Concessionárias adotam IA para auditarem 100% dos vídeos de segurança em redes elétricas

Plataforma desenvolvida pela Fu2re analisa 100% dos vídeos de equipes de campo, eliminando amostragem manual e reduzindo riscos operacionais para eletricistas em emergências

O avanço de eventos climáticos extremos no Brasil, acompanhado de vendavais, alagamentos e tempestades, elevou a pressão operacional sobre as concessionárias de distribuição de energia elétrica. Nesses cenários de contingência, o restabelecimento do fornecimento exige a atuação de equipes de campo em condições adversas, sob elevada pressão por rapidez e expostas a redes danificadas, fiação energizada e estruturas comprometidas. Para mitigar os riscos inerentes a essas operações, a adoção de tecnologias de inteligência artificial e visão computacional passou a integrar a estratégia de segurança do trabalho do setor elétrico.

Dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica 2026, elaborado pela Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (ABRACOPEL), apontam que o país registrou 917 acidentes e 646 fatalidades decorrentes de choques elétricos em 2025. O levantamento relaciona grande parte desses eventos a falhas estruturais, falta de manutenção, sobrecargas e não conformidade com normas técnicas de segurança.

Automatização da análise de vídeo e auditoria de EPIs

Para expandir a capacidade de fiscalização em campo, a Fu2re implementou a plataforma Smartvision safety. A solução aplica algoritmos de visão computacional sobre os arquivos de vídeo gravados durante as jornadas operacionais, auditando de forma automatizada a conformidade na utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC).

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A ferramenta identifica desvios comportamentais e procedimentos em desacordo com as normas de segurança, além de monitorar padrões de direção defensiva e regras de trânsito durante o deslocamento das frotas.

Detalhando a arquitetura de processamento dos dados coletados pelas equipes, o fundador e sócio-gestor da Fu2re, André Sih, explica o fluxo de filtragem do sistema: “As gravações, que podem ter até oito horas de duração, são processadas e segmentadas automaticamente em blocos organizados por intervenção. Em vez de exigir que os técnicos revisem longos períodos de vídeo, o sistema gera pequenos trechos contendo apenas os momentos relevantes de cada atividade. Os períodos de deslocamento também são separados das operações em campo e analisados individualmente, permitindo uma visão mais ampla dos riscos envolvidos em toda a jornada de trabalho.”

Monitoramento integral e criação de indicadores de risco

As informações auditadas pela inteligência artificial são centralizadas em um portal em nuvem, permitindo que os engenheiros de segurança do trabalho das concessionárias monitorem os turnos em tempo real. A plataforma categoriza o tipo de intervenção realizada na rede básica ou de distribuição, emite alertas de inconformidade e calcula um índice de risco operacional por equipe.

Mensurando o ganho de escala na auditoria das operações de campo em comparação ao modelo amostral tradicional, André Sih destaca a evolução dos indicadores operacionais da ferramenta: “Desde o início da operação, mais de 2,7 mil turnos foram monitorados, mais de 6,6 mil operações foram identificadas e categorizadas e mais de 21 mil horas de gravações foram processadas pela plataforma. Antes da adoção da solução, apenas cerca de 2% dos vídeos eram revisados manualmente. Com a inteligência artificial, 100% das gravações passam a estar disponíveis no portal em nuvem, permitindo que as equipes de segurança concentrem seus esforços nos trechos que realmente demandam atenção.”

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A transição de um modelo de auditoria baseado em amostragem residual (2%) para a análise automatizada de 100% do acervo audiovisual visa padronizar relatórios técnicos, subsidiar treinamentos preventivos e conferir métricas objetivas à gestão de segurança ocupacional no setor elétrico.

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