Petrobras aposta em quatro blocos para criar novo polo na Bacia de Campos

Áreas concentram R$ 2,77 bilhões dos R$ 2,94 bilhões pagos pela estatal por 12 blocos e podem ser integradas à infraestrutura existente por meio de tie-backs

A Petrobras vê potencial para formar um novo polo de desenvolvimento na Bacia de Campos a partir dos 12 blocos exploratórios adquiridos no 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A estratégia tem como foco quatro áreas que, juntas, concentraram cerca de R$ 2,77 bilhões dos R$ 2,94 bilhões em bônus pagos pela companhia na bacia.

Os blocos C-M-115, C-M-161, C-M-163 e C-M-216 receberam os maiores lances do leilão, realizado na quarta-feira (7). Os dois primeiros foram arrematados por R$ 754,2 milhões cada, enquanto C-M-163 e C-M-216 receberam ofertas de aproximadamente R$ 629 milhões cada.

A Petrobras adquiriu os 12 blocos da Bacia de Campos com 100% de participação. No conjunto, as áreas representam uma ampliação relevante do portfólio exploratório da companhia na região, mas o potencial volumétrico e a viabilidade comercial ainda dependem da realização de campanhas exploratórias e da perfuração de poços.

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Quatro blocos concentram maior aposta

Os blocos C-M-115, C-M-161, C-M-163 e C-M-216 estão localizados no setor SC-AUP1 da Bacia de Campos. O nível dos bônus indica a concentração da estratégia da Petrobras nessas áreas.

Os blocos C-M-115 e C-M-161 tiveram bônus de R$ 754,2 milhões cada. Já C-M-163 recebeu R$ 629 milhões, enquanto C-M-216 foi arrematado por R$ 629 milhões. Em C-M-115 e C-M-161, os ágios chegaram a aproximadamente 21 mil% sobre os bônus mínimos previstos no edital, em uma disputa na qual a Petrobras superou ofertas do consórcio formado por TotalEnergies e QatarEnergy.

Apesar do valor dos lances, as áreas ainda estão em fase exploratória. A confirmação de volumes recuperáveis, produtividade dos reservatórios e retorno econômico dependerá dos resultados dos trabalhos previstos nos contratos.

Estratégia combina exploração e infraestrutura existente

A aposta na Bacia de Campos está relacionada também à possibilidade de utilizar a infraestrutura de produção já instalada na região. Em uma bacia madura, novas descobertas podem ser desenvolvidas por meio de conexões a sistemas existentes, estratégia conhecida como tie-back.

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Nesse modelo, a produção de uma nova acumulação pode ser interligada a uma plataforma, unidade de processamento ou sistema submarino já disponível, reduzindo a necessidade de implantação de uma estrutura independente. A alternativa é particularmente relevante para descobertas de menor ou médio porte, nas quais a utilização de ativos existentes pode melhorar a relação entre investimentos, custos de desenvolvimento e volume recuperável.

A Petrobras já aponta a Bacia de Campos como uma região relevante para sua estratégia de produção futura. No plano 2026-2030, a companhia prevê US$ 19 bilhões em investimentos na bacia e cinco novas unidades em estudo, além de uma nova unidade prevista no período.

Potencial ainda depende da exploração

A formação de um novo polo, portanto, não está assegurada pelos resultados do leilão. Os blocos recém-adquiridos precisam avançar pelas etapas do ciclo exploratório antes que a Petrobras possa dimensionar reservas e definir projetos de desenvolvimento. A companhia terá de executar os programas exploratórios previstos, adquirir e interpretar dados geológicos e geofísicos e perfurar poços para confirmar a presença e a qualidade dos reservatórios.

Esse ponto diferencia o potencial exploratório do volume efetivamente convertido em reservas. O elevado bônus pago pela Petrobras sinaliza a importância atribuída às áreas dentro de sua estratégia, mas não representa, por si só, garantia de descoberta ou de produção futura.

Campos amplia portfólio offshore da Petrobras

Além dos quatro ativos de maior valor, a Petrobras arrematou outros oito blocos na Bacia de Campos: C-M-111, C-M-113, C-M-159, C-M-165, C-M-214, C-M-281, C-M-283 e C-M-352. Somados, os 12 blocos adquiridos na bacia receberam aproximadamente R$ 2,94 bilhões em bônus de assinatura. A Petrobras também conquistou sete blocos na Bacia do Ceará, em parceria com a QatarEnergy, com participação de 70% e 30%, respectivamente.

Considerando sua participação nos dois ciclos da Oferta Permanente realizados pela ANP em 7 de outubro, a Petrobras informou a aquisição de 21 blocos e bônus totais de R$ 3,219 bilhões. A companhia afirmou que a estratégia busca ampliar o portfólio exploratório e contribuir para a recomposição de reservas no longo prazo.

Na Bacia de Campos, porém, a concentração dos investimentos nos quatro blocos do setor SC-AUP1 coloca essas áreas no centro da estratégia de expansão exploratória da estatal na região.

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