Volume chegou a 6,002 milhões de boe/d, com alta de 18,4% na produção de petróleo em 12 meses e participação de 82,6% do pré-sal
A produção brasileira de petróleo e gás natural superou pela primeira vez a marca de 6 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d) em agosto de 2026. Segundo o Boletim Mensal de Produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o país registrou 6,002 milhões de boe/d, resultado de 4,615 milhões de barris/dia de petróleo e 220,55 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural.
Na comparação com agosto de 2025, a produção de petróleo avançou 18,4%, enquanto a de gás natural cresceu 16,8%. Na margem, os dois indicadores aumentaram 2,6% em relação a julho. A expansão mantém o offshore, especialmente os campos do pré-sal, como principal vetor do crescimento da produção nacional.
Pré-sal responde por 82,6% da produção
A produção do pré-sal alcançou 4,959 milhões de boe/d em agosto, equivalente a 82,6% do total produzido no país. O volume resultou de 3,842 milhões de barris/dia de petróleo e 177,58 milhões de m³/d de gás natural, provenientes de 203 poços produtores.
A concentração da produção no offshore também aparece na distribuição por bacias. A Bacia de Santos respondeu sozinha por 4,776 milhões de boe/d, sendo 3,679 milhões de barris/dia de petróleo e 174,43 milhões de m³/d de gás. A Bacia de Campos ficou em segundo lugar, com 953,3 mil boe/d.
O peso de Santos está diretamente relacionado à expansão dos ativos do pré-sal. Entre os maiores campos produtores do país estão Búzios, Mero e Tupi, todos na bacia. Em agosto, Búzios alcançou 1,476 milhão de boe/d, seguido por Mero, com 1,074 milhão de boe/d, e Tupi, com 1,068 milhão de boe/d.
Búzios lidera produção de petróleo
O campo de Búzios foi o maior produtor de petróleo do país em agosto, com média de 1,172 milhão de barris/dia. O ativo também liderou a produção total entre os campos, com 1,476 milhão de boe/d. No ranking de instalações, o FPSO Almirante Tamandaré, instalado em Búzios, apresentou a maior produção individual de petróleo, com 258.401 barris/dia. A unidade produziu ainda 10,95 milhões de m³/d de gás natural, totalizando 327.251 boe/d.
A escala dos ativos do pré-sal também aparece nos poços de maior produtividade. Os principais produtores de petróleo em agosto estavam concentrados nos campos de Mero, Búzios e Atapu, todos na Bacia de Santos. O poço 7-MRO-6DB-RJS, em Mero, liderou o ranking, com 51.713 barris/dia.
Mero concentra maior produção de gás
No gás natural, Mero foi o campo com maior produção, com 48,93 milhões de m³/d. O ativo superou Búzios e Tupi nesse indicador e reforça a concentração da oferta de gás associada ao desenvolvimento do pré-sal.
Entre as unidades offshore, o FPSO Sepetiba, em Mero, registrou a maior produção de gás natural, com 12,97 milhões de m³/d. A unidade também produziu 194.549 barris/dia de petróleo e atingiu 276.137 boe/d em produção total.
Aproveitamento do gás chega a 98,1%
O crescimento da produção veio acompanhado de um índice de 98,1% de aproveitamento do gás natural em agosto. Do total produzido, 69,41 milhões de m³/d foram classificados como gás disponível, enquanto 126,87 milhões de m³/d foram reinjetados e 20,12 milhões de m³/d destinados ao consumo interno.
A queima nas unidades produtoras somou 4,16 milhões de m³/d, queda de 11% em relação a julho e de 14,8% ante agosto de 2025. O indicador de aproveitamento ficou acima dos 97,83% registrados no mês anterior.
Os dados mostram, portanto, que a expansão da produção não ocorreu apenas pelo aumento do volume de petróleo. O avanço do gás associado, a reinjeção e a redução da queima também compõem a evolução operacional dos projetos offshore.
Produção nacional mantém trajetória de alta
A série histórica da ANP mostra que a produção total passou de 5,084 milhões de boe/d em agosto de 2025 para 6,002 milhões de boe/d em agosto de 2026. No mesmo intervalo, a produção de petróleo subiu de 3,896 milhões para 4,615 milhões de barris/dia, enquanto a parcela equivalente ao gás natural avançou de 1,188 milhão para 1,387 milhão de boe/d.
O resultado reforça o papel dos projetos de águas profundas e ultraprofundas na composição da oferta brasileira. Em agosto, o pré-sal sozinho respondeu por quase cinco milhões de boe/d, consolidando a Bacia de Santos como o principal polo produtor do país.



