Transição energética justa coloca consumidor no centro, defende Gerusa Cortês, da CCEE

Executiva da CCEE ressalta a importância da abertura do mercado livre para consumidores regulados durante painel no EVEx Lisboa

Nesta quarta-feira (9), Gerusa Cortês, vice-presidente do Conselho de Administração da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), destacou a importância de colocar o consumidor como figura central na transição energética, durante um painel sobre o mercado livre de energia no EVEx Lisboa. O evento, que reuniu grandes players do setor de energia da região Ibérica e América Latina, abordou temas estratégicos relacionados à abertura do mercado de energia e à transição energética rumo a um futuro mais sustentável.

Ao participar da discussão, Gerusa enfatizou que uma transição energética só pode ser considerada justa se for orientada pelos interesses e necessidades dos consumidores. “Só podemos falar de transição energética justa, se colocarmos o consumidor como figura central”, afirmou a executiva. Ela ainda reforçou que a CCEE está empenhada em promover uma abertura eficiente e segura do mercado livre, que beneficie tanto o setor quanto os consumidores.

Desafios do Mercado Brasileiro

Durante sua apresentação, Gerusa Cortês explicou que o arcabouço regulatório do setor elétrico brasileiro foi desenvolvido nos anos 1990, e, apesar dos avanços e ajustes ao longo dos últimos 25 anos, ainda há desafios significativos para garantir que a transição energética aconteça de maneira justa e equilibrada. “Mesmo com os aprimoramentos ocorridos ao longo dos anos, o setor ainda precisa olhar com cuidado para o momento de abertura do mercado”, comentou.

- Advertisement -

Ela lembrou que a expansão do mercado de energia no Brasil sempre esteve atrelada à realização de leilões que garantiam contratos de longo prazo para distribuidoras de energia. Essas empresas, responsáveis por fornecer eletricidade aos consumidores regulados, desempenham um papel fundamental na sustentabilidade do setor. “Precisamos de um olhar muito cuidadoso para o mercado regulado, no qual as distribuidoras atuam e precisam que seu negócio continue sustentável”, destacou Gerusa.

A preocupação da executiva é garantir que a transição para o mercado livre não prejudique as distribuidoras nem os consumidores que ainda dependem do mercado regulado. Essa transição precisa ser feita de forma gradual, respeitando o equilíbrio financeiro do setor e oferecendo segurança jurídica para todos os envolvidos.

Liberdade de Escolha e o Papel do Consumidor

Apesar dos desafios, Gerusa Cortês acredita que a abertura do mercado livre é um movimento necessário e muito desejado pelos consumidores. De acordo com ela, o desejo pela liberdade de escolha no fornecimento de energia é algo que vem crescendo nos últimos anos. “Apenas neste ano, até o mês de setembro, a migração de consumidores para o mercado livre de energia superou em 150% o total de migrações realizadas em 2023 inteiro”, destacou.

Esse aumento expressivo na migração demonstra que os consumidores brasileiros estão cada vez mais interessados em buscar alternativas no mercado livre, seja por preços mais competitivos, seja pela possibilidade de escolher fornecedores que operam exclusivamente com energia limpa. A vice-presidente da CCEE ressaltou que essa liberdade de escolha é uma peça-chave para impulsionar a transição energética no Brasil. “Esse número é particularmente importante, pois demonstra o quão relevante será o papel do consumidor na transição energética”, afirmou.

- Advertisement -

Ao migrarem para o mercado livre, os consumidores ganham a opção de negociar diretamente com fornecedores e priorizar a compra de energia de fontes renováveis, como a solar e a eólica. Esse movimento não apenas oferece preços mais atrativos, mas também contribui para a expansão da matriz energética sustentável do país. “A migração dos consumidores ao mercado livre ajuda a fomentar a transição energética por meio da sustentabilidade ambiental”, disse Gerusa.

Debate no EVEx Lisboa

O painel moderado por Ana Luís de Sousa, secretária executiva da APE – Associação Portuguesa da Energia, reuniu outros especialistas para debater o mercado de energia. Além de Gerusa Cortês, participaram Ricardo Nunes, diretor de estratégia do The Iberian Energy; Camila Schoti, diretora executiva de Marketing & Growth da (re)energis; e Guillermo Soler, diretor-geral da Endesa Portugal.

Durante o debate, os especialistas discutiram as oportunidades e desafios para a expansão do mercado livre de energia na Europa e na América Latina. Foram abordados temas como regulação, inovação tecnológica, descarbonização e o papel crescente das fontes renováveis. Em um cenário global de transição energética, os consumidores emergem como protagonistas, impulsionando mudanças no mercado por meio de suas escolhas e demandas.

O EVEx Lisboa, realizado na Reitoria da Universidade NOVA de Lisboa, nos dias 8 e 9 de outubro, é um dos principais eventos do setor, reunindo lideranças e tomadores de decisão para discutir o futuro da energia na região Ibérica e na América Latina.

Destaques da Semana

Artigos

Últimas Notícias