Projeções do Programa Mensal de Operação (PMO) indicam avanço no armazenamento hídrico e crescimento de 2,7% na demanda por energia no Sistema Interligado Nacional.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) apresentou, nesta sexta-feira (24), as perspectivas operacionais para o mês de maio de 2026, sinalizando um cenário de relativa estabilidade para o suprimento energético do país. Segundo os dados consolidados no Informe do PMO, os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste, o principal pulmão de armazenamento do Sistema Interligado Nacional (SIN), devem encerrar o próximo mês com 68,5% de sua capacidade máxima.
O índice projetado representa um avanço gradual em relação ao patamar inicial de 66,6% registrado em 24 de abril. Esse incremento reflete a aplicação de cenários de afluência que buscam capturar com maior precisão a ocorrência de precipitações remanescentes e seus efeitos diretos sobre as Energias Naturais Afluentes (ENA), que no Sudeste/Centro-Oeste devem atingir 70% da Média Longo Termo (MLT) na semana operativa.
Dinâmica da Carga e Comportamento do Consumo
A par do desempenho hídrico, o ONS estima que a carga de energia elétrica no país mantenha uma trajetória de expansão sustentada. Para maio, a projeção indica uma elevação de 2,7% no comparativo com o mesmo período do ano anterior, totalizando uma média mensal de 80.790 megawatts médios (MWmed). No detalhe regional, os subsistemas Nordeste e Norte lideram o crescimento, ambos com previsão de alta de 5,8% em relação a maio de 2025.
Este crescimento na demanda é um indicador monitorado de perto por agentes de comercialização e grandes consumidores, uma vez que influencia o Custo Marginal de Operação (CMO). Embora a formação de preço siga o modelo horário via DESSEM desde 2021, o acompanhamento das premissas semanais do PMO permanece como a bússola fundamental para o planejamento estratégico do setor.
Equilíbrio entre Subsistemas e Armazenamento
Os demais subsistemas do SIN também apresentam níveis de armazenamento que sustentam a segurança operativa. A previsão para o fechamento de maio aponta uma recuperação expressiva no Sul, que deve saltar de um nível inicial de 30% para 54,4%. Já o Nordeste e o Norte seguem em patamares confortáveis, com EARmáx projetada em 94,5% e 97,9%, respectivamente.
A robustez dos reservatórios nas regiões Norte e Nordeste permite uma gestão flexível do intercâmbio de energia, otimizando o uso das fontes renováveis e mitigando a necessidade de acionamento massivo de parques térmicos de alto custo. A ENA mensal projetada para o Sul é o destaque positivo, estimada em 97% da MLT, sinalizando um outono com melhor recomposição hídrica para a região.
Despacho Térmico e Formação de Preço
Mesmo com o cenário hídrico favorável em grande parte do país, o Operador mantém o despacho térmico programado para garantir a estabilidade do sistema e o atendimento aos picos de carga. O custo de operação esperado para a semana de 25 de abril a 01 de maio é de R$ 295,2 milhões. Para a primeira semana de maio, o despacho total do SIN está previsto em 5.388 MWmed, sendo a maior fatia (4.313 MWmed) composta por geração inflexível.
As premissas detalhadas pelo ONS visam mitigar as incertezas hidrometeorológicas de curto prazo. Com o armazenamento do Sudeste/Centro-Oeste em trajetória de ligeira ascensão e o CMO médio semanal para o subsistema fixado em R$ 231,16/MWh, o setor elétrico inicia o mês de maio com condições técnicas para suportar o avanço da carga sem pressões imediatas e disruptivas sobre os custos operativos.



