Digitalização, dados e inteligência artificial transformam o papel do gestor e tornam a execução de projetos um vetor estratégico da descarbonização
A transição energética global não será conduzida apenas por novas tecnologias de geração, armazenamento ou redes elétricas. Ela será, cada vez mais, um fenômeno orientado por projetos, exigindo uma profunda transformação na forma como empreendimentos são planejados, executados e monitorados. Nesse contexto, a gestão de projetos desponta como um dos pilares críticos para viabilizar a expansão de fontes renováveis, a modernização da infraestrutura energética e a descarbonização de setores intensivos em energia.
Segundo estimativas do Project Management Institute (PMI), o mundo deverá demandar cerca de 30 milhões de novos profissionais de gestão de projetos até 2035, impulsionado pelo aumento da complexidade dos investimentos, pela pressão por eficiência operacional e pela necessidade de tomada de decisão em tempo real. O setor de energia, diretamente impactado pela transição energética, figura entre os maiores demandantes desse novo perfil profissional.
Do executor ao estrategista da transição energética
Mais do que um aumento quantitativo, o movimento representa uma mudança qualitativa profunda no papel do gestor de projetos. A função, tradicionalmente associada ao acompanhamento de cronogramas e orçamentos, passa a assumir um caráter mais estratégico, orientado por dados, integração tecnológica e visão sistêmica.
Especialistas do setor apontam que o gestor deixa de ser apenas um executor para atuar como um intérprete de dados e estrategista, capaz de antecipar riscos, otimizar recursos e alinhar a execução dos projetos aos objetivos de negócio e às metas de sustentabilidade das organizações. Essa evolução é particularmente relevante no setor elétrico, onde atrasos, falhas operacionais ou decisões mal calibradas podem gerar impactos significativos em custos, segurança e confiabilidade do sistema.
Tecnologia como catalisadora da nova gestão
Essa transformação é sustentada pelo avanço acelerado de tecnologias digitais. Plataformas de automação, sistemas de análise de dados e, mais recentemente, soluções baseadas em inteligência artificial estão redefinindo o modo como projetos são planejados e acompanhados, especialmente em ambientes industriais e energéticos de alta complexidade.
Ao analisar a maturidade digital do setor, o CEO da Trackfy, Túlio Cerviño, enfatiza que a visibilidade de dados deixou de ser um recurso acessório para se tornar um pilar de governança. Para o executivo, a capacidade de antecipar cenários é o que redefine a liderança em ambientes de alta complexidade.
“Quando você transforma dados em visibilidade, transforma também a forma de liderar. Hoje, a tecnologia já é capaz de prever gargalos antes que eles ocorram, ajustar cronogramas automaticamente e até recomendar decisões com base em dados históricos de dados”, destaca Cerviño.
IIoT e dados em tempo real ganham escala no Brasil
A consolidação dessa abordagem é reforçada pelo crescimento do mercado de Internet Industrial das Coisas (IIoT). De acordo com levantamento da Grand View Research, o segmento no Brasil deverá atingir uma receita de US$ 13,7 bilhões até 2030, evidenciando o apetite da indústria por soluções capazes de conectar ativos, pessoas e processos em tempo real.
Ao analisar a evolução do gerenciamento de grandes obras, Túlio Cerviño correlaciona a eficácia da liderança à qualidade da informação disponível. O uso de dados históricos e em tempo real eleva o patamar da gestão de ativos para um nível de precisão preditiva.
“A gestão de projetos, quando apoiada em dados, deixa de ser apenas um acompanhamento de tarefas e passa a transformar informação em ação antes mesmo que um problema surja”, reforça.
Segurança, produtividade e eficiência operacional
Nos setores críticos da economia, a aplicação dessas tecnologias vai além da produtividade. Em ambientes industriais, onde riscos operacionais são elevados, a análise de dados em tempo real passa a ser também um instrumento de segurança.
A aplicação prática da inteligência de dados transcende a produtividade e atua como uma camada crítica de segurança em operações complexas. Segundo o CEO da Trackfy, Túlio Cerviño, a visibilidade em tempo real é o que permite transformar ambientes industriais de alto risco em ecossistemas resilientes e ágeis.
“Em ambientes industriais, por exemplo, cada minuto faz diferença. Para se ter uma ideia, a análise de dados em tempo real pode literalmente salvar vidas — identificando a permanência de pessoas em áreas de risco e reduzindo em até 50% o tempo de evacuação em situações de emergência”, pontua Cerviño.
Projetos como extensão da inteligência operacional
Com atuação consolidada em verticais intensivas em capital, como energia, óleo e gás, mineração e agronegócio, a Trackfy tem posicionado o gerenciamento de ativos como um pilar indissociável da inteligência operacional. Essa abordagem estratégica tem inserido a companhia em centros globais de excelência, culminando no patrocínio ao PMI Global Summit Brasil, o maior fórum nacional de gestão de projetos.
Durante o evento, que reuniu lideranças para debater o papel da automação em projetos de infraestrutura, Túlio Cerviño ressaltou a transição de um modelo de controle para um modelo de orquestração analítica
“O mercado vive uma mudança de paradigma: não se trata mais de controlar tarefas, mas de orquestrar informações com inteligência. Nossa missão é provar que dados e tecnologia não substituem o gestor — eles o potencializam”, concluiu.
Escala, consolidação e impacto no setor de energia
Com atuação em mais de 15 plantas industriais e clientes como Acelen, Saudi Aramco, Braskem, Usiminas, São Martinho e Tronox, a Trackfy vem registrando crescimento acelerado. Desde a fundação, a empresa multiplicou seu faturamento em mais de 40 vezes e figura em rankings como 100 Startups To Watch e 100 Open Startups.
A recente união com a WakeCap, empresa sediada na Arábia Saudita com atuação global, amplia o alcance internacional da companhia e reforça sua presença em projetos industriais de grande escala, muitos deles diretamente ligados à expansão da infraestrutura energética e à transição para uma economia de baixo carbono.



