Companhia mineira adota equipamentos com óleo vegetal biodegradável como norma para novas instalações; tecnologia amplia segurança contra incêndios e permite maior carregamento de carga.
A Cemig acelerou o cronograma de modernização de sua rede de distribuição com foco em sustentabilidade e segurança operacional. A companhia destinou recentemente R$ 165 milhões para a instalação de 17.200 novos transformadores que utilizam óleo isolante de origem vegetal, renovável e biodegradável. A iniciativa, que já resultou na instalação de dezenas de milhares de unidades, marca uma transição definitiva: a empresa estabeleceu como meta a aquisição exclusiva de tecnologias sustentáveis para sua área de concessão.
A mudança, percebida visualmente pela cor verde dos novos equipamentos nos postes, substitui o tradicional óleo mineral. Embora a estética chame a atenção, a decisão é fundamentada em ganhos técnicos robustos, especialmente no que tange à estabilidade térmica e à redução drástica de riscos ambientais em caso de vazamentos.
Superioridade térmica e segurança em centros urbanos
O diferencial técnico dos transformadores “verdes” reside nas propriedades físico-químicas do fluido vegetal. Enquanto o óleo mineral convencional possui um ponto de fulgor entre 140 °C e 160 °C, o fluido de base vegetal supera os 300 °C. Essa característica torna o equipamento classificado como menos inflamável, sendo a solução ideal para instalação em edifícios, indústrias e áreas de grande circulação de pessoas.
Ao detalhar as vantagens operacionais dessa troca tecnológica, o engenheiro de Gestão de Ativos da Distribuição da Cemig, Pablo Senna Oliveira, enfatizou que o óleo vegetal garante maior estabilidade térmica, maior capacidade de refrigeração, menor impacto ambiental e também um risco muito menor de incêndio.
O especialista aponta que a robustez do material permite um desempenho superior sob estresse de carga: “Esses transformadores possuem óleo vegetal com um ponto de fulgor superior, permitindo carregar o equipamento com uma carga maior do que os convencionais à base de óleo mineral e proporcionando mais segurança à rede e aos clientes.”
Inovação em materiais: do polietileno verde à autorregulação
A estratégia de descarbonização da Cemig estende-se para além dos transformadores. A distribuidora iniciou testes com o chamado “Cabo Green”, uma tecnologia que substitui o polietileno derivado de petróleo por uma versão produzida a partir da cana-de-açúcar. Cerca de 300 metros dessa rede já foram instalados em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, testando a viabilidade de materiais renováveis em condutores elétricos.
Em outra frente de inovação, a companhia lançou os transformadores SmartGreen. Essa tecnologia une a sustentabilidade do óleo vegetal à inteligência de rede, adicionando sistemas de autorregulação dos níveis de tensão que chegam às unidades consumidoras. O resultado é um fornecimento com menores oscilações e maior alinhamento aos requisitos de redes inteligentes (smart grids).
Liderança em índices de sustentabilidade
O avanço tecnológico da Cemig reflete sua posição em mercados globais de capitais. A companhia permanece como a única empresa do setor elétrico fora da Europa a integrar o Índice Dow Jones de Sustentabilidade e é signatária do movimento Net Zero das Nações Unidas.
Ao consolidar o uso de ativos biodegradáveis, a distribuidora mineira não apenas atende a requisitos rigorosos de segurança, mas também blinda sua operação contra passivos ambientais, transformando a rede de distribuição em um ativo estratégico para um futuro de emissões líquidas zero.



