ONS apresenta cenários para 2026 e propõe ajustes metodológicos ao CMSE diante de incertezas do período úmido

Operador mantém monitoramento reforçado dos reservatórios, recomenda atenção às vazões do Paraná e detalha atualizações em CVaR, excedentes térmicos e curvas referenciais de armazenamento

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) levou ao Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), em 3 de dezembro, um conjunto abrangente de análises e previsões sobre o comportamento do Sistema Interligado Nacional (SIN) até maio de 2026. As informações, que incluíram projeções hidrológicas, atualizações metodológicas e recomendações operacionais, reforçam que o período chuvoso está em curso, mas ainda cercado de incertezas, especialmente no que diz respeito à recomposição dos reservatórios e ao comportamento das afluências na bacia do rio Paraná.

De acordo com o ONS, os níveis de armazenamento seguem, até o momento, dentro do esperado para o início da estação úmida. No entanto, o operador destaca que o acompanhamento contínuo das chuvas e das vazões seguirá determinante para orientar decisões de curto e médio prazo, mantendo a confiabilidade do abastecimento em um momento crítico para o planejamento do setor elétrico.

Hidrologia sob atenção: projeções divididas entre cenários superior e inferior

No horizonte entre dezembro de 2025 e maio de 2026, as projeções de Energia Natural Afluente (ENA) indicam duas trajetórias possíveis. No cenário superior, mais otimista, a ENA permanece próxima ao padrão histórico de início do período úmido, com 95% da Média de Longo Termo (MLT). Já no cenário inferior, a perspectiva é mais desafiadora: apenas 68% da MLT, nível que exige atenção especial aos reservatórios intermediários do rio Paraná, região que tradicionalmente concentra parte relevante da regulação do SIN.

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Ao apresentar o quadro ao CMSE, Marcio Rea, diretor-geral do ONS, apresentou um panorama ao CMSE no qual destacou a importância da atenção contínua ao regime de chuvas, apesar da projeção de recomposição gradual dos reservatórios. O executivo reforçou a necessidade de vigilância para garantir a continuidade do atendimento eletroenergético

“O período chuvoso segue em curso, com a perspectiva de recomposição gradual dos reservatórios durante esse período. Ainda assim, manteremos atenção para os próximos meses. A orientação é acompanhar de perto essas condições e estar preparado para adotar as medidas necessárias, assegurando a continuidade do atendimento eletroenergético do país”, afirmou.

Perspectivas até maio de 2026: armazenamentos podem divergir fortemente entre cenários

As projeções de armazenamento reforçam a amplitude entre os cenários possíveis. No subsistema Sudeste/Centro-Oeste, responsável por cerca de 70% da capacidade de regularização do SIN, a Energia Armazenada pode ficar 16,3 pontos percentuais acima do valor observado em maio de 2025, caso prevaleça o cenário otimista ou 29,3 pontos percentuais abaixo, se o quadro hidrológico seguir a hipótese inferior.

Para o SIN como um todo, a diferença também é significativa: os reservatórios podem encerrar maio de 2026 com 15,1 p.p. acima ou 17,9 p.p. abaixo dos níveis registrados no mesmo período de 2025, dependendo da evolução das chuvas.

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Essa amplitude reforça a necessidade de instrumentos metodológicos e operativos mais flexíveis, capazes de orientar decisões eletricamente seguras em cenários de alta variabilidade.

Portaria MME nº 115/2025: novos parâmetros para gestão do excedente energético

Na mesma reunião, o ONS apresentou ao CMSE a nova Rotina Operacional para caracterização de excedentes energéticos e aceite de ofertas de redução de inflexibilidade de usinas térmicas contratadas por CCEAR. A proposta atende às diretrizes da Portaria MME nº 115/2025, que abre a possibilidade para que agentes térmicos ofertem reduções na geração mínima desde que não elevem custos ao setor elétrico e não comprometam a segurança eletroenergética do SIN.

A Rotina Operacional RO-EP.BR.04, já vigente, passa a ser uma ferramenta adicional para otimizar o uso das térmicas em momentos de maior flexibilidade hidrológica, preservando o equilíbrio entre segurança e custo.

CVaR: CMSE aprova atualização metodológica

Outro ponto central da reunião foi a aprovação, pelo CMSE, da proposta de atualização da metodologia de calibração dos parâmetros do CVaR (Conditional Value at Risk). A revisão atende à Resolução CMSE nº 1/2025 e busca aprimorar a modelagem de risco aplicada ao planejamento e à operação.

Para reforçar a transparência e o alinhamento setorial, o ONS realizará em janeiro de 2026 um workshop com os agentes, no qual detalhará a nova metodologia, os critérios de calibração e os impactos esperados sobre estudos energéticos futuros.

Curvas Referenciais de 2026 são aprovadas e mantêm base de 2025

O colegiado também aprovou as Curvas Referenciais de Armazenamento (CRef) para 2026, instrumento essencial para orientar decisões sobre medidas adicionais à política de operação, incluindo eventual despacho térmico adicional.

A metodologia aplicada foi a mesma utilizada em 2025, resultando em continuidade dos parâmetros. Assim, para novembro de 2026, o nível de referência permanece:

  • SIN: 29%
  • Sudeste/Centro-Oeste: 30%
  • Sul: 30%
  • Norte: 28%
  • Nordeste: 23%

A Nota Técnica detalhada será finalizada pelo ONS e disponibilizada aos agentes posteriormente.

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