão do MME, Guilherme Zanetti, revelou que a proposta será integrada ao plano de outorgas de transmissão ainda em 2026 para consulta pública. A expectativa é que o projeto seja incluído em leilão de transmissão já em 2027.
Sobre o processo de validação junto à sociedade, Zanetti enfatizou a abertura para o diálogo setorial: “O mercado, o setor, os agentes interessados e a sociedade poderão prestar as contribuições, os questionamentos que forem pertinentes”.
Mitigação de impactos socioambientais
Dada a sensibilidade ambiental do Acre, o estudo contemplou um diálogo estreito com o Ibama para o Relatório R1. A solução estrutural de longo prazo prevê o aproveitamento de estruturas de circuito duplo já existentes na linha Feijó – Cruzeiro do Sul, minimizando a necessidade de novas supressões vegetais e reduzindo riscos de implantação.
Com essa abordagem híbrida, combinando a agilidade das baterias com a robustez da transmissão convencional, a EPE desenha um novo padrão para o atendimento de regiões isoladas e pontas de sistema no Brasil.



