ANEEL lança sistema RADAR para monitoramento em tempo real das interrupções de energia no país

Ferramenta digital permitirá ao consumidor visualizar, em tempo real, falhas no fornecimento de energia em sua região. Distribuidoras têm até janeiro de 2026 para se adequar às novas exigências de transparência e resposta.

Em mais um passo rumo à modernização e à transparência no setor elétrico, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) apresentou nesta sexta-feira (8/8), em Brasília, o sistema RADAR, uma ferramenta digital inovadora que permitirá o acompanhamento, em tempo real, das interrupções no fornecimento de energia elétrica em todo o território nacional. O anúncio foi feito a dirigentes das maiores distribuidoras do país, que terão até janeiro de 2026 para se adaptar integralmente ao novo modelo.

A reunião contou com a presença do diretor-geral da ANEEL, Sandoval Feitosa, da diretora Agnes da Costa, do diretor Daniel Danna e do superintendente de Mediação Administrativa e das Relações de Consumo, André Ruelli, que realizou a apresentação técnica do sistema ao lado de Daniel Ribeiro, coordenador do projeto.

Segundo Feitosa, a novidade representa uma inflexão na forma como o setor se comunica com o consumidor. “O RADAR representa uma mudança de paradigma. É um compromisso com a transparência, com a informação clara, com o tempo de resposta e, acima de tudo, com o consumidor”, afirmou o diretor-geral.

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Transparência em tempo real para o consumidor

O RADAR será acessível a qualquer cidadão por meio do aplicativo ANEEL Consumidor ou pelo site da Agência, dentro da seção de relatórios e indicadores interativos de distribuição. A plataforma permitirá visualizar o número de consumidores sem energia em determinada área, com atualizações contínuas e interface responsiva.

Com dados fornecidos de forma automática, auditável e segura, o sistema não apenas melhora a experiência do consumidor, como também fortalece as ações de fiscalização, ouvidoria e análise de desempenho das distribuidoras por parte da Agência.

O projeto piloto já está em operação com a distribuidora CPFL Santa Cruz, que está colaborando na fase de testes para validar a viabilidade técnica e a performance do sistema em ambiente real.

Novas obrigações para distribuidoras

Além de se adaptarem tecnologicamente, as distribuidoras deverão seguir novos protocolos. Um dos principais é o envio obrigatório à ANEEL, em até 15 minutos após a identificação de uma interrupção, da previsão de restabelecimento do serviço. O não cumprimento poderá ensejar ações fiscalizatórias e sanções por parte da Agência.

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De acordo com a ANEEL, o prazo até janeiro de 2026 foi estabelecido para permitir que as concessionárias ajustem seus sistemas internos e garantam o envio contínuo e confiável das informações.

Ferramenta estratégica frente a eventos climáticos extremos

O RADAR foi desenvolvido desde 2023 com rigorosa observância à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e integra um portfólio mais amplo de iniciativas digitais da ANEEL. O objetivo é ampliar os direitos dos consumidores e preparar o setor para desafios contemporâneos, como os eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes e intensos, que têm impactado diretamente a continuidade dos serviços de energia no Brasil e no mundo.

“Esse é um passo estrutural importante para fortalecer a regulação, melhorar a prestação de serviços e permitir respostas mais ágeis e transparentes em momentos críticos. Estamos olhando para o futuro com foco em eficiência e em respeito ao cidadão brasileiro”, afirmou André Ruelli durante a apresentação.

Modernização regulatória e inteligência de dados

A nova ferramenta também servirá como base para a inteligência de dados da ANEEL, otimizando o uso de recursos públicos e subsidiando decisões regulatórias mais precisas. Ao centralizar e padronizar os dados das distribuidoras, o RADAR viabiliza diagnósticos em tempo real e permite um acompanhamento mais eficaz do desempenho das empresas concessionárias.

O lançamento do RADAR reforça a prioridade da ANEEL em promover inovação regulatória, digitalização das redes e fortalecimento da relação com os consumidores. “O cidadão quer saber, com agilidade e clareza, o que está acontecendo quando falta energia. E agora ele terá essa resposta na palma da mão”, concluiu Feitosa.

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