Material produzido a partir de casca de coco será misturado a carvão mineral na UTE Energia Pecém; pesquisa avalia redução de emissões e potencial de geração de créditos de carbono
A Diamante Geração de Energia enviou, no fim de julho, 880 quilos de carvão vegetal produzido a partir de casca de coco para a UTE Energia Pecém, no Ceará. O material será utilizado na composição de uma mistura híbrida com carvão mineral, que deverá passar por testes de combustão na caldeira industrial da termelétrica em outubro.
A iniciativa integra uma pesquisa desenvolvida pela Diamante em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece), com financiamento do programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O projeto recebeu R$ 2,7 milhões em investimentos.
Biocarvão será testado em escala industrial
O carvão vegetal foi produzido ao longo do ano no Laboratório de Conversão Energética e Inovação da Uece e posteriormente transportado para a UTE Energia Pecém. No local, os 880 kg já enviados foram incorporados a 87,12 toneladas de carvão mineral.
A mistura ainda precisa receber outros 520 kg de carvão vegetal antes da composição final prevista para os ensaios. A etapa industrial permitirá avaliar o comportamento do biocarvão durante a combustão e sua capacidade de substituir parcialmente o combustível fóssil utilizado na geração termelétrica.
Além da viabilidade técnica da mistura, a pesquisa busca quantificar os efeitos ambientais associados à utilização da biomassa. O engenheiro Diego Rebouças, integrante do projeto, explica que uma das frentes é determinar a quantidade de CO₂ capturada pelo carvão vegetal e avaliar sua relação com a eventual geração de créditos de carbono.
Pesquisa mira redução de emissões
A utilização de resíduos de biomassa, como a casca de coco, está no centro da estratégia de substituição parcial do carvão mineral. O aumento da participação do biocarvão na mistura pode ampliar o potencial de redução das emissões associadas à operação, mas os resultados dependem da avaliação técnica e ambiental conduzida no projeto.
Para a Diamante, a pesquisa busca transformar esse potencial em uma aplicação tecnicamente viável para a geração termelétrica. O presidente da companhia, Pedro Litsek, aponta que a iniciativa combina a avaliação operacional do combustível com uma estratégia de descarbonização da atividade.
A empresa pretende, com os testes, verificar as condições necessárias para utilização da matéria-prima em maior escala e avançar na avaliação do potencial de geração de créditos de carbono.
O projeto também coloca a valorização energética de resíduos agrícolas no contexto da transição da matriz. Nesse modelo, materiais que seriam descartados podem ser convertidos em combustível para complementar fontes fósseis em processos industriais, desde que atendam aos requisitos técnicos de desempenho e controle de emissões.



